sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quem diz o que quer, ouve o que não quer!

Ontem quando entrava na sala de emergência cirúrgica para deixar um paciente, percebi que duas colegas de trabalho, ja em fase de aposentadoria, que vinham em minha direção comentavam alguma coisa sobre mim, até por que não fizeram questão de esconder, e eu fixei os olhos sobre elas dando a entender que eu havia percebido que falavam de mim. Então uma delas em atitude corajosa me disse:
_Eu estava falando pra ela, que tu parece uma bixa velha com este rabinho. (referia-se ao meu cabelo preso por um elástico) E ainda gordo deste jeito!..
Eu na hora, pretendia responde-la com qualquer coisa mais ofensiva que me viesse a cabeça, mas foi tudo tão rápido e envolvido naquele clima de cinismo e bedoche que não foi posivel evitar o constrangimento, o destemperamento e a raiva que me avermelhou a face.
_Pois é, parece que quando vamos ficando mais velhos, vamos também perdemos a noção do ridículo, seja pela nossa aparência ou pelo que falamos para os outros sem o mínimo respeito. É a velhice!.._ respondi-lhe saindo.
Acho que ela entendeu embora eu quisesse falar mais!

O que é isto companheiro?

Hoje acordei com uma pequena indisposição emocional mesmo com o sol convidativo brilhando lá fora e invadindo minhas janelas. Desde que cheguei de viagem minha casa está uma bagunça generalizada e não consigo cavar ânimo para coloca-la em dia. Tenho me perguntado o por que de tudo isto se sou uma pessoa organizada e potencialmente FELIZ!!!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Se cada dia cai

"Se cada dia cai dentro de cada noite, há um poço onde a claridade está presa.
Há que sentar-se a beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência."
Pablo Neruda .

Fonte: Marcador de pagina de couro de minha amiga, esquecido sobre a mesa.

Personalidade e criatividade

Este é o Richard, um cara que conheci na viagem para Buenos Aires e que parece ter dois metros de altura, cara de soldado romano e a alegria de um garoto de 16 anos. Estuda Publicidade e se veste de forma criativa. Chamou-me a atenção os seus tênis pintados por ele mesmo com muita criatividade. Alias, ele se veste todo com muita personalidade e criatividade. Comprou um capacete de gerra num brechó e uma gigantesca bandeira rasgada de um morador de rua na cidade portenha!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

MAR DE ANTOFAGASTA

Quando viajamos, lembramos de algumas pessoas especiais, que gostaríamos de estar conosco naquele lugar, curtindo o ambiente, as outras pessoas, as novidades que descobrimos, isto é inevitável. Queremos que elas compartilhem conosco as vivências agradáveis que estamos experimentando, lembramos de algumas conversas que tivemos com elas e que ficam registradas dentro de nós. Em Antofagasta, de frente para o mar, lembrei de Lucia me falando de seu desejo de sentar numa cadeira de praia, os pés na areia granulada, olhando para o Pacífico até a linha do horizonte. Quando molhei meus pés na água gelada, lembrando de suas palavras, pensei em silencio estar lhe prestando uma homenagem, mesmo ela não estando mais entre nós.

Conheci o mar de Antofagasta no caminho para San Pedro do Atacama, não a cidade Antofagasta propriamente dita, (que dizem ser uma grande metrópole), mas o que vi, já dava para se encantar com a beleza selvagem deste lugar magnifico, composta de pedras vulcânicas, areia grossa, conchas  gigantescas e pedaços de corais espalhados entre as pedras.



Não me atrevi a tomar banho no mar, pois não queria me arriscar a ficar horas dentro do ônibus com o corpo salgado, mas mergulhei os pés na água para sentir sua temperatura. Gelada!.. O mais incrível deste lugar é que de um lado você se encanta com o mar batendo nas pedras e do outro a paisagem solitária e inóspita do deserto. Paramos por uma hora para descansarmos e depois seguimos viagem em direção a imensidão do deserto pela Pan-americana, com a intenção de fazer mais algumas paradas no deserto para admira-lo.




ORIGEM DO NOME:
Antofagasta está localizada no norte do Chile e é conhecida popularmente no país como a Pérola do Norte. Há uma série de teorias para explicar a origem de seu nome, porem sem apresentar um consenso claro a respeito. Entre as diversas teorias eu particularmente acredito na composição quechua onde anta (significa cobre) e pakai, que significa (esconderijo) a junção dos nomes mais tarde traduziu-se em Esconderijo de Cobre, já que historicamente Antofagasta teve sua economia baseada na produção industrial e a exploração de minerais onde o cobre era  a principal atração.

Doce sabor de voltar

Estou em casa preparando o meu almoço, arroz com linguiça e lembrando que alguns dias atrás, sentia muitas saudades da minha comida, do meu café, da minha cama, do meu banheiro, de toda a minha casa. As palavras cantada por Elba nunca fizeram tanto sentido quanto agora, neste momento: "Estou de volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade. Querendo um sorriso sincero um abraço, pra aliviar meu cansaço e toda esta minha vontade..." Faz sentindo a musica, pois é sempre bom retornar pra casa, depois de uma viagem, caso contrario, acho que não agregaria a importância necessária a nossa vida. Que bom retornar pra junto de amigos, da família que dividimos experiências, sonhos, verdades, mentiras. Que bom voltar a cruzar por ruas conhecidas, deitar em nossa cama e sentir nosso próprio cheiro, sem presa pra levantar. O voltar dá um sentido de missão cumprida, um gosto doce as nossa aventuras!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CEMITÉRIO DA RECOLETA, UMA ARTE A CÉU ABERTO




Visitar cemitérios pode parecer algum tipo de sentimento mórbido ou de quem não tem mais nada a fazer na vida, mas não para mim que busco nestes lugares a beleza arquitetônica de alguns jazigos, a época em que foram construídos, a paz causada pelo silencio característico destes lugares e algumas historias como por exemplo sobre quem ocupa aquelas tumbas.
Dia 17, enquanto caminhava pelos corredores do cemitério da Recoleta, bairro elegante e reduto da antiga aristocracia portenha em Buenos Aires, me perdi entre os estreitos passeios, admirando os enormes anjos esculpidos em pedra ou bronze. Algumas sepulturas em mal estado de conservação, outros de uma beleza inigualável.


O cemitério da Recoleta é uma dos mais visitados do mundo e suas tumbas guardam os restos mortais de famílias tradicionais, além de grandes personalidades históricas como Evita Perón e outras mistificadas como Liliana Crociati, morta por uma avalanche na Áustria em 1970, onde passava lua de mel.
Além da beleza do lugar, outra coisa que me chamou a atenção é a forma com que as pessoas são sepultadas em seus mausoléus. Elas não são enterradas como costumamos fazer por aqui no Brasil, o caixão é simplesmente colocado em local de destaque, ficando visível a quem passa diante dos mausoléus.


Este sepulcro que fotografei sem nenhuma proteção de vidro,  a o contrario da maioria, estava como se pode ver na foto, completamente aberto, causando aos turista que passeavam no local, um ar, eu diria, de surpresa!..
Taquicardia e frio na espinha à parte e deixando de lado o preconceito e a superstição, encontramos neste cemitério, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze que são verdadeiras obras de arte. Um verdadeiro acervo escultório e arquitetônico a céu aberto dignos de admiração e reconhecimento cultural.

SÃO PEDRO DO ATACAMA. PARTE 1

A ESCULTURA DE UMA MÃO NO DESERTO:
Depois de muitas horas olhando pela janela do ônibus, vendo areia, pedras, cactos gigantes e plantas espinhosas, alguém gritou: Olha a mão, olha a mão!.; Então o motorista fez algumas manobras com o ônibus e paramos para fotografar a grande mão feita em concreto, enterrada no chão, no meio do nada, parecendo um gigante enterrado no vazio do deserto.
Neste momento, tivemos o prazer de conhecer também Eduardo Prata, engenheiro portuário que aos 50 anos decidiu que faria viagens de motocicleta sem nunca ter pilotado uma antes. Treinou durante seis meses e partiu para o mundo. Nos confidenciou que sua próxima viagem é conhecer a Ásia (de moto é claro). Prata deu uma entrevista no programa do Jô Soares e possui um site que conta sobre as suas viagens:http://www.eduardoprata.com.br/
Ficamos algumas horas por ali, brincando e tirando fotografias, depois seguimos viagem cruzando a noite a dentro pelo deserto atacamenho, chegamos em São Pedro do Atacama pela manhã bem cedo, ainda sem clarear o dia. Não sei precisar quantas horas de viagem levou...



UM VILAREJO DE FILME DE COWBOY MEXICANO?
São Pedro lembra aqueles vilarejos de filmes de cowboy mexicano, com construções baixas, de paredes e telhados de adobe, ruas estreitas e muita poeira vermelha, dando a impressão de que a qualquer momento um pistoleiro saltará de alguma esquina com arma em punho. Mas não se engane na primeira vista; existe uma variedade de bares, pubs, restaurantes, pousadas, lojas de artesanato para atrair todo o tipo de turista.


Afinal a cidade vive disto. Se durante o dia o calor aproxima-se dos 40 graus, à noite cai para temperaturas quase negativas.
Em torno das 8 horas da manhã já havia movimentação de moradores locais deslocando-se para o trabalho e em seguida iniciamos a incursão pelo centro da cidade, com a bela visão do vulcão Licancabur de 5.916 metros de altitude do nosso lado, cujo nome significa, vulcão do povo e faz divisa com a Bolívia. 


SÃO PEDRO DO ATACAMA:
É uma cidadezinha considerada o centro cultural atacamenho e portanto precisávamos descobri-la. Batemos perna quase que a manhã toda entre lojinhas de artesanato, prédios culturais e agencias de turismos que nos levassem a outros pontos turísticos do lugar. 


Depois do almoço fomos à pé, conhecer o Pukara de Quitor à 3 quilômetros do centro da cidade e que é considerado um dos sítios arqueológicos mais impressionantes das Américas, por seu tamanho e antiguidade. Seguimos por uma estrada onde notamos o escoamento de água por canaletas que abastecem a cidade. Esta água escorre do desgelo das montanhas por quilômetros de distancia. Depois de caminharmos por uma estrada poeirenta e muito sol na cabeça, chegamos ao Pukara de Quitor.

O PUKARA DE QUITOR:
É uma gigantesca fortaleza pré-Inca, datada do século XII, e foram construídas estrategicamente nas encostas dos morros e totalizam 2,5 hectares com mais de 160 cômodos, para defender o povo atacamenho dos ataques dos Incas, em 1450. Depois de ocupado, foi a vez dos Incas defenderem-se contra os espanhóis nesta mesma fortaleza ocupada. Na entrada da fortaleza tem um posto de controle que vende ingressos para a visitação e um pequeno museu com exposição de utensílios da época. Segundo informações do guia, o local ficou conhecido como "Pueblo de Las Cabezas, pois os espanhóis decepavam as cabeças dos caciques e exibiam-nas ao povo sobrevivente, a fim de mostrar sua soberania. No dia de nossa visita, fazia um calor de quase 40 graus, que nem o uso de protetor solar foi suficiente para nos proteger.


O retorno ao centro da cidade de São Pedro do Atacama, fizemos de carro, por que tem momentos em que 3 quilômetros parece ter mais 3 zeros.
Em San Pedro, fechamos o pacote turístico que nos prometeu levar no dia seguinte para conhecermos outros lugares nas imediações da cidade, que ficavam a cerca de 100 Km de distancia. Estava incluído neste pacote: Visita ao Gêiseres Del Tatio com café e bufê, trilha sobre o Vale da Morte e subida até o Valle de La Luna para assistir a o Pôr do Sol. Como estávamos num grupo grande, conseguimos um bom desconto.

UMA NOITE DIFÍCIL:
Como a saída para o passeio era bem cedo, quase na madrugada, resolvemos por votação ficarmos na rua e aguardarmos o horário sem ter de pagar um pernoite por poucas horas de sono. "Ledo engano", percebemos nesta noite, como uma cama macia fazia falta!..
Nos organizamos num único grupo e nos acomodamos entre bancos e muretas do jardim, no local que era a unica praça da cidade, arborizada. "Nossa primeira experiencia como moradores de rua". Disse uma das meninas integrantes do grupo.


A POLICIA CHILENA:
Fizemos uma roda de viola e na medida em que a noite atravessava a madrugada a cantoria e o bate papo foi diminuindo e o frio congelando os nossos corpos dificultando o sono. Eramos acordados pela polícia local, os carabineiros, a cada hora e que me lembravam a mistura de policiais florestais e os de um presídio de segurança máxima. Se comunicavam num espanhol rápido e agressivo, impondo mais medo do que respeito. Pediam que nos levantássemos e examinavam nossos pertences a procura de coisas ilícitas, com uma lanterna na mão. Os carabineiros do Chile atuam como policiais. A diferença da policia de lá, para a policia de cá, é que eles tem autoridade para resolver qualquer tipo de problema. Estão sempre em ponto estratégicos e são muito respeitados por isso no país. Quando menos se esperava eles apareciam de carro, praça à dentro em alta velocidade, quase derrapando na nossa frente e armados com pistolas, acordando o grupo inteiro. Faziam uma espécie de pressão psicológica meio cinematográfica. Vigiavam até se as pessoas que passavam por ali, carregavam bebidas alcoólicas, o que é terminantemente proibido nas ruas depois da meia noite, mesmo estando a bebida lacrada (mandavam colocar fora).
Em torno das 5 h da manhã, nos dirigimos ao local onde sairiam as Vans que nos levariam a o passeio esperado. Eu particularmente estava cansado por não ter dormido, sentindo frio por ter sido acordado pela ronda dos carabineiros a toda hora.

GÊISERES DEL TATIO:
As Vans eram todas brancas e sem identificação de que agencia pertenciam. As diversas agencias de turismo da cidade ofereciam pacotes e davam descontos no caso de um grupo grande como o nosso que encheu uma Van e um micro ônibus.
Nosso motorista era visivelmente um chileno nato, pelos seus traços rudes de (indígena) e de um espanhol despreocupado em ser entendido. Falava pouco e meio autoritário, dirigia a camionete em alta velocidade sobre as estradas de chão, com muita areia e pedregulhos que saltavam na lataria do veiculo e pó que invadiam as nossas narinas mesmo com as janelas fechadas. 
Subíamos montanhas à cima e em alguns pontos enxergávamos penhascos abaixo de nós que me fazia pensar: Se cairmos daqui, não sobrará nada pra contar desta história!..
Na medida em que cruzávamos pelo alto das montanhas, mais desconfortável eu ficava. Além daquela poeira terrível que entrava pelos orifícios de ventilação do veiculo, ia me faltando a respiração de modo que eu inspirava forçadamente três à quatro vezes para conseguir um pouco de oxigênio em meus pulmões. Ficava angustiado, irritado e lembrando de alguns pacientes que eu já atendera na eminencia de morte, por edema pulmonar e que possivelmente apresentavam os mesmo sintomas que eu estava sofrendo naquele momento. Tentava não fazer alarde e posicionar a cabeça de forma a favorecer a respiração difícil. Eu sabia que era efeito da altitude e mesmo tendo tomado o tal chá de coca, pouca coisa pareceu ter ajudado naquele momento. Ter a sensação de morte por asfixia não é nem de longe algo fácil. Sentia alem de tudo, taquicardia, cansaço e um total desânimo.


Quando chegamos no local dos gêiseres, no VULCÃO TATIO a uma altitude superior a 4.000 m., ainda com pouca luz do dia, enxerguei os vapores saindo da terra como uma visão inesquecível e aos poucos fui me recuperando daquela sensação de morte. Dentro do veiculo eu e algumas pessoas, tentavam de alguma forma se restabelecer do mal estar das alturas, afinal estávamos a uma altitude de 4 .500 metros e não queríamos provocar susto em ninguém, pelo nosso estado deplorável.


Faz bastante frio no complexo do Tatio, onde as temperaturas chegam a ser muito negativas. Informaram-nos neste dia estar apenas -3 graus com uma sensação de -6 graus e com as rajadas de vento. Não é à toa que o passeio começa tão cedo, pois é o horário em que os vapores quentes em contato com a temperatura baixa, mostra toda a sua plenitude e beleza e quando surgem os primeiros raios de sol, a luz reflete no vapor, formando imagens mais bonitas ainda. Ao mesmo tempo, o sol diminui o frio e logo a temperatura já se torna mais agradável.


Os mais jovens e corajosos do grupo enfrentaram a piscina térmica natural, com águas inacreditavelmente à 33 graus. Eu não me senti encorajado e por pouco passou desapercebido o café com pães, biscoitos, croissãs e sucos servido ali mesmo em meio aos gêiseres. Neste dia eu senti que iria morrer antes de chegar lá em cima, num dos lugares mais belos que já vi.


Mas o passeio não terminou por aqui, depois de mais algumas doses de café quente e aguardar o dia clarear, fomos conhecer o valle de la Muerte e o valle de La Luna que se tornaram um dos pontos atrativos mais bonitos do passeio.




VALLE DE LA MUERTE:
Batizado com este nome, segundo a lenda que antigamente as pessoas morriam ao tentar cruzá-lo e ossos de pessoas e animais eram encontrados e confundidos com pedaços naturais de gesso. Outra lenda, diz que quando foi descoberto era comparado a Marte e por uma confusão de fonemas, pensaram que a palavra Marte, era Morte. Tal como determina a secura do Deserto do Atacama, ninguém pode viver neste vale. O Valle de la Muerte é um festival de cores e uma eterna mudança de formas. Com cerca de 2 km de extensão, fica no caminho para o Vale da Lua, próximo à cidade de San Pedro de Atacama, à 4 km do centro.


A CARRANCA NO ALTO DA MONTANHA:
Na foto abaixo, percebemos no alto da montanha, uma formação parecendo com uma carranca vigiando do alto, quem passasse pelo vale. Estas esculturas naturais se formam à partir de ventos que mudam de direção a todo o momento na região, causando um clima ainda mais mistico a o lugar. Seguimos viagem a pé, sem sentir cansaço, a paisagem era de tamanha beleza que esquecíamos inclusive da falta de folego ocasionada pela altitude. Chegamos então ao Vale de La Luna.


VALLE DE LA LUNA:
Este vale é famoso por sua formação ser parecida com a superfície lunar, devido os afloramentos salinos ocasionados por agentes naturais. Dizem que durante à noite, ouve-se estalos como se o solo estivesse se quebrando em função de sua excessiva cristalização. Eu cheguei a passar a mão no chão e levar até a boca, para me certificar se era realmente salgado; pois acreditem, realmente é. Mais adiante uma outra formação rochosa, nos chamou a atenção.



AS TRÊS MARIAS:
Trata-se de uma formação rochosa que se ergue da superfície salgada, numa exótica escultura natural. Não sei por que recebe este nome, pois nem de perto me fez lembrar de mulheres ou santas.

O PÔR DO SOL:
Avistamos nas proximidades, muitas vicunhas e pássaros, que eu me perguntava do que se alimentavam, naquele imenso deserto salgado. As vicunhas são animais selvagens e saiam em disparada à qualquer aproximação humana. Fomos deixados pelas Vans na base de uma montanha de areia onde deveríamos subir e aguardar o espetáculo do Pôr do Sol.


A subida era íngreme e castigava a todos por causa do ar rarefeito. A região toda se caracteriza por seu ar límpido e seco, permitindo ver o outro extremo da grande planice a mais 70 quilômetros de distancia. A sensação é de estar num outro planeta.


O Pôr do Sol sobre as montanhas do deserto, é um show de luzes e cores jamais visto e tem-se a impressão de estarmos assistindo um eclipse. Saímos de lá deslumbrados com tamanha beleza. Este com certeza é um dos lugares que jamais esqueceremos por sua grandiosidade e extrema beleza. 
Até a próxima viagem..,

HOMENAGENS AOS MORTOS NO DESERTO DO ATACAMA.


O bom de se fazer uma viagem de ônibus e não de avião a estes lugares inóspitos, como o Deserto do Atacama é que você pode ir parando e desfrutando de toda a beleza do lugar, que vai se modificando na medida  que se observa detalhadamente cada detalhe. Enquanto cruzávamos pela região mais árida do planeta, eu observava pela janela do ônibus algo que aguçou minha curiosidade a ponto de pedir ao Ton, coordenador da excursão, que parássemos de andar, para que eu pudesse ver de perto do que realmente se tratava aquilo.
Eram miniaturas de casas e até  vilarejos com muitas casinhas coloridos, construídos na beira da estrada ou em pontos estratégicos sobre o terreno íngrime e acidentado do deserto. Eram muitas, na beira da estrada com algumas inscrições em espanhol, (adornos, cruzes, flores de plástico, bilhetes, fotografias, utensílios empoeirados), dando a impressão de se tratar de alguma espécie de sepultura ou oferendas aos mortos.


Fotografamos várias e mais adiante, quando paramos, talvez no único posto de abastecimento no meio do nada para o famoso esvaziamento da bexiga, lancharmos o estranho sanduíche de pão, carne e guacamole (pasta de abacate) e esticarmos as pernas, perguntamos para uma senhora que atendia no balcão, do que se tratava aquelas casinhas na estrada. Na minha dificuldade de entender o espanhol e a rapidez com que ela falava, pude compreender apenas que eram homenagens dos moradores locais aos seus mortos. Estávamos certos eu concluí!

Não pude entender, pela rapidez com que falava, se estavam sepultados ali, mas aquilo tudo me causava uma estranha sensação de angustia, tristeza e surpresa pela forma como eternizavam as lembranças de quem tinha partido. O Ton nos alertou para uma coisa que não havíamos até então pensado. Aquele lugar era tão distante de tudo e de recursos como um hospital e principalmente de um cemitérios, que por que não utilizar todo aquele espaço para isto e assim deixar seus mortos por perto.



O lugar era tão desértico, que parecia inacreditável alguém conseguir viver por lá, cercado por tanta areia e pedras. Dava a impressão de estarmos numa cidadezinha fantasma de um filme de faroeste.
Lembro-me de alguém ter comentado: - Mas que lugar mais punk!
O deserto possui suas belezas peculiares e a o contrario do que se pensa, ele vai sutilmente mudando de paisagem, sob o clima quente e seco na medida em que a gente vai observando-o atentamente. Em alguns pontos é aquela infinita planice de areia, noutros composto de pedras soltas e alguns cactos de todos os tamanhos e plantas espinhentas, quase impossível de se caminhar. Também magnificas montanhas e abismos inacreditáveis. Mas seu aspecto rustico e selvagem nos presenteia com uma sensação jamais sentida antes.


O deserto de Atacama está localizado na região norte do Chile. Com cerca de 200Km de extensão, é considerado o deserto mais alto e mais árido do planeta, pois raramente chove na região, em consequência das correntes marítimas do Pacífico, que não conseguem passar para o deserto, por causa de sua altitude. Assim, quando se evaporam, as nuvens úmidas descarregam seu conteúdo antes de chegar ao deserto, podendo deixá-lo durante muito tempo sem chuva.
Isso o torna de uma aridez incrível. As temperaturas no deserto variam entre 40 graus de dia à 0 graus à noite. Em função destas condições existem poucas cidades e vilas por lá;  uma delas, muito conhecida, é São Pedro do Atacama, que seria nossa próxima parada e posto minha impressão: Aqui.  


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Casa Vazia

Fazia algum tempo que eu não cozinhava, então ontem, sob pequena presão e entusiasmo dos demais, me disponibilizei, dobrei as mangas e fui a luta com um de meus velhos cardápios guardados na cachola.
File de peixe, ovos batidos, farinha de rosca, tempero pronto, peixe no óleo quente, tomate, cebola, pimentão, creme de leite, queijo ralado em abundância sobre o molho, vinho tinto para estimular a conversa e em algumas horas estava pronto o banquete para 6 com direito a muitos elogios. Mais tarde uma esticadinha não planejada num bar de nome Alibaba-Bar quase vazio, mas que fez a alegria dos poucos presentes.
E quem disse que bar bom é casa cheia? Somente para alguns e o próprio dono. Sou do tipo individualista que gosta desta sensação de ter os músicos dando atenção somente para mim e alguns amigos à volta, na chamada intimidade musical. (Quando acontece, claro!) Hehehe!... Havia a mulher charmosa tocando pandeiro, o casal de idosos dançando num clima de paixão musicas eternzadas por Dolores Duran, Tom, Cartola e outros... Foi divertido!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval 2010 em Buenos Aires


Depois de 10 dias no Chile, retornei à Porto Alegre e no dia seguinte embarquei num outro onibus em direção à Buenos Aires, para passar o carnaval num clima portenho. Eu não sabia se tres dias seriam o suficiente para descobrir tudo que esta cidade tem para oferecer no que se refere a beleza, arte, modernidade, musicalidade, paixões, tango de rua, poesia, museus, arquitetura, brechós, feiras, San Telmo, Palermo, La Boca, Recoleta, visto que dois dias seriam gastos dentro do ônibus, mas vamos lá, a oportunidade estava diante de mim e eu estava cheio de expectativas!.. 
O grupo de excursão era bastante polivalente, além da companhia dos amigos: Alba, Cristina e Beto

SÁBADO:
Chegada no Hostel em San Telmo:
O Hostel (albergue) onde ficamos hospedados, servia o melhor café, (com frutas, sucos, pães e croassants) que eu já tinha experimentado desde que fui e retornei  do Chile e era localizado no centro da cidade, umas tres quadras da Casa Rosada, no bairro histórico e elegante de San Telmo e dele, ja dava pra se ter uma noção do que era a cidade e sua movimentação. As avenidas largas e de trafego intenso, com muitas pessoas na rua e manisfestações artisticas por todos os lados. Chegamos ao final da tarde de um Sábado, nos acomodamos e no outro dia pela manhã, visitamos a feira de San Telmo, evento imperdível e que acontece todos os domingos no Plaza Dorrego de San Telmo
 a poucas quadras de onde estávamos.


DOMINGO
Feira de San Telmo:
Nesta feira é possível encontrar de tudo que se possa imaginar, artesanato, comida, bebida, roupas, calçados, antiguidades, pinturas, gente de todos os cantos do mundo...(lembra o nosso de Brique da Redenção aqui em PoA, porém muitas vezes maior), com tango e atividades multiculturais por todos os lados. 


Aproveitamos para ver e experimentar tudo que era possível, como comer um sanduíche de pão francês com churrasco e molho apimentado, roscas e doces de sabores diferentes e dali visitar a Casa Rosada (Palácio do Governo), na famosa Praça de Maio onde acontece varias manifestações políticas sociais, a Catedral da cidade e outros prédios de arquiteturas belíssimas.



Bueno Aires é sem dúvidas uma grande metrópole e compara-la com as grandes cidades europeias, existe uma razões de ser. Com uma vida noturna muito intensa e sofisticada; cafés e restaurantes com gente elegante servidas em mesas na rua, por garçons de traje à rigor ou em sacadas de prédios antigos, centenários, é impossível não se sentir inspirado e acreditar que estamos em Paris.



Palermo, o bairro chic:
O dia passou rápido e a noite fomos conhecer Palermo, bairro chic e com todos os tipos de restaurantes para se apreciar uma boa comida. Nesta noite não tivemos muita sorte, pois a concorrência para se conseguir um lugar estava acirrada. Conseguimos depois de muito tempo, sentar e apreciar uma parrilhada de carnes que eu particularmente não gostei. Era feita com rins, testículo de boi e outras coisas estranhas que me deixaram desconfiado com a iguaria. Bebemos muita cerveja gelada e tarde da noite tomamos um táxi retornando para o hostel.

SEGUNDA-FEIRA:
Dia das compras:

No outro dia em torno das 10 horas, saímos para as compras. Depois de muitas voltas pelo centro da cidade e pegar o metrô, considerado o mais antigo da América Latina, de 1913, descer numa estação ali e pegar outro trem acolá..., e eu já completamente perdido, chegamos em San Martin, local onde os próprios argentinos costumam fazem suas compras por preços muito acessível ao bolso. Inacreditavelmente, estava tudo com preços de liquidação e minha comadre queimou inúmeras vezes seu limite de pêsos tendo que voltar à Casa de Câmbio pelo menos umas três vezes. 

Retornamos para o Hostel, novamente cansados de tanto perambular pelas lojas e Shoppings locais e cheios de sacolas.



Para quem aprecia Brechós, Buenos Aires é também a cidade ideal para isto. Lá eles chamam de Feira Americana. É possível encontrar roupas importadas e em excelente estado de conservação por preços inacreditáveis. Um dos colegas da excursão resgatou um sobretudo de lã inglesa, pela mixaria de R$ 15,00, numa dessas feiras.


De volta ao Hostel resolvemos fazer um lanche preparado por nós, do tipo rápido, acompanhado de vinho Chileno que comprei num mercadinho em frente e cujos os donos coreanos comunicavam-se em inglês. Que merda para pedir um pãozinho d´agua, para fazer um simples sanduíche, sem parecermos uns idiotas na frente do balcão. Não falávamos inglês, o espanhol péssimo e coreano então, estava fora de cogitação! Minha comadre ainda insistia na palavra casetinhoooo, pão d'aguaaaaa, sem que a mulher oriental entendesse absolutamente nada! Depois de muita confusão, mímicas e leituras labiais, conseguimos comprar o que queríamos. O vinho foi fácil, era só mostrar a garrafa no caixa e pagar! Compramos um Casillero Del Diablo que normalmente adquirimos aqui no Brasil à R$ 30,00, por R$ 9,00 na moeda brasileira. Depois demos muitas gargalhadas da confusão que armamos no mercadinho, apenas para comprar simples pãezinhos.



TERÇA-FEIRA:
Recoleta:

Pela manhã, pegamos um táxi e fomos até o Cemitério da Recoleta. De inicio, quando chegamos, chamou-nos a atenção a gigantesca arvore na praça em frente. Ela é simplesmente enorme e seus galhos são sustentados por estacas de ferro para mante-la frondosa e suportar seus enormes galhos. Sem isto, despencaria seus grossos galhos.




O Cemitério é uma verdadeira obra de arte a céu aberto e visita-lo pode parecer algum tipo de mórbidez, mas não este, que guarda tamanha beleza arquitetônica e histórica de seus jazigos. Enquanto eu caminhava pelos corredores do cemitério me perdi entre os estreitos passeios, admirando os enormes anjos esculpidos em pedra ou bronze. Algumas sepulturas em mal estado de conservação, outros de uma beleza inigualável.


O cemitério da Recoleta é uma dos mais visitados do mundo e suas tumbas guardam os restos mortais de famílias tradicionais, além de grandes personalidades históricas como Evita Perón (que havia fila para visitar e fotografar) e outras mistificadas como Liliana Crociati, morta por uma avalanche na Áustria em 1970, onde passava lua de mel.


Além da beleza do lugar, outra coisa que me chamou a atenção é a forma com que as pessoas foram sepultadas naqueles mausoléus. Elas não são enterradas como costumamos fazer por aqui, o caixão é simplesmente colocado em local de destaque, ficando visível a quem passa diante deles e para completar o panorama tétrico, existem vários gatos sobre os túmulos, observando quem passa. Dizem que esses gatos são moradores do cemitério e completam o clima mistico do lugar.


Este sepulcro que fotografei sem nenhuma proteção de vidro a o contrario da maioria, estava como podem ver aberto, causando aos turistas que passeavam no local, um ar, eu diria, de muita surpresa!..
Taquicardia e frio na espinha à parte e deixando de lado o preconceito e a superstição, encontramos neste cemitério, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze que são verdadeiras obras de arte. Um verdadeiro acervo escultório dignos de admiração e reconhecimento cultural.


La Boca o bairro boêmio:
Dali, fomos almoçar num restaurante do outro lado da rua, já era quase duas horas da tarde e decidimos por comer um verdadeiro churrasco portenho que ainda não havíamos experimentado. Comida boa, cara e o garçon simpático. Depois pegamos um taxi
em direção ao La Boca, onde fomos orientados pelo motorista a não nos afastarmos do circuito turístico do bairro, por ser considerado um lugar perigoso e marginalizado. O La Boca é considerado o bairro boêmio da cidade caracterizado pela simplicidade, alegria e arte. Arriscam-se alguns à dizer que por ali nasceu o tango da mesma forma que o samba, nas favelas e morros do Rio de Janeiro.



O La Boca, sem sombra de dúvidas, foi o lugar que mais chamou-me a atenção, por sua simplicidade, beleza e história. O bairro foi originalmente o local do primeiro porto de Buenos Aires. Seu nome se deve à existência do rio Riachuelo, que com uma grande boca desembocava no Rio da Prata. 



A região ao final do século XIX, recebeu um enorme contingente de imigrantes principalmente italianos que ali se instalaram e com poucos recursos financeiros, começaram a construir casas com chapas de zinco e madeira acima do solo para evitar as frequentes inundações que ocorriam na época e pintá-las com as sobras de tinta dos barcos que ancoravam no porto... As casas são pintadas de um  colorido forte que lhe conferem alegria e beleza reconhecidas em qualquer parte do mundo. As ruas são cheias de restaurantes, lojinhas de artesanato, museus, shows de ruas que confere ao lugar um charme todo especial. É também neste bairro que se encontra a sede do clube argentino La Bomboneira, que infelizmente não podemos visitar.


As horas foram passando e eu empolgado com tantas festas, feiras de artesanato, danças ao ar livre , museus para se apreciar, mas tínhamos de estar no Hostel às 16 horas para tomar o ônibus de volta ao Brasil. Na medida em que o tempo passava, corríamos para apreciar todos os detalhes que  talvez não tivéssemos apreciado com a devida atenção.
Buenos Aires é uma cidade imperdível de se conhecer. É necessário muito mais tempo para se explora-la e o La Boca, sem duvida é um dos lugares que mais me emocionou.
Até a próxima!

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