quarta-feira, 30 de abril de 2008

Saudades!

Sinto saudades.
Vivo sentindo saudades de quase tudo em minha vida.
Amigos, musicas que ouvi fermentando meus sonhos, filmes que assisti, situações que me deram prazer, outras que causaram angustia, beijos, minha infância, minha adolescência, amigos que se foram, pessoas que nunca mais vi, retratos de familia, de viagens e até de coisas que ainda não vivenciei por falta de oportunidade ou por que deixei passar.
Quando recebi de uma amiga um poema de Clarisse Lispector que relata este sentimento, senti suas palavras as minhas.
Saudades,... acho que é bom senti-la de forma saudavel mesmo com aquelas pitadinhas de tristeza!


sexta-feira, 25 de abril de 2008

ME TA DE

Quando eu andava assim sem rumo e sem esperança, me sentido menor, vagava pela casa a procura de meus pedaços.
Ouvi então esta canção de Adriana Calcanhoto que coube exatamente naquele momento de minha vida em que me sentia pequeno, pela metade.


"Eu perco o chão, eu não acho as palavras.
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
.
Eu perco a hora, eu chego no fim.

Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim.

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio
.
Onde será que você está agora?"

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Vambora

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...
A noite veio lenta e desigual as outras noites.Veio para sincronizar idéias, pensamentos soltos. Conquistar desejos, sonhos, furtando-me o sono, o raciocínio, a lógica. Desencadear vertigem!
Quisera eu ser teu sonho, teu antídoto contra angustia, a estrada para tua libertação. Tomara pudesse, não sofrer deste teu mesmo mal!

sexta-feira, 18 de abril de 2008



Ando por aí, navegando nestes mares.
Mares onde navegam doçuras,
onde maçãs vermelhas e mordidas flutuam soltas,
Sem bússola,
Em tua,
em minha direção.
Na direção dos ventos,
Contra a maré.
Onde sinalizas.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Meu convite para Voce

Quero levar-te pra dentro de mim, numa condução lenta para que percebas meus detalhes, minhas cores, minhas entranhas.
Emulsão de carne, ossos, sangue, cores vivas e sombras.
Tenho guardado em mim meu melhor e meu pior, a natureza das selvas, as tonturas dos abismos, a resistência dos cipós, transformados em alma.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Para quem ainda vier a me amar

Quero dizer que te amo só de amor. Sem idéias, palavras, pensamentos. Quero dizer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções. Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo.
Quero querer que te amo só de amor.
São sombras as palavras no papel. Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer. apenas sombras as palavras no papel.
Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen. São versos que pulsam, gemem e fecundam.
Meu poema se encanta feito o amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo o amor como faço o poema.
Quero da vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores. Eu te sinto na pele, não no coração.
Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica, porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico.
Quero genitais todas as nossas superfícies.
Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação.
Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor.
Mas só te amo porque me das o gozo e não gozo mais porque eu te amo.
Não há limites para o fim de um grande amor.
Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, umidas, latentes todas as mucosas. A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um do corpo do outro, para inventar deuses na solidão de nós. Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.
Porque eu te amo, tu não precisas de mim.
Porque tu me amas, eu não preciso de ti.
No amor jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
O amor é tanto, não quanto.
Amar é enquanto, portanto. Ponto.

Roberto Freire

sábado, 12 de abril de 2008

O meu Sim


E eu quisera ser só seu
Quando o mundo era menor
E hoje eu sei
Que sou mais eu
Prá melhor ou prá pior

E eu vou seguindo
Alguns sinais
Que primeiro eu inverti
Mas quando eu puder olhar prá trás
Você vai brilhar ali

Perigo na esquina
Proibido parar
Antes de chegar a mim
Minha vida absurda
E a terra a girar
Quem escuta o meu sim?
Quem escuta o meu sim...

Quem sabe um dia
Eu lhe descrevo
Estes círculos que penso
Ao navegar por certos trevos
Em que os sonhos são mais densos

E às vezes alta madrugada
Ficam dúvidas com tudo
Quem sabe o fim não seja nada
E a estrada seja tudo

Perigo na curva
Proibido parar
Antes de chegar a mim
Minha vida absurda
E a terra a girar
Quem escuta o meu sim?
Quem escuta o meu sim...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mensagem para voce

Senhora de longas pálpebras.
Profundos pensamentos.
Que busca poses.
Em seus médios dedos.

Sorriso cavado.
Em um baú qualquer.
Talvez de revista.

Pose de cinderela.
Vozes mansas.
De suave pisar.

Por que manchas?
Imaginação de menina,
ou de príncipe que você criou.

Fez-me pai.
Fez-me mãe.
Só não me fez teu amor.

*Pelo espírito de uma amiga .
08/04/2008 as 00h. 33min

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Resgate

Acontece que no meu trabalho não salvamos somente vidas na eminência da morte, mas também resgatamos almas.
Há alguns dias a traz, atendi um jovem que se acidentou de moto e logo depois de todo o protocolo e anamnese realizado dentro da ambulancia, ficou alguns minutos em silencio, depois desabou a chorar. Imaginei que fosse aquele processo de que quase todos passam depois de um acidente e descobrem que ainda estão vivos, que escaparam por um triz, ou a concientização de que quase morreram e então timidamente pediu para que eu segurasse a sua mão. Segurei-a com força e fomos até o hospital onde seria recebido. Durante o caminho me falava sobre o seu pai e sua dificuldade de relacionarem-se e que em tantos anos de vida não lembrava de ter segurado a mão de seu pai em momentos difíceis como naquele momento.
Senti por alguns minutos, assumir uma grande responsabilidade, ser o pai de um de um jovem estranho de 24 anos que me pedia para resgatar dividas emocionais insuportaveis e que eram fundamentais serem resgatadas.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Luz e Mistérios.

Existem pessoas que me parecem assim. Quanto mais procuramos interagir com seu interior parecem fugir entre nossas tentativas, fechando-se em si mesmas, ladeando caminhos, desaparecendo em suas próprias sombras, apertando nossas gargantas. Ora são luz, ora sombras presas em seus castelos.

"Oh! Meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti

Oh! meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Doçura de luz
Amargo e sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Oh grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz."












domingo, 6 de abril de 2008

Terreira da Tribo

Sexta-feira fui na festa de reinauguração da Terreira da Tribo, na avenida Jõao Alfredo 709.
Todas as tribos estavam reunidas por lá festejando a o som de Ragge a conquista de seu novo espaço de 1,2 metros quadrados conquistado pelo O P (orçamento participativo).
A Terreira da Tribo surgiu em 1978 com uma renovação radical da linguagem cênica. Própria de teatro de rua, desenvolvendo trabalhos artísticos pedagógicos junto a comunidade local. Oferece diversas oficinas abertas e gratuitas a população.

Também Bailei na Curva



Ontem a noite fui presenteado com o espetaculo de Julio Conte, no teatro São Pedro, Bailei na curva. O espetaculo retrata as décadas de 60, 70 e 80, relatando a história de sete crianças que juntas atravessam a infância inocente, as dúvidas da adolescência e seus problemas existenciais quando então se tornam adultas.
O espetaculo tem como pano de fundo os acontecimentos históricos da época como: O golpe militar, a perseguição política, os conceitos sociais de liberdade e político como o comunismo
Como diz Julio Conte ao final do espetaculo: A história é na verdade a nossa história. É a construção de nós mesmos, de nossas vidas.

Sorriso de Monalisa


Tem pessoas que quando a encontramos, sentimos a urgente necessidade de dizer muito mais que um bom dia ou um... como vai você. E que de repente por timidez ou mesmo por falta de oportunidade, somos desmotivados a buscar-las para um reconhecimento maior.
Conheço alguém que me provoca tal sentimento, por que tenho vontade de descobrir sua alma, desvendar seus mistérios humanos.
Tem um olhar sereno e um sorriso de Monalisa, se por ventura desmanchasse a trança que usa no cabelo preto e longo, na expressão de cansaço mesclado a o sorriso calmo de quem sabe os segredos da vida. Demonstração de pura bondade! Sabedoria, arte!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Borboletas Azuis

Há mais de uma semana tenho convivido com borboletas azuis a minha volta. Elas entram pelas janelas, onde moro, mesmo estando fechadas. Surgem pelos cantos da casa magicamente, as vezes em bandos e sobrevoam pela minha cama, meu corpo, meu sexo.
O bom de tudo isto não é somente poder realmente vê-las, mas senti-las sacolejar suas asas espalhando perfume de rosas pelo ar.

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