quinta-feira, 31 de julho de 2008

Transporte coletivo

Hoje, fim de mês, foi um dia daqueles!.. Transferências bancarias, Pagamento de contas, renegociação de dividas e para me deslocar a tantos lugares e enfrentar filas, ouvir explicações sobre transações financeiras e funcionamento de taxas de juros, deixei o carro na garagem e fui de ônibus para evitar além de tudo o estresse de dirigir neste transito maluco e sem lugar para estacionar. Devo dizer que não foi uma experiencia traumatizante como pensei, uma vez que a frota de transportes da cidade atualmente, oferece conforto e tranqüilidade aos passageiros e você pode ainda optar entre vislumbrar pela janela os vários roteiros viários como praças, modelos arquitetônicos de prédios em construção, desvios, acidentes no percurso ou ouvir a conversa de algum passageiro no coletivo. No meu caso, decidi prestar atenção a uma jovem sentada a o meu lado e que falava no telefone celular com seu namorado ou talvez marido, não sei! Mas ela perguntava-lhe insistentemente se iram sair à noite e ele provavelmente dava-lhe alguma desculpa ou justificativa de sua impossibilidade, por que ela balbuciava baixinho e de voz meio embargada: Como? Eu não acredito! Tu não podes fazer isto comigo, eu já me preparei, gastei oque não podia! Pensa com carinho amor!..Depois de alguns segundos pensativa e em silencio, desligou o aparelho abruptamente e levantou-se para desembarcar na próxima parada com a expressão refeita e a pressa dos que não podem perder tempo com problemas menores. Como eu!

A Bela voz do Brasil

Dia 25 do mês 07, sexta-feira, a Tv Globo presenteou nós, telespectadores, com um belíssimo show em homenagem á Edu Lobo, considerado um dos ícones da nossa musica popular brasileira. Edu foi parceiro de Vinícius de Moraes e ganhou um dos grandes festivais de musica com Arrastão, depois novamente com Ponteio. Para interpretar as musicas de Edu o programa Som Brasil convidou Mônica Salmaso, Thaís Gulin, Nação Zumbi e Bena Lobo- filho de Edu. Particularmente o ponto alto do show foram as interpretações das musicas, Beatriz, Ciranda da Bailarina, Casa Forte e A história de Lili Braun na magnifica e afinadíssima voz da cantora Mônica Salmaso em dueto com Edu. A produção do programa Som Brasil da Tv Globo está de parabéns por nos proporcionar tamanho espetáculo.


Link: Mônica Salmaso
interpretando "Beatriz".

terça-feira, 29 de julho de 2008

Benzeduras

Dona Djanira gostava de me benzer, dizendo que eu tinha mau olhado quando que eu era garoto. Pegava sua enorme tesoura preta e enferrujada com um carvãozinho aceso, preso na ponta e um copo de água na outra mão, enquanto falava coisas baixinhas que eu acreditava ser orações de proteção. Nunca ouvi direito o que falava, mas sabia que era de boa intenção. Dona Djanira já se foi a muito tempo e eu mais do que nunca preciso em certas horas de sua proteção.

Nascimento do dia.

Era noite quando Tereza e eu caminhávamos na beira da praia observando as ondas explodirem nas pedras e suas espumas lamberem a areia branca. Caminhávamos abraçados e descalços sobre o tapete fofo, enquanto observávamos também o horizonte turvo e compacto, onde o céu e o mar se unem e se perde a noção do que é água e do que é céu. Vimos então um risco de luz tímido aparecer por de traz das ondas negras. Quando paramos para olhar, esta luz se expandiu em raios por cima da aguá e uma bola vermelha começou a surgir, assustadoramente bela de dentro do mar. Sentamos assustados sem saber oque acontecia e a medida que crescia foi iluminando tudo como uma imensa tocha de fogo mágica. A noite desaparecia rapidamente diante de nossos olhos como se abrissem uma janela num quarto escuro, por que tudo se iluminava e então percebemos que assistíamos um milagre natural, a morte da noite e o nascimento do dia. Jamais me esqueci disto!



29/07/2008

Eu aprendi a lançar um olhar diferente para as pessoas da qual convivo. Tento buscar motivos óbvios para suas atitudes perante a vida e a mim, atitudes nem sempre aceitáveis, nem sempre amáveis, nem sempre compreensíveis. Não me permito acreditar em falsidades, em segundas e terceiras intenções, mesmo sabendo que tudo pode ser possível. Viver na desconfiança é tentar sobreviver numa gerra fria sem saber quem são os aliados, arredio, sem perspectivas de dias melhores. Quando penso nelas, tento acreditar em seres humanos melhorados e passivos de erros, que preze acima de tudo a boa convivência, o respeito e a dignidade entre as pessoas. Se não, por que estar por aqui?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Salton Flowers Aromático/ Demi Sec

Ontem a noite foi momentos de risos, de saudades, e lembranças da infância e da adolescência sentidas tão perto na emoção, mas tão distante no tempo. Regamos tudo com um vinho barato e delicioso, chamado Salton Flowers, branco, demi- seco com aroma de flores cítricas, rosas, jasmins e frutas como pêssego, abacaxi e banana. Dormi em paz e feliz.

sábado, 26 de julho de 2008

A visita

De noite Chayanne ainda com o mesmo rosto moreno de quinze anos atrás, entrou em minha casa, invadiu meu quarto e em silencio, cantou o mantra que a muito tempo não cantava sob a fumaça de incensos cheirosos. O mantra da Harmonia. Lembrei -me dela quando ainda era Irene, antes de entrar na filosofia indiana e trocar de nome, de vida, de amores. Será que eu ainda estava sob o efeito do vinho?

Canoas de Caiobá


As canoas ficavam ancoradas de frente para o mar, esperando a hora de partirem. Eram tantas as cores que ficava difícil eleger a mais bonita entre todas! Eram iluminadas pela luz da lua e quando por ali se passava sentia-se o cheiro do mar , do peixe, da simplicidade, da liberdade que se vê somente em cartões postais.
Saudades de lá!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Quinta-feira

Quinta-feira tudo parecia estar bem, mas de uma hora para outra me vi estranhamente inquieto. Era noite e saí para jantar na casa de amigos e mesmo no clima caloroso e festivo com que sempre sou recebido, sentia-me deslocado e desatento a tudo e a todos. As anchovas grelhadas estavam ótimas e o vinho tinto nem se fala, mas eu, oscilava entre sentimentos de ansiedade e angustia, do qual não sabia sua origem e nem oque fazer para que passassem. Caminhava de lado para outro, debruçava-me sobre as janelas sem me fixar em nada que via e a cabeça repleta de um vazio sem dimensões. Em alguns minutos parecia que sobrava um pequeno espaço de raciocínio lógico, onde eu retornava ao 'planeta de origem', as pessoas, as anchovas grelhadas, ao vinho que pouco bebi; depois voltava a me perder no meu próprio vazio. Mais tarde, ja em minha casa, buscava algum mecanismo interno que me fizesse retroceder daqueles sentimentos que só me abandonaram na manhã do outro dia, quando acordei.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Devagar quase parando

Meu colega costuma dar muitas gargalhadas, acha que a vida é pra isto mesmo, sorrir, se divertir, viver sem estresse. Honra seus compromissos no trabalho e nas horas vagas sua agenda e repleta de bailes em clubes, aniversários, casamentos, jantares, bate-bolas com vizinhos finalizados com grandes churrascos. Quando dirige seu carro não passa dos sessenta e se fazem algum comentário negativo a respeito vai logo dizendo: Pra que correr se vamos chegar lá mesmo! Caminha com passos lentos, mãos nos bolsos, assoviando e olhando para os lados como se visse coisas que os ditos "normais" não vêem por que tem muita pressa. Chamado de preguiçoso por alguns e "devagar quase parando" por outros, vai vivendo. Afinal por que ter pressa?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Violências corriqueiras

Falar de um assunto corriqueiro não sei se é bom por que me parecem aquelas velhas histórias repetitivas, mas que vivemos nos debatendo com eles pelas ruas todos os dias, isto é uma verdade. Será que ninguém nunca enfrentou uma situação semelhante? Pois bem, na semana passada quando fui ao banco verificar meu saldo e realizar algumas transferências, deparei-me com uma cena lamentável e que me deixou revoltado, pelo desrespeito e falta de sensibilidade humana. Primeiro quero dizer que aquelas portas giratórias, instaladas em bancos para trazerem segurança aos cliente e ao próprio banco é uma piada de mau gosto. Você tem que se desfazer de todos os objetos de metal que carrega consigo, inclusive platinas de cirurgias reparatórias, próteses dentarias, D.I.Us, se puder tirar é claro, para poder passar enquanto todos te olham como se você fosse um marginal pronto à assaltar o banco. Segurança, ledo engano! Uma vez fiquei preso em uma delas e só depois, por muito custo foi liberada para que eu passasse. Já na fila do caixa, o senhor que passara na minha frente deu um sorrisinho irônico e mostrou-me a arma que carregava na cintura e passou no detector de metais sem maiores restrições. Mas voltando à semana passada, já estava dentro do banco esperando um dos caixas eletrônicos se desocuparem, quando percebi uma senhora idosa tentando entrar e sendo barrada na porta giratória que trancava cada vez que ela forçava a sua entrada. O segurança do outro lado olhava-a com desprezo e dizia-lhe para deixar sua bolsa num nicho transparente de objetos, sem que ela pudesse ouvi-lo. Repetia varias vezes enquanto ela forçava a porta e fazia sinais de que não conseguia ouvi-lo. Ele provavelmente também desconhecia que vidros diminuem a acustica e repetia sempre a mesma frase. Depois de varias tentativas de mimicas e monólogos incompreensíveis ele resolveu abrir a porta, a contra gosto e resmungando: Além de velha é surda!
Comentei com uma jovem senhora que estava ao meu lado, sobre a violência assistida e fiquei pensando quando tempo ainda falta, para que eu seja tratado daquela maneira absurda e desrespeitosa como foi tratada aquela idosa.

O porco assado

Acordei agitado e então lembrei do sonho:
Vistava amigos no interior, do qual conhecia-os somente do sonho. Sentados em volta de um forno de barro, assavam um enorme porco para festejarem minha chegada na fazenda. Estávamos entre oito pessoas e conversávamos sobre coisas banais, mas oque chamou-me a atenção e achei estranho é que assavam o animal vivo e sem que tirassem suas vísceras. Quando se agitava sobre o braseiro por causa do calor que lhe queimava o corpo, sua dona lhe fazia um carinho para que se acalmasse e aceitasse seu destino final. Seus olhos se movimentavam e algumas vezes pareciam ser doces e inocentes a procura de sua dona. Com medo de toda aquela situação estranha, algumas vezes corria até a porta enquanto alguem comentava dando gargalhadas: Esta gente da cidade tem medo de tudo, até da própria comida!

Discutir relação

Andei me perguntando por que discutir relação dói tanto? E quando digo que dói é por que dói mesmo! Eu mesmo fico arredio quando tenho que discutir. Um numero bastante elevado de pessoas fogem deste tema como o diabo foge da cruz. O gênero masculino então, nem se fala, alegam que é perda de tempo, que a o invés de ajudar prejudica mais ainda e ai se vai... A verdade é que é necessário algumas vezes, se colocar os pingos nos is e certamente conversar é a melhor saída. As relações se formam não só no casamento, mas em outros âmbitos de nossa convivência afetiva, seja no trabalho, na escola, entre amigos que fizemos. Quem não se deparou com algum comentário desagradável feito por algum amigo ou colega de trabalho e partiu para o vamos tirar a limpo esta história? Eu muitas vezes!
Discutir relação não precisa ter cara de imposição, de xeque mate, de dá ou desce, claro que importa oque se fala, não se pode fugir do foco e ficar na embromação, mas em certas horas é bom dar importância também a forma com que falamos oque nos incomoda. Calma e delicadeza não faz mal a ninguém! Boa educação muito menos!
E é bom lembrar que se discutir relação é algum tipo de jogo dos tempos modernos, vale a pena também ressaltar que as partes envolvidas sempre saem ganhando, não importa se casados, amigos, ou colegas de trabalho.


terça-feira, 22 de julho de 2008

Insigth

Me pego algumas vezes pensando nas contas para pagar, nos consertos que tenho de fazer, as ligações que não retornei, as visitas que prorroguei, as senhas que esqueci e antes que tudo vire um colapso total em minha vida estabeleço regras de solução que nem sempre as cumpro por que também termino por esquece-las. O jeito é ir vivendo conforme é possível viver, sem culpas, sem traumas e procurando sem estresse uma forma mais ligth de solucionar essas situações incomodas. Fico pensando que os traumas de hoje, podem ser o resultado das coisas mal resolvidas de ontem, como também sei que nossas métodos de uma perspectiva melhor as vezes são ineficientes e necessitam de um novo insigth para serem solucionadas com tranqüilidade e bom humor.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

22/07/2008

Quando Mariana passava na rua, Paulo assoviava suas canções favoritas. Mesmo fingindo indiferença, ela sabia que era para chamar-lhe atenção. Mantinha o rosto sereno sem olhar para ele assustada com o que pudesse acontecer. Um dia trocou de caminho para ver o que acontecia, quando voltou a passar por ele, percebeu que trocara de repertório.

O vendedor de mapas

A caneta ficava sempre no mesmo lugar, perdida entre papeis com anotações, rascunhos, recortes de jornais dentro da gaveta. As vezes algum livro também era colocado ali para ser lido com paciência, quando pudesse driblar a falta de tempo, o cansaço. Os encontros com Artur da Távola, Nietzche e Clarice Lispector eram curtos e suas caminhadas longas. De manhã a rotina de sempre o deixava mais forte, mais esperançoso por melhores dias. Enrolava seus mapas e saia cedo em busca do sustento, da força que sempre o fazia retornar ainda mais esperançoso e talvez feliz.

Pintura tragica.

Era cedo da manhã quando passei e vi o velho e conhecido mendigo, que me pede cigarros, sentado no meio fio brincando com uma pomba morta. Olhei com curiosidade e então disse-me que ela caíra morta em pleno vôo, cansada de voar. Quando voltei para casa fiz outro percurso e encontrei mais algumas delas, caídas sobre as calçadas, no meio da rua, boiando sobre as poças de chuva. Eram mais de seis, parecendo uma pintura trágica e triste.
Por aqui, onde moro, é cheio delas, ocupam telhados e praças, sem fazer muito ruido. Observam-me curiosas pelas janelas do apartamento enquanto toco meus dias com alguma pressa. Elas parecem estar sempre ali, incansáveis, quase estáticas, como uma outra pintura.

domingo, 20 de julho de 2008

Renascer...Recomeçar?

Não lembro a o certo o nome e o seu autor, mas o filme que assisti ontem a tarde, conta a história de uma familia; Particularmente a de uma senhora idosa que sai com o marido para visitarem um dos filhos que está de aniversário e no dia seguinte, após a comemoração, brindes e lembranças do passado o marido morre de um ataque cardíaco deixando-a completamente sem rumo e despreparada emocionalmente para continuar só. Passa então a viver com os filhos temporariamente até refazer-se de seu trauma e é jogada de um lado para o outro como um estorvo. Um filho extremamente materialista, ocupado em ganhar dinheiro, frio e dissociado dos laços familiares e uma filha insegura e desequilibrada que não consegue se firmar como escritora de peças de teatro e mantém um tumultuado relacionamento amoroso com um jovem homem que trabalha como construtor na casa em reforma. O filme cresce, quando num encontro de idosos em que a filha esta presente a velha senhora declara não ter sido uma boa mãe e muitas vezes ter tido o desejo de abandona-los ou cala-los para sempre em função da pressão que sofria como progenitora. Cresce mais ainda, quando a filha problemática pede à sua mãe para aproximar-se de seu amante para descobrir seus planos com relação a ela, e e a velha senhora ao tentar, se envolve com o amante da filha passando a relacionar-se sexualmente com ele. Neste momento surgem reflexões sobre as modificações que o corpo sofre com o passar dos anos, impasses sociais e morais relacionados a velhice e a diferença de idades. Seu caso com o jovem construtor é descoberto, quando a filha mexendo em seus pertences, descobre desenhos feitos por ela do corpo nú de seu amante e de cenas de sexo oral, abalando e revoltando toda a familia.
Mais do que a trama e enfoques que centralizam as divergências de cunho moral, onde bem sabemos que velhos são excluídos, abandonados, subestimados, algumas vezes massacrados e proibidos de amar e ter uma vida sexual ativa, o filme é um grito de socorro e por que não dizer um alerta, uma declaração óbvia de que o corpo envelhece mas a alma não, e que decididamente nos mantemos emocionalmente, latentes, receptivos a tudo, por toda a vida, inclusive à amar, ter desejos e que para a velhice ninguém está preparado.
No final, deixando a familia, sua casa, o jovem amante para traz, ela sai com alguns pertences em baixo do braço em busca de si mesma, talvez de sua felicidade.

Filme: Recomeçar/ The Motter
Inglaterra/ Lançamento:2003
Diretor: Roger Miccheell do filme:
"Um lugar chamado Notting Hill".

Atores: Daniel Graig e Anne Reid.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Relaxe

Mesmo que você esteja tenso por não encontrar respostas ou com a alma angustiada por não achar caminhos, haverá momentos em que a vida sutilmente te mostrará saídas, provando que tudo pode ser fugaz e passageiro como você. Por isto meu amigo tome cuidado e não leve tudo tão a sério...Como diz a letra da musica Romance, não vai ter graça o dia que baterem à porta e você não estiver la para abri-la. As dúvidas nos instigam e estimulam o espírito a crescer com ela, as certezas não...


quarta-feira, 16 de julho de 2008

Eu aprendi desde muito cedo que muito se ganha com as perdas, que também crescemos com nossas dores, e que devemos ouvir nosso coração mas sem subestimar a razão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Chardonnay & Porre

Ontem resolvemos aprontar. Depois de uma deliciosa garrafa de chardonnay da reserva Miolo, tudo parecia ainda insuficiente, faltava mais, muito mais... A noite prometia emoções, bate-papos, amigos gargalhando, mais vinho, para dividir aquele momento imaginado... Fomos atrás e encontramos. Tiramos amigos da cama de pijama, recordamos viagens, planejamos outras sob o clima de muita alegria.. No final? Um porre daqueles, acompanhado de tonturas, nauzeas, delirios e tudo que uma embriaguês "daquelas" pode causar. Dormimos no chão sobre sobre a cama deliciosamente improvisada e tudo valeu muito apena, apesar do mal estar no outro dia.

Projetos & Projetos

Então desviei meus olhos em direção ao morro coberto de mato onde os pássaros cantavam sem que eu pudesse vê-los e o sol estendia seus braços de luz entre as arvores, os galhos, os telhados das casas. Procurei a terceira Figueira e não achei... Será que ficou escondida entre as novas habitações construídas? Pensei então que ali projetei meu futuro, pensei também que projetos podem ser traços, rabiscos, desenhos matemáticos ou sonhos que são planejados no papel ou na cabeça, mas nem sempre executados.

domingo, 13 de julho de 2008

Conjunto Z

Meu professor de matemática um dia explicando-me sobre os números inteiros relativos, disse-me que se tratava de um conjunto matemático formado por números positivos e negativos mais o zero (neutro) numa infinita linha imaginaria. Isto significava segundo ele, que dois é maior que um e menor que três, no entanto, tratando-se de números negativos, dois é menor que um e maior que três. Generalizando, mil negativo é menor que um positivo e assim sucessivamente. Fiquei horas tentando entender aquela explicação e depois até fingi que a aceitava. Hoje tenho certa dificuldade para entender certas coisas relativas da vida embora as aceite. Deve ser por culpa desta aula de matemática que nunca entendi direito.

Passeio pelo Bric

Quando abri a janelas de meu quarto, a manhã prometia um belo dia de sol. E realmente cumpriu-se. Espreguicei-me, tomei meu banho e então a lembrança abençoada: Férias? Parecia inacreditável, mas era verdade. São apenas quinze dias sem prévios planos, sem dinheiro, mas já dá pra desopilar, descarregar, limpar um pouquinho a cabeça do stress mental dos últimos meses de plantões corridos, agitação, adrenalina, paradas cardíacas, atropelamentos, motociclistas caído ao solo, surtos psicóticos e daí se vão... Peguei meu carro e fui dar um passeio no “Bric da Redenção”, como há muito tempo não fazia. Encontrei entre alguns rostos conhecidos uma porção de desconhecidos, alguma manifestação política, que sempre se encontra aonde quer que vá. Entregas de panfletos do PT, do P Sol, encontros de grupos não governamentais em favor do meio ambiente, da prevenção do câncer de mama, dos homossexuais, adoção de filhotes de gatos e cachorros vira-latas, por que os de raça são vendidos, homem e mulher-estátua, palhaços gigantes e coloridos, som de violão misturado com gaita de boca, cantores nordestinos interpretando musicas Zé Ramalho, dança e cantorias indígenas, a classe média desfilando cuias de chimarão e animaizinhos de estimação perfumados, filas quilométricas na banca do acarajé, do suco natural sem açúcar... Visitei minhas preferidas, as de pintura a óleo e moveis antigos, andei mais um pouco pelo parque almoçei um quibe com suco de abacaxi entre pequenos empurrões e com -licenças educados e fui-me embora ver o sol no Guaiba.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Numero do azar

Meu colega enquanto dirigia a ambulância ficou estranhamente calado como se estivesse fazendo alguma reflexão e só depois de alguns minutos me confidenciou seu pouco entusiasmo nos ultimos meses de trabalhar em nosso serviço. Referia-se a morte de outros colegas num período curto de tempo. Alguns de morte natural, outros violentamente, por assassinato e acidente de transito.
Disse-me que se sentia como um dia eu descrevi e não mais lembrava: Numa pequena sala de estar com outras pessoas conhecidas, segurando na mão uma ficha numerada e que a todo o momento alguém abria a porta e anunciava um numero sorteado. Todos olhavam para suas fichas apreensivos, desconfortaveis. Então alguém cruzava pela porta de cabeça baixa, triste de seu fim, com o maldito numero na mão. O numero era o chamado para a morte do qual todos ali seriam sorteados sem exceção.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

E'mail

Recebi um e'mail de uma amiga onde perguntava-me se eu tinha virado pássaro ou disco-voador...Via-me algumas vezes rapidamente voando pelos corredores do hospital, (este foi o termo usado), sem conseguir falar comigo. Perguntou-me ainda se eu continuava apaixonado, que ouviu de alguém que quando se está apaixonado, perdemos a cabeça e ficamos mais leves, se eu já tinha perdido a minha. Respondi-lhe constrangido pelo tempo que não nos falamos, que nem sempre as paixões nos deixam leves, pássaros e disco-voadores são seres misteriosos que pouco se sabe sobre eles e que todos nós temos um pouco. Quanto a perder a cabeça: Esta já a perdi faz tempo!..

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tadeu

Cruzei na rua ontem, por Tadeu Manssus sem que ele percebesse minha presença. Caminhava firme, com passos largos e elegantes como os de um atleta. Magro, cabelos brancos e sem aparência de doente. Tadeu e o segundo filho de um grupo de oito irmãos, cujo alguns mais jovens já se foram. Disse-me certa vez que seu segredo de longevidade era, não trabalhar, comer pouco, caminhar muito e fazer sexo quando o corpo pedir e o outro aceitar.

O menino e a ambulância

A ambulância deslocou-se rápido a o local do acidente. Quando chegou com a sirene meio falha, o menino assustado, disse a sua mãe que a ambulância estava doente. Todos então, riram enquanto atendíamos o homem atropelado!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Laços!

Ando com saudades de muitas coisas; Do peixe assado do Beto, da galinhada noturna na casa de dona Rita, das balistecas e foundes na Teresinha, das comidas diferentes do Rogério, dos papos cabeça de madrugada com a Alba, dos planos de viagem com a Jacque que nunca saíram, das bebidas misturadas da Didi, do papo simples e engraçado com o Abdil regado a vinho barato, dos churrascos em familia na casa da Borba, dos resmungos do Fernando, das gargalhadas do meu filho na seção de humor à tarde na tv, dos pagodes empolgados na casa da Taís. Muita gente não tenho visto por desculpas da falta de tempo, do excesso de trabalho, do cansaço diário. Nenhum motivo deve impedir que se mantenha esses laços tão importantes e fundamentais em nossa vida, vivos.

A escolha certa!

Pela manhã, não foi o relógio biológico que me despertou, mas o telefone celular que mostrava em seu visor a palavra "Privado"e a fréstinha da janela do quarto que prenunciava um belo dia de sol. Mesmo desconfiando de quem pudesse ser a ligação, atendi sem restrições. Estava certo! Era do meu serviço, convidando-me para fazer um plantão extra, o que me recusei por que ja estou no limite de cotas deste mês e também o excesso de plantão extras só me deixa cansado além da conta e engorda os cofres da receita federal. Então tomei meu banho, adiantei meu almoço e fui caminhar na praça. Levei minha agenda de anotações que nem abri e uma esteira onde acomodei-me sob a sombra de uma enorme Paineira de caule grosso e galhos espaçosos que serviam de palco para a fuzarca dos passarinhos. A grama estava aparada e podia-se sentir o cheiro de terra úmida saindo do chão. O sol entrava manso entre as folhas das arvores completando o clima perfeito. Um reduzido numero de pessoas caminhavam por ali naquela hora e isto me provocava a sensação de estar em outro mundo, que me trazia extremo conforto e bem estar. O ruido de alguns veículos que passavam eram tão ínfimos que eu podia contemplar ali, relaxado, toda a sinfonia da natureza à minha disposição, cercando-me por todos os lados. A natureza certamente sobrepõe-se sem limites a tudo e a todos sem exceção. Voltei para casa certo de que hoje, fiz a escolha certa.
Voce está convidado á conhece-la!

domingo, 6 de julho de 2008

O menino sem dente

O menino cruzou por mim com um olhar firme, decidido e um dente protegido numa das mãos estendida. Disse-me que jogaria sobre o telhado para que Deus lhe mandasse um outro bem depressa. Lembrei de imediato que eu também fazia isto quando era criança.

Jesus de resina

Ainda menino, ganhei de minha avó a imagem de Jesus Cristo em resina amarela, do qual muito orei até ficar adulto e achar que não precisava mais dele. Mais tarde dei-o de presente para minha mãe que o colocou em seu santuário. Minha mãe deu-o para meu filho, que deixou-o em seu quarto e não sei o que fará depois...

O filhote

A mulher se apaixonou imediatamente quando viu o filhote deitado entre as coxas quentes de sua mãe numa exposição canina no chopin . Pelos dourados, perninhas curtas, rabinho cotó e aqueles olhinhos marotos, curiosos que pareciam de uma criança inocente! Quis abraço-lo e beija-lo, era o filho que não conseguiu ter. O marido puxou-a pelo braço dizendo entre dentes: Nem pensar!..

sábado, 5 de julho de 2008

O casal Gay

Eu estava sentado no Café do chopin, quando os dois passaram, um com o braço sobre o ombro do outro, mostrando sem nenhum pudor uma relação que sugeria ser mais que uma simples amizade. Desviavam das as pessoas, livres, sem se separarem fisicamente um do outro, despreocupados, despojados, admirando as vitrinas iluminadas sem aquela afetação que se espera dos gays. Não pude deixar de perceber também o sobressalto discreto dos freqüentadores educados que desviavam seus olhares na direção dos dois, sob o conhecido sorrisinho mascarado do preconceito. O vigilante parado de pé próximo da escadaria, até passou disfarçadamente a mão em seu pênis, enquanto esboçava um ar de desaprovação, reforçando para si mesmo sua masculidade. Neste sábado, mais do que tomar uma taça de café expresso, na praça de alimentação do chopin, recebi uma lição rápida e um grande aprendizado, onde percebi todas as nuances cínicas de comportamento moral de uma sociedade hipócrita e escrupulosa, que finge ser moderna somente da boca para fora, que ainda engatinham na sua educada ignorância. Quanto a o casal gay? Só me restou aplaudi-los.
Leia também neste blog: *Exotismo e Obscuridade

Salvador


Salvador então perplexo com todos aqueles sentimentos, buscou sua pedra mágica e colocou-a na altura dos olhos para que lhe desse respostas, lhe indicasse caminhos. Procurava um sinal, um reflexo de luz diferente que lhe tirasse a dúvida, lhe convencesse da verdade, do caminho a seguir. Olhou então para o quadro onde o homem saia do ovo-placenta cinza e ainda assim não viu respostas. Resignado e em silencio, pensou que nem todo o dia era dia de magia. Guardou sua pedra e recolheu-se sob as cobertas quentes de sua cama e a ignorância de um mortal.

Salvador e a pedra

Salvador ganhou da bruxa sua pedra mágica quando ainda era pequeno. No principio não sabia o que fazer com ela, apenas admirava seu brilho, sua cor de um azul incomparável, sua textura lisa, sua resistência frágil, mas aos poucos foi percebendo que o brilho da pedra se modificava quando algo lhe atormentava, quando alguma dúvida lhe açoitava a mente. Ainda duvidoso de seus poderes, guardava-a numa gaveta e vivia sua vida aos tropeços, ora insatisfeito, ora feliz, ora resignado...

Salvador e o sonho

Salvador adormeceu e sonhou que tinha em suas mãos um ovo de galinha do qual quebrava dentro de uma tigela de barro. Sabia que não gostava de ter sonhos, por que estes lhe transportavam para mundos distantes e incomuns, onde era outra pessoa, com novas verdades, outros poderes, outra aparência, forte, sem medos, corajoso, viril, capaz de assumir lutas onde sempre saia-se vencedor. Na cama se agitava violentamente tentando retroceder do sonho, impedir a divisão dos dois seres, um que dormia ali e flutuava abandonando o corpo, que navegava em fantasias mágicas e o outro, que ficava preso ao corpo observando tudo em volta sem muitas vezes ter o que fazer. Tentava acordar-se buscando lembranças do mundo real.
Fazia uma força descomunal, até sentir sua matéria tremer para retornar a o consciente, acordar. Algumas vezes até conseguia. No outro dia, quando despertou, ainda cansado, lembrou assustado daquela luta e de suas aventuras no outro mundo, temendo chegar o momento que não mais pudesse retornar a sua vida imperfeita...

Salvador e a bruxa

A bruxa buscava Salvador, quando este dormia, cansado, quase hipnotizado das rotinas de seus dias normais. Esperava o estagio certo de sua entrega ao sono e então invadia-o sem permissão, induzindo-o a sonhos estranhos, dividindo-o em dois seres; O que segurava sua mão para passeios mágicos e o que ficava na espreita cuidando para que o corpo não se fosse. Voavam sobre telhados e causavam transformações, assumiam lutas e desvendavam mistérios incompreensíveis. Ela sabia que ele era um dos escolhidos e precisava inicia-lo mesmo sabendo de sua resistência, de seu apego as situações comuns de sua paralela vida. Um dia, presenteou-o com uma pedra azul, que dizia ser magia, incomum, oferecida exclusivamente para ele, que era também incomum, na esperança de conduzi-lo a o que ela achava ser inevitável...

A maré

O mar invadiu de repente o calçadão decorado, onde as pessoas caminhavam e dali podiam admirar toda a sua grandeza, o seu poder e beleza. Corroeu por baixo, formando crateras, túneis, expondo raízes; Lambeu por cima roubando os ladrilhos portugueses que enfeitavam o passeio, manchando muros, arrancando flores, arrebentando degraus. Num dia beleza e no outro total destruição. As pessoas atônitas, e com supostas respostas, foram embora arriscando motivos para todo aquele estrago impiedoso.

*Calçadão da praia de Caiobá-PR

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Rosito

Rosito era irmão de Joca, marido de Marta, pai de Januaria e morava na Cidade Baixa. Era Jornalista e deficiente físico desde que nasceu. Veraneava no Siriú e cantarolava Caetano Velososo e Tom Zé enquanto molhava os pés na espuma do mar. Disse-me uma vez que sua deficiência incomodava as pessoas por que sua postura dava a impressão de que estava embriagado. Pessoa sensível, culta e sofrida. Tivemos uma amizade intensa e rápida por que nossas vidas mudaram de curso. Muitos anos depois, quando entrei na UTI do Pronto Socorro onde trabalho, encontrei-o deitada em uma cama, com aparelhos na boca. A enfermeira disse-me que tinha sido atropelado. Dias depois quando retornei à UTI, encontrei sua cama ocupada por outro paciente.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Namoro e promessas

Algumas vezes eu ia até o Escaler do Toninho beber alguma coisa e ver pessoas. Conhecia Lauro e Elen de lá:
Lauro que era arquiteto conheceu Elen que era psicóloga, no circo "Escaler Voador". Ele usava batas largas de algodão crú e ela saias compridas de crepe indiano. Namoram-se e apaixoram-se. Lauro prometeu construir uma bela casa para eles. Elen prometeu cura-lo desta doença.

Feitiço

Alguns dias pela manhã tem sido assim: Levantar cedo por força do habito, banho quente, café preto passado direto na caneca, pãozinho francês aquecido no microondas, notbook sobre a mesa da cozinha. Tem dias que amanhece com sol e outros meio nublado, então corro até o quarto para cobri-la melhor, observar seu descanso a distancia, seu sono profundo. Não quero acorda-la, somente observar-la sem fazer ruídos, como um bruxo que rouba traços da alma sem querer mostrar-se.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Maria Conceição

Quando Conceição se turbinava fumando seus (baseados), despia-se por completo ignorando eu e o resto dos moradores. Caminhava pela república completamente solta, nua e despreocupada com quem estivesse a sua volta. Os garotos que moravam nas redondezas competiam entre si, esperando vê-la passar por traz das largas janelas de madeira enquanto cantarolava musicas de Janis Joplin. Conceição namorou Carlos, depois Lídio. Foi mais tarde fazer medicina numa cidade do interior e nunca mais a vi.

Marisa

Marisa e eu desempregados, passávamos as noites inteiras comendo polenta com caldo Knnor e café preto. Falávamos sobre nossas decepções amorosas, nossos medos e fragilidades. As vezes nem dormíamos. Fazíamos de nossos encontros uma psicoterapia de queixas, silencio, gargalhadas e leitura de cartas um dia recebida, um dia escrita e nunca enviadas. Foram dias de tristeza e pobreza passados juntos, ancorados em uma forte amizade e superados pelo tempo. Hoje quando nos encontramos na rua ou na internet, lembramos com certa saudades esses tempos difíceis, mas vividos com intensidade e sentidos como vitória.

terça-feira, 1 de julho de 2008

As rosas

Enquanto ela caminhava pelos corredores do supermercado, eu corri até a floricultura e encomendei rosas. Escolhi as mais belas e diferentes do balcão. Disfarçava de vez em quando para que ela não percebesse minha intenção. Quando as entreguei notei lágrimas de felicidade em seus olhos. Os clientes que passavam surpreendiam-se com as lágrimas e as rosas lilases nunca vistas antes.

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