segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Politicamente correta?

Eu não acompanho as novelas das 18horas, das 19horas e também das 21horas, mas desde que comecei a pegar alguns pedaços de Passione, naqueles momentos que não se tem mais nada para ver na TV, algumas cenas do personagem Gerson, mostrando-se tenso, desesperado e cheio de culpas, tentando esconder um grande segredo, me chamou a atenção.
Eu poderia apostar que se tratava de um caso de pedofilia ou homossexualidade, só não sabia de que forma a Globo conduziria este assunto. Na verdade não conduziu. Resolveu criar desculpas esfarrapadas, ou melhor, fazer remendos que não convenceu nem a mãe do Badanha, quanto mais ao telespectador. A emissora sempre cuidadosa com assuntos polêmicos, preferiu como na maioria das vezes, posicionar-se em cima do muro e sair pela tangente. 
Será que alguém já esqueceu do beijo entre os personagens (Júnior), de Bruno Gagliasso, (e Zeca), Eron Cordeiro na novela América, tão esperado pelos telespectadores e que nunca aconteceu?

Vaga para heróis.

Ontem a tarde, durante o plantão, fui procurado por um jovem que me fez lembrar daqueles personagens de desenhos animados de ficção da TV. Ele vestia uma bermuda  verde  estilo militar, tenis e um cinto "mil utilidades" preso por  tiras no meio da coxa, lembrando do personagem Falcon, voces lembram? Até a barba era meio parecida.
O cara estava à minha procura, dizendo-se em busca de informações sobre cursos para trabalhar na area de emergencia e que um dia me encontrou na rua, durante um atendimento e que eu o havia prometido de lhe dar informações à respeito. Eu particularmente não lembrava disto, não lembrava nem mesmo dele com seus quase dois metros de altura e olhar de quem corre atraz de sonhos e emoções.
Enquanto converssavamos, percebí sua empolgação pelo tipo de trabalho que prestavamos e sua ansiedade em buscar informações sobre tudo, como nossa atuação, funcionamento geral do serviço e os equipamentos que compunham a ambulância. Dizia-se ter nascido para  isto, que considerava um trabalho  de muita adrenalina e que estava em busca destas emoções que lhe faziam bem, permitindo-o ser um ser humano melhor. Gostava de estar envolvido nestas situações de risco que envolvem pessoas quebradas, mutiladas e que dependiam de sua ação para sobreviverem, que se sentia desmotivado e acreditava ser este o seu  caminho.
Algumas pessoas como ele, me passam a sensação de ultrapassarem a barreira da realidade para uma ficção particular, buscando emoções pessoais como se a vida fosse um empolgante jogo de vídeo game, um Set de filmagens do Sylvester Stallone, em que no final tudo dá certo  conforme planejado sem ingratas surprezas e percalços. Parecem à procura de uma vaga de herói onde acreditam que atuarão com  a mais perfeita maestria, sem erros, dificuldades e impasses do sistema burocratico a que estamos submetidos. A realidade  me parece bem diferente do que ele sonhava e eu não quis ragar seus projetos e  lhe passei algumas informações que achei necessarias.

*base: local de onde saem as ambulancias para os atendimentos.

domingo, 28 de novembro de 2010

ÁREAS DE RISCO.

Lendo em algum blog, sobre  essas particularidades que encontramos em alguns lugares atingidos por acidentes naturais, lembrei de minha visita à Valparaíso no Chile e o quanto  me surpreendi com  algumas particularidades da cultura local. Alguns detalhes parecem surrealistas, como esta placa posicionada na beira da praia, no Pacifico e que seus frequentadores nem davam atenção. Parecia  tudo tão normal, que isto não os impediam de entrar na água gelada e tomarem seu banho na mais tranquila paz e alegria. Mas eu em particular, fiquei impressionado e temeroso.


Algumas semanas mais tarde quando já estava em  casa ocorreu o ultimo terremoto no Chile, onde um tsunami destruiu alguns lugares que visitei e pelo que soube, nada sobrou dos prédios construídos naquela costa marítima. O mesmo aconteceu quando estava num restaurante em Cusco no Peru e percebi este outro aviso, fixado sobre uma coluna reforçada que cruzava sobre  a minha cabeça, enquanto almoçava.

 

No nosso país, a paz com relação a  acidentes naturais, sempre reinou, embora não devemos  nos esquecer do furacão Catarina, secas no norte e nordeste, enchentes, e desmoronamentos  causados pelo excesso da chuvas responsabilizando o aquecimento global e o crescimento desenfreado das cidades; Mas agora, em particular no Rio de Janeiro, embora tudo que vem acontecendo nada tem haver  com acidentes naturais, é inacreditável vê-lo transformado numa praça de combate onde circulam tanques de guerra, policia armada, ambulâncias e o desespero dos moradores como é transmitido pela TV.
Quando falo em cultura, não me refiro a manifestações artísticas sociais, (como musica, teatro, dança, língua escrita, mitos, etc.), mas as situações que motivam alterações comportamentais por se tornarem tão comum a o dia à dia das pessoas, que passam a fazer parte da historia de um lugar e de seu povo, modificando de fato suas atitudes. Espero que as incidências geradas nesta ultima semana no Rio, não se transforme em algo cultural e mais tarde seja colocada alguma placa informando: "Atenção - área de risco - traficantes no local.". Ou já existe?...

Pequenas atitudes que fazem falta.

Depois que retornei da festa, tirei a roupa e sentei na cama, sentindo-me faltar algo. Após alguns minutos percebi do que se tratava. Na minha família, em particular alguns membros dela, tem o habito de quando um amigo, conhecido ou mesmo um parente retorna  para sua  casa, depois de uma visita,  ligar para ele a fim de constatar se ele chegou bem, sem nenhuma intercorrencia no trajeto. 
Esta atitude que sempre considerei uma forma não de preocupação, mas de atenção e carinho, às vezes sinto falta.

sábado, 27 de novembro de 2010

À espera de um milagre

Marcos e Preta são casados e donos da padaria onde circunstancialmente compro dois pães franceses, um para a tarde e o outro para o dia seguinte, antes de eu ir para o trabalho. 
Ele é quem faz os pães, enquanto ela atende no balcão. Os dois não devem passar dos trinta e cinco anos de idade e sonham com viagens assim que conseguirem estabelecerem-se. 
Estabelecerem-se para eles significa: Pagar as contas, adquirirem a casa própria, trocarem a moto por um carro, o filho único entrar para a escola e sobrar algum dinheiro, tempo e oportunidade.
Marcos me disse que nunca saiu do Estado e ela da cidade. Ele fica sentado numa cadeira branca na porta da padaria com o olhar distante para a avenida onde correm os carros, ela passando álcool gel na vitrine do balcão . 
Ele tem os olhos, expressivos, grandes e brilhantes, ela pequenos e rasgados.
Ela usa toquinha branca na cabeça e ele caneta atrás da orelha.
Eles esperam uma oportunidade, quando a vida arranjar tempo, esperam por um milagre!

Medida de segurança.

Tenho a sensação que sei mais dos outros do que de mim mesmo, daí chego a ideias conclusivas através de um perfil traçado por uma suposta leitura de olhar, uma observação detalhada de gestos, uma sincronia de palavras, uma particularidade qualquer de expressão que se difere do esperado, tornando tudo particularmente aceitável ou não. Esta forma de análise sempre me pareceu mais fácil, mais cómoda, menos trabalhosa, menos doloso quando direcionada aos outros e não a mim mesmo e daí  crio um paralelo de ideias, conceitos, um preconceito. Estou convencido de que esta atitude é inerente à todos as pessoas, a diferença se estabelece na forma com que trabalhamos e conduzimos isto.
Daniel, como se apresentou pra mim, surgiu da noite pro dia, como o mais novo morador da praça em frente da minha casa, chamando a atenção e preocupação dos moradores que a utilizam-na em caminhadas pela manhã e fins de tarde. Sua presença causava não medo, mas o desconforto que se estabelece entre as pessoas que se mantém guarnecidas em sua zona de conforto moral e tem a preocupação  de que nada abale esta falsa segurança. 
Ficava sentado sobre a grama ou debaixo de alguma árvore entre sua infinidade de tralhas pessoais. Não incomodava ninguém, não dirigia a palavra à ninguém a menos que fosse solicitado. Seu olhar parecia propositalmente distante como se não houvesse ninguém à sua volta e  uma certa altivez mostrando-se despreocupado com olhares curiosos ao seu visível desleixo pessoal. Alimentava-se de bolachas e fatias de pão oferecida por vizinhos e até café que numa noite eu levei para aquecer-lo do frio. 
Noutra noite observei da minha janela, o carro da polícia estacionado sobre as dependências da praça e logo lembrei-me de Daniel. Dias depois, fui  informado que tinha sido afugentado, por que um morador preocupado  o denunciou à polícia, temendo por sua segurança.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Depois da tempestade a bonanza

Depois de ter ido para o trabalho de cabeça virada, (força de expressão), voltei para casa meio instrospectivo; Digo "meio" por que há momentos em que uma palavra inteira, não consegue definir adequadamente nossos mais simples ou complexos sentimentos. O dia cinzento e chuvoso de ontem, aliado a pequenas incomodações profissionais, ajudaram a compor-me de um perfil desajustado e deprimido.
A noite uma conversa pelo MSN que poderia resgatar-me  deste  estado, me pôs ainda mais  pra baixo, mais irritado e exposto a argumentos e sentimentos equivocados, cuja a ciranda  de queixas  e cobranças parecia nunca acabar. Hoje depois de terminada a tempestade e reinado a bonanza, pude avaliar melhor a situação e perceber que nos fizemos expostos  a estas situações, involuntariamente permitidas, sem estarmos devidamente protegidos se criasse-mos medidas que evitassem tantas invasões.
Tenho o defeito de acreditar que relações amorosas acabadas, podem ajustarem-se à novas relações em proveito de afinidades, carinho e amizade, o que nem sempre é posivel quando os sentimentos são confusos e não mais se afinam, colocando em risco a credibilidade e o respeito mutuo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Reavaliação cronológica dos pensamentos

O blog é uma ferramenta que nos permite acompanhar um fluxo de ideias, no meu caso também assistir a evolução e mudanças que somos acometidos por influencia do meio e nossas digressões emocionais no conforto de uma cadeira, uma tela e um teclado magico onde as palavras digitadas, criam sentimentos, atitudes, reações. Nada que o antigo papel e a caneta deixassem de fazer, mas hoje vivemos dias mais modernos.  Uma colega de viagem, denominou o seu blog de: "Olha seu psicanalista...", nada mais criativo, prático e verdadeiro nesta relação que aparentemente inicia-se como um divertido passatempo e que aos poucos vai mudando de rumo e criando dimensões que só percebemos com um olhar mais atento e crítico. Semana passada estava lendo alguma postagens antigas em meu blog e me surpreendi, com as mudanças ocorridas neste intervalo de tempo, e de como crescemos e também regredimos em nossos pensamentos; Como defendemos sub-conceitos e enfeitamos mentiras, fazendo-nos crer que são verdades. Por vezes é penoso retroceder em algumas teclas e perceber que algumas palavras doem a o serem relidas.

Virando abóboras

Dia 24 de Setembro, postei aqui no blog um texto chamado "Dando de pau", em que eu descrevi o tratamento grosso, mal educado e preconceituoso que me foi dirigido por um colega durante o horário de expediente e que considerei uma agressão, um desrepeito e que em algum momento do texto eu ainda coloquei: "Não sei se minhas palavras serviram para que ele repensasse melhor sobre sua atitude, ou se foi apenas uma paulada em sua cabeça e que me promoverá a seu mais novo inimigo".
Adivinhem?..  Darei uma moeda de premio para quem acertar o que aconteceu depois!
O cara não me olha mais nos olhos, faz de conta que eu não existo e eu  pergunto: Era de se esperar outra atitude que não essa?.. Neste mundo moderno em que vivemos é mais fácil homens virarem abóboras, do que abóboras em homens.
Lembro-me de outra situação, (fato completamente diferente do postado no texto acima), em que eu e um outro colega de trabalho, nos desentendemos quanto a escolha da  candidata para ser a nova diretora de enfermagem  do hospital. Já estava próximo do dia das eleições e ele ainda não havia se posicionado em quem votar. Quando revelei minha candidata, ele caiu de pau em cima de mim, dizendo que eu estava equivocado, que minha escolha não poderia ter sido a pior de todas e que eu deveria posicionar-me como ele, neutro, pois não havia ninguém em condições de assumir aquele cargo no momento, opinião que eu discordava. 
Esta diferença de ideias gerou um pequeno desentendimento que a princípio não levei a serio, mas que mais tarde percebi ter lhe causado sentimentos de desafeto com relação a mim. Passado alguns plantões, notei que ele não me dirigia mais a palavra e quando eu tentava dividir o mesmo espaço com ele na mesa do refeitório (por exemplo) ele levantava-se e saia, visivelmente irritado com a minha presença.
Diante deste fato desagradável, resolvi chama-lo para uma conversar e buscar algum entendimento no impasse gerado. Me desculpei por talves ter usado palavras inadequadas, mas que minha posição ainda se mantinha a mesma com relação a minha candidata. Ele aceitou minhas palavras e saindo dali, passou a me tratar como antes do mal entendido, embora tivesse a necessidade  de justificar à todos os outros colegas que eu havia  lhe procurado para pedir desculpas arrependido de minhas posições anteriores.
A partir daí, eu percebi a dificuldade que as pessoas encontram em aceitarem as diferenças de opiniões e que quando defendemos algumas posições contrarias as suas, corremos o risco de ser-mos mal interpretados e nossas palavras serem conduzidos à terrenos pessoais, sem que tivesse-mos a intenção. 
Algumas pessoas, criam certas imposições baseadas na cumplicidade de opiniões: "Ou pensas como eu, ou não me serves!". Te obrigam a o corporativismo linear do conformismo sem se darem a chance de serem questionadas, fora disto se sentem ameaçadas. 
Quanto ao pedido desculpas que fiz então, é visto como um ato de arrependimento, que te coloca numa posição inferiorizada, de quem errou e busca (humilhante) retratação, o que nem sempre é isto. Poucos percebem o pedido de desculpas como uma atitude superior em respeito ao ser humano e sua  diferença  ou uma retomada de relação que é mais importante que qualquer posição adversa ou mal entendida. Todos sabemos que o direito de opinão deve ser respeitado, mas na prática, as reações são diferentes.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Churrasco na praça

Na frente da minha casa, tem uma praça enorme e arborizada, onde os moradores nos fins de tarde fazem caminhadas. Aos fins de semana então, em especial aos domingos, fica mais cheia de  pessoas que chegam de outros lugares para realizarem torneios de futebol.
Certo dia fiquei tentado à fazer um churrasco entre amigos, sob a sombra das arvores, mas fiquei limitado a timidez de que talvez não fosse o local adequado para isto, uma vez que não possui churrasqueiras; Afinal é uma praça!
No fim de semana passado vi um grupo de pessoas realizando esta  façanha  que vinha frustrando por ficar em duvidas se era politicamente correto de fazer. O grupo usava uma destas churrasqueirinhas portáteis  e me senti como alguém que é roubada sua grande ideia. Já fiz piquenique com a família, sesteei, namorei, mas churrasco ainda não me atrevi!..

domingo, 21 de novembro de 2010

Relações perigosas

Luci fugia do marido com a filha de cinco anos e grávida de três meses. Um amigo as ajudava na fuga, quando um outro carro bateu na traseira do veiculo em que estavam. Por sorte ninguém sofreu qualquer ferimento a não ser Luci que sentia forte dor no pescoço e necessitava de exames.
-Minha filha vai comigo né moço? Se não eu não vou! -Gritava para mim de forma impositiva, mas não agressiva.
A menina acompanhava a mãe na ambulância, segurando-a pela mão e fiquei surpreso com sua atitude de coragem e maturidade precoce, enquanto sua mãe jogava-lhe responsabilidades descabidas para a sua idade.
-Se ele ligar, diz que estávamos indo pra casa do teu pai, quando bateram no nosso táxi. Se ele souber que o fulano estava nos levando, ele vai ficar uma fera! Pensa bem no que vai dizer! Tu sabe que ele é muito ciumento!..Fica com o telefone na mão se por acaso ele ligar!...
Durante o trajeto até o hospital e excessivas cobranças à menina, Luci puxou conversa comigo:
-Sabe moço, isto só aconteceu, por que ele a vários dias vem me ameaçando de morte. Eu tentei contornar a situação, mas tá difícil. Achei melhor fugir com minha filha, antes que alguma desgraça aconteça! Não posso viver assim, um dia ele me ama e no outro me odeia. E agora estou gravida dele!
Me interessei em saber mais sobre a sua história, aproveitando o fato de que ela parecia necessitada á falar e desviaria tanta cobrança sobre a menina:
-Ele é jovem, tem vinte e três anos e está em tratamento para abandonar as drogas. Faz três meses que está se tratando e acho que está em síndrome de!...
-Abstinência!?... -Ajudei a concluir.
-Sim, acho que é isto! Deve estar se aproveitando da situação por que não tenho ninguém por aqui, minha família toda é de outro Estado! Eu odeio ele!
-Preciso telefonar para o pai da minha filha, para pega-la no hospital, não sei se ficarei baixada!
-Se ele ligar minha filha, diga que nos acidentamos. -Disse para a menina que segurava o celular numa das mãos e prestava atenção no que a mãe lhe dizia.
-Isto parece castigo, quantas vezes eu quis que ele sofresse um acidente na moto e morresse!. Neste momento a expressão de Luci era de raiva, enquanto que da menina era branda e parecia acostumada com toda aquela complexa situação de amor e ódio e desabafo público da mãe.
-Ele ainda não ligou minha filha? Vê se não mandou alguma mensagem!..
-Não mãe! - Respondeu a menina após olhar mais uma vez e telefone celular.
-Quando ele souber o que aconteceu com a gente, talvez sinta bastante remorso. É bem feito!- Disse Luci  chorando e sentindo-se vingada com toda a situação.

sábado, 20 de novembro de 2010

O gato abandonado

Apareceu um gato magro e abandonado, aqui no pátio do edifício e cada vez que saio ou  volto da rua, ele se enrosca em minhas pernas mendigando carinho e atenção ou seria um pedido de adoção?.. Eu  finjo não entender o que ele quer, me ponho duro e distante como um ser superior para não criar laços. Eu não quero virar um desalmado, um dia eu até o convido para jantar!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O tempo passou na janela e só Carolina não viu...

Algumas vezes penso com mais seriedade sobre esta postura das pessoas em geral,  irem se fechando para algumas possibilidades apresentadas pela vida, em função de pequenas situações que lhes desagradam e eu até me incluo entre elas.
Quanto mais avançamos na idade, mais seletivos ficamos e isto parece nos arrastar para uma intolerância maior na complexa arte de conviver em grupos, absorvendo conceitos e maneiras de viver, que nem sempre acreditamos e compactuamos. Esta postura nos deixa na contra mão de estarmos abertos para oportunidades que poderiam nos renovar em meandros nunca experimentados. Se tendenciamos à correr somente nos trilhos de nossas verdades, acabamos nos isolando em nossos  conceitos absolutistas sem provar o intercâmbio das diferenças.
Quem de nós pode afirmar que ler um bom livro de poesias, pode ser melhor que um roda de pagode, ou ainda uma grande viagem, melhor que um passeio no subúrbio com amigos?. Existem surpresas inusitadas quando derrubamos normas conceituais, adquiridas por dúvidas e medos.
Somos vaidosos com nossa cultura às vezes retirada de folhetins, por achar que nossas escolhas são melhores que a dos outros, até chegarmos no momento em que não nos servimos mais, pelo excesso de regras. Precisamos mais que aos outros, nos surpreender com nossos atos, ser mais simples, tolerantes, ousados, indiscutivelmente menos preconceituosos. A vida é como um rio que espalha seus braços em direção a o mar. Seguimos seu fluxo ou viraremos uma Carolina em que o tempo passou na janela e só ela não viu.

Egoísmo.

Nesta manhã - 5h.25min., fui socorrer um homem que sofreu um ataque dentro de um onibus, na Lomba do Pinheiro, quando ia para o trabalho. Conclui que estava se deslocando para o trabalho, pois vestia uma camiseta de uma empresa conhecida na cidade e carregava em sua pasta um sanduiche e duas bananas que talvés fossem lhe servir de lanche. 
O onibus estava parado na avenida com as luzes piscantes ligadas e todas as pessoas haviam sido evacuadas do coletivo pelo motorista e o cobrador. 
Era um homem negro, de estatura alta, forte e beirava seus 42 anos de idade. Estava caído no meio do corredor inconsciente e tinha a respiração difícil e ruidosa; Tivemos dificuldades para resgata-lo dali. No canto da boca, expelia uma baba densa, parecendo ter tido um ataque epiléptico. Depois de te-lo posto para dentro da ambulância, com a ajuda de meu colega e alguns passageiros e examina-lo melhor, concordei com a médica que se comunicava comigo via radio, que talvés fosse alguma coisa mais seria como um *AVC, levando-se em conta que ele apresentava uma hipertensão severa, alem de outras características significativas.
Mas não quero neste post discutir meu atendimento ou os problemas sérios que acometeram este homem, mas comentar sobre outra passageira que lá estava, completamente irritada e insatisfeita por que o onibus havia parado causando-lhe transtornos a seus possíveis compromissos.
Falava em voz alta e questionava as outras pessoas sobre a necessidade do onibus ter parado, atrasando à todos. Tentava incitar à todos contra aquela situação que desaprovava. Andava de um lado para o outro, com a bolsa à tiracolo, resmungando incansavelmente.
-Não quero ser desumana, mas enquanto resolvem o problema deste homem, as outras pessoas ficam aqui na mão! Quero saber se a empresa de onibus vai resolver os problemas que terei com o atraso de hoje?..[...]
A mulher era corajosamente provocadora e tentava estimular a ira entre as pessoas que pareciam assustadas e sensibilizadas com a situação geral.
Por sorte, ninguém lhe deu atenção!

*AVC- acidente vascular cerebral

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Furnas de Sombrio

Às margens da BR-101, no km 434. à direita de quem  está retornando de Sta Catarina para o RGS, está localizado o complexo de Furnas de Sombrio. Trata-se de um conjunto de quatro grutas. A maíor delas tem 74 m de profun­dídade, 17 m de largura na entrada e 7 m de altura máxima. Esta furna, composta de um enorme salão, é a mais visi­tada - também por motivos turiscos /religiosos. Em seu interior inúmeras estátuas de santos, formam um altar para os quais os fiéis  dedicam orações e realizam promessas. 
A noite o lugar fica iluminado apenas por luz de velas, dando-lhe um aspecto mistico- assustador e com um pouquinho de atenção se pode encontrar alguns morcegos, de cabeça para baixo, descansando em suas paredes obscuras.  O local teve fama de no passado ter sido  mal assombrado, mas depois foi desmestificado por moradores locais. Da sua entrada é possível visualizar a Lagoa de Sombrio, a maior de água doce do Estado.
Ao lado de sua entrada tem um restaurante bem estruturado - (Restaurante das Furnas), onde são servidos lanches, almoços e jantares, alem de uma loja de souvenirs. 
Inumeras vezes, fiz deste local uma parada para descanso, tanto na ida quanto na volta de minhas viagens à Santa Catarina e com o intuito de também perdir proteção e tranquilidade durante meus deslocamentos.
Com as obras de duplicação da BR 101 e alguns desvios para favorecer o trafego de veiculos, o local passou desapercebido por mim quando retornei para casa neste final de feriadão de 15 de Novembro, sob intensos engarrafamentos.

PEGADAS

Estou lendo um livro chamado "Pegadas", que ganhei de seu autor Dirk Hesseling, num final de tarde num Cafe em Viamão. Ele me presenteou seu livro com uma carinhosa dedicatória e usando uma expressão que a algum tempo tenho ouvindo de pessoas que se referem a mim. Artista, é este o termo e que  particularmente não me considero, pelo fato de não produzir nada nesta area que  possa enquadrar-me, a não ser minha grande apreciação pela arte e pequenos rabiscos sem importância  que faço em pedaços de papeis ou aqui no blog.
De qualquer forma, ouvi de alguém que para ser um "artista", não é necessário se "fazer" algo, mas somente "ser". sinto um temeroso lisonjeio...


Mas voltando ao Dirk, ele me fez lembrar de algumas pessoas que conheci no passado, e que agora  não encontram-se mais entre nós. Seus traços físicos, gestos e pequenas  expressões faceias que iam se apresentando na medida em que falava, me trazia de volta toda a energia  e vivacidade destas pessoas que convivi e fazem parte do que sou hoje. É estranho dizer isto, mas somos pedaços de outras pessoas, do que aprendemos com elas, do que observamos e absorvemos de nossas convivências mais profundas ou superficiais.


Desta forma, tenho a nítida sensação de que Dick será parte de mim. Ele é um provocador em sua essência, audacioso, sensível, alegre, carismático.
Dirk Hesseling é holandês e veio para o Brasil em 1954, quatro anos antes de eu nascer e agora ainda mantem um certo vigor. É formado em Filosofia, Teologia e Relações Publicas, mora em Viamão e até hoje engajado em movimentos sociais e populares.

Estamos indo de volta pra casa...

Um fato curioso, para não chamar de "penoso" é que depois de três dias em lugares paradisíacos, convivendo com pássaros pela manhã, mar, sol, montanhas, o tempo passa rápido e temos que impreterivelmente retornar para casa, para nossas rotinas diárias, ao caos que nos sustenta e nos dá subsídios a esses momentos maravilhosos. 
No retorno, enfrentei dois engarrafamentos na BR- 101 que me deixaram quase arrependido de ter visitado o paraíso. Seria este o preço?..   
Foram quase 12 horas naquela situação cansativa de anda, para, anda mais um pouco, numa fila interminável de veículos cujo os olhares de seus ocupantes iam aos poucos sendo transformado em pura insatisfação.
O dia foi se terminando e a noite chegou sobre as pessoas confinadas em seus veículos numa estrada sem fim, coberta de pequenos pontos vermelhos e luminosos.  
O cansaço, sono, dor nas articulações, fome eram palavras que possivelmente se encaixavam a todos naquele momento de igual situação. Por alguns instantes é possivel perceber na pessoa descomhecida do carro vizinho, alguma expressão de cumplicidade, de estamos presos no mesmo barco.
Saimos de Garobapa às 13h 45 depois do almoço e cheguamos em casa 01h 20, querendo esquecer este penoso caminho de volta pra casa.

PINHEIRA EM STA CATARINA E OS PÁSSAROS DE HITCHCOCH

Num determinado momento, eu me senti magicamente transferido para dentro de uma cena de cinema, nesta  foto que bati em Pinheira, lembrando-me do filme "Os Pássaros" - de Alfred Hitchcock, que assisti à algum tempo atras. 
Algumas cenas do nosso cotidiano, são capazes de despertar em nós algumas lembranças e nos transferir magicamente para outras dimensões, nos provando que a arte está tão próxima da realidade quanto o sonho que nos desperta para a vida. 


Estávamos na Guarda do Embu, eu Beto, Cristina, Germano, Athos, Caroline, Tania e Rosane, quando resolvemos pegar o carro e visitarmos Pinheira, numa manhã onde haviam pescadores vendendo peixes na beira da praia. Isto atraiu os pássaros que invadiram o local numa verdadeira festa gastronômica.


A imagem diante dos meus olhos me fez lembrar do filme "Os Pássaros". Evidentemente que as aves  do filme do Hitchcock eram inexplicavelmente agressivas e atacavam os personagens do filme até a morte, completamente diferentes destas que de tão mansas, voavam baixo e caminhavam entre as pessoas esperando sobras de peixes que eram jogados pelos pescadores na beira da praia. Não só  a imagem quanto o som destes pássaros eram de indescritível beleza, causando a sensação de estarmos fora da nossa realidade, por vezes tão comum e  absolutamente óbvia.


Até a próxima viagem!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

TRILHA DA PEDRA DO URUBU.


A Pedra do Urubu é um mirante natural nas proximidades da Guarda do Embaú, cuja a caminhada não exige maiores esforços de quem deseja conhece-la.
A caminhada leva em trono de 1/2 hora, em ritmo de passos normais, somente  em sua proximidade  é que o grau de dificuldade aumenta.


A pedra em si não foge da normalidade de uma pedra encravada no meio do mato e que pode ser vista sobre o morro, de qualquer ponto do vilarejo da Guarda do Embaú, mas o ganho de se subir a o seu topo é a surpresa de se enxergar lá de cima, belezas naturais como a Praia da Pinheira, Guarda do Embaú, Ilha dos Corais, Praia da Gamboa, Rio da Madre, Paulo Lopes e sua lagoa.


A entrada da trilha está localizada à esquerda, na direção do  morro, após a ultima casa na trilha principal da Guarda do Embaú, que leva à  praia do Bar do Evori e ao costão.


Seguindo pela trilha, na primeira bifurcação, pega-se à esquerda, na segunda bifurcação à direta. Chega-se no mirante cruzando por um trecho com pedras e subidas íngremes.
No topo existe dois mirantes diferentes. Um à esquerda de fácil chegada e outro à direita, onde para subir é necessário usar uma palmeira como apoio.

 

Ainda na mesma trilha principal, seguindo pela direta, margeando o costão, pode-se chegar à Prainha, que fica normalmente vazia de banhistas, por sua distância da vila, uma vez que para chegar até ela deve-se cruzar o morro por caminhos fáceis, porém pedregosos. Num pequeno recanto  cercado por pedras, o mar invade o local e fica represado, formando uma piscina natural com águas límpidas e rasas.

SARAU A O FIM DA TARDE



Na quinta três de Novembro à tarde, tive o prazer de conhecer no "Café da Praça" em Viamão, um grupo de pessoas apaixonadas pela arte; A arte de pintar, de desenhar, de escrever poesias, de sonhar com dias melhores através da delicadeza de traços, rimas, versos, prosas, contos, não importa. Este encontro aconteceu por ocasião do lançamento do livro de poesias "Arquivo Poético" - de Fernanda Blaya Figueró, que fez seu primeiro lançamento na Casa de Cultura Mario Quintana e depois nos presenteou com um sarau poético no finalzinho da tarde. 
Posto aqui abaixo uma de suas cronicas, entre tantas que me tocaram e que indelicadamente surrupiei em seu blog: assim com a foto acima.

O galho.
Já comecei tantas coisas sem terminar, hoje mais uma conexão rompe. É o vício de andar só. Ou de só andar. Todas essas pessoas tem um diferente motivo para estar aqui, o rapaz arruma a boina na cabeça como se acomodasse a vida. O jornal esconde as preocupações do velho senhor. As moças batem os pés sentadas em uma muralha e riem. Como as mulheres riem em público e entristecem em privado. As pessoas não querem saber de grandes teorias, só querem continuar sendo, vivendo em bandos, idolatrando alguns ícones de carne e osso. Querem que alguém conte sobre suas vidas e mortes. Tem um galho sendo arrastado pela correnteza, talvez sejam os restos mortais de uma grande e imponente árvore, ou somente um galho que anonimamente se deixou levar. Mas estou eu aqui lamentando a falta de uma máquina para registrar este impressionante fato. Para que? Uma foto, um quadro, uma cantiga , um relato reafirmam a vida. Talvez todos estes pássaros, que não consigo ver, mas que ouço claramente, estejam cantando para o galho dançar dentro do rio. Acho que foi o sol que convidou toda esta gente para participar deste pequeno espetáculo a céu aberto. Talvez eu esteja aqui só para registrar toda essa beleza e deixar para algum futuro a lembrança desse dia. O dia em que os pássaros cantavam, o rio servia de palco para a dança de um galho livre e o sol brilhava no céu, não podemos esquecer que estava frio. Preciso ir e isso rompe esta bela conexão de alguns minutos com o rio, o galho, o sol, o pássaro, o rapaz, as moças, o senhor, sem teoria.


Fernanda Blaya Figueró.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

TRES LUGARES EM POA PARA SE VISITAR


Você pode visitar três lugares em Porto Alegre, naqueles dias em que precisa dar um upgrade na alma e não sabe bem por onde começar. Os lugares ficam bem perto um do outro, possibilitando que se faça numa manhã ou tarde sem se preocupar com grandes distâncias de locomoção.


Gruta N. Sra de Lourdes:
Localizada no bairro da Glória em Porto Alegre, é um desses lugares. Trata-se de um santuário aberto à natureza, onde a imagem de nossa senhora fica exposta aos seus fieis e visitantes, num altar de pedras no interior de uma pequena gruta construída pela natureza e um pequeno toque da mão do homem. O lugar é bastante simples, como eu acho que deveria ser os lugares destinados a orações e outras contemplações religiosas, mas enriquecido com muitas arvores, bromélias, som de pássaros e de uma pequena bica onde a água escorre do morro para as dependências do local. Muitos fiéis recolhem esta água em frascos para levarem para casa.


Logo na entrada se vê uma infinidade de placas feitas de diversos materiais, algumas já apagadas pelo tempo, com frases de agradecimentos por graças alcançadas por fiéis. A Gruta não conta somente com a gruta propriamente dita, mas possui uma infra estrutura ampla como um pequeno restaurante onde servem almoço e lanches diversos, sanitários públicos, lojinha para compra de souvenires religiosos, estacionamento de veículos e uma capela onde acontecem missas durante a semana. Na Gruta são celebradas missas, somente durante as festividades da padroeira no mês de Maio.
A imagem da santa no altar, conforme mostra a foto acima, parece ser de concreto e sem cor. Eu acredito que a original deve estar na capela que é coberta ou em algum outro lugar resguardada de possíveis intempéries ou furtos.
Possui também o cemitério dos padres da arquidiocese de Porto Alegre, onde em 2002 esteve sepultado o padre Roberto Landell de Moura, hoje patrono do Radioamadorismo no país e que foi pioneiro na transmissão da voz humana na radioemissão e telefonia por radio. Apesar de seu importante invento, não obteve o devido reconhecimento e compreensão das autoridades e imprensa brasileira da época. A gruta foi aberta ao publico em meados de janeiro de 1935 no bairro da Glória, na base do Morro da Policia, num ponto chamado Cascata onde atrai bastante visitantes.


Vindo pela Oscar Pereira no sentido centro bairro, entra-se na rua da Gruta, na primeira bifurcação à esquerda do Hospital Divina Providencia, no numero 98.

Morro da Polícia:
Subindo pela avenida Oscar Pereira em direção bairro, a poucos metros de distancia acima da Gruta, pode-se chegar ao Morro da Policia. O acesso é por uma estrada de terra após o primeiro entroncamento esquerdo no alto da avenida, com a rua Herval, entra-se na segunda rua à esquerda de inicio asfaltada, nas imediações de uma favela, depois de terra até o final. Lá de cima o visitante tem uma visão panorâmica da cidade de Porto Alegre, com vista da zona sul, norte e leste da cidade, o Lago Guaíba com algumas ilhas, municípios da região metropolitana e Viamão. 


Com um pouco mais de atenção, pode-se enxergar até o patio do Presidio Central, com alguns detentos, tomando sol. No topo do morro, ficam as antenas de emissoras de TV, rádio, operadoras de telefonia celular e a torre da Embratel. O morro é o segundo maior de Porto Alegre (280 metros) e é conhecido também por Morro da Embratel. Há alguns anos atrás, existia um restaurante panorâmico por lá, mas que foi fechado sem se saber a razão. Muitas pessoas, inclusive eu, já se perguntaram por que um lugar tão bonito como este, não recebeu incentivo ao turismo até agora!. O local é quase deserto de pessoas e dependendo da horário, corre-se o risco de possíveis assaltos.


Santuário Madre de Deus:
Do alto do Morro da Embratel, pode-se ver também o Santuário Madre de Deus sobre o Morro da Pedra Redonda ao lado do Morro Teresópolis. O Santuário é uma construção de estruturas de aço, tijolos, vidros em linhas arrojadas com dois grandes telhados de cor verde em duas águas, completamente diferenciado das Igrejas católicas que se conhece. Visto de perfil, me faz lembrar uma enorme asa delta que se prepara para alçar voo de cima do morro.


Do patio se tem uma visão de 360 graus da cidade, alem de uma esplanada com um altar ao ar livre, onde são realizadas missas e celebrações nas ocasiões festivas para o grande publico. O Santuário foi entregue a cidade em 2000 e seu interior é composto de vitrais ilustrativos com passagens bíblicas e uma grande estatua da padroeira em madeira trazida da Itália. Muitos visitantes vão até o local para admirar a vista panorâmica lá de cima. O acesso é pela avenida Oscar Pereira e no segundo entroncamento no alto da avenida, segue-se à direita por uma rua asfaltada chamada- Rua Santuário, costeando o morro.

domingo, 7 de novembro de 2010

Por que eu faço sempre o que eu não queria?

O cansaço do trabalho me despolariza tanto, que por vezes perco a noção de tempo e de espaço com grande frequencia, fico perdido sem saber em que dia da semana me encontro e acabo comprometendo  programas que certamente me dariam mais satisfação. Há lugares que não gostaria de ter ido e  acabo me rendendo por simples imposição social. Algumas festas não mudam e apresentam sempre aquele perfil de mulheres barulhentas fazendo saladas na cozinha e homens contidos assando churrasco, bebendo cerveja  e contando vantagens. Será que é por isto que alguns sabados  não parecem ter cara de sabado? E eu ainda lembrei daquele texto de 1973: 

Pra onde vai minha vida
E quem a leva?
Por que eu faço sempre o que eu não queria?
Que destino contínuo se passa em mim e na trévoa
Que parte de mim
Que eu desconheço é que me guia.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Atitudes espontâneas

Do lado do edifício onde moro, existe uma casa antiga que é utilizada como pensão, ou republica de estudantes e isto significa que de minhas janelas, consigo visualizar toda a movimentação da casa e de alguns gatos sobre o telhado, ja que moro no terceiro andar. Hoje eu estava debruçado sobre uma delas quando um jovem estudante chegou da rua e foi direto para debaixo de uma arvore, que constatei ser uma pé de Pitangueira. O cara ficou ali por  longos minutos, deliciando-se das frutinhas vermelhas e chutando seus caroços na mais pura espontaneidade. Atitudes como esta, me traz uma saudade!..

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quem ama não mata

Essas historias de agressões, ciumes, matar por amor,  ou não aceitação do fim de um relacionamento e depois tirar a própria vida, dão sempre pano de fundo a discussões infindáveis e opiniões que se divergem colocando vilões e vitimas sobre plataformas, ora de pena, ora de revolta. De qualquer maneira, não consigo entender como as relações podem chegar a este final tão brutal. Hoje atendi um homem com cerca de 40 anos que tirou a vida de sua esposa baleando-a na cabeça, depois disparou a arma contra sua própria, tentando suicídio. Após deixa-lo no hospital ainda com vida, fiquei ouvindo alguns colegas comentarem sobre estas questões passionais tão discutidas nos meios de comunicação e que parecem pouco eficiente contra estes desfechos decorrentes de relações doentias, cujos valores vão se perdendo ou substituídos pelo medo, posse, solidão e tantos outros sentimentos que escravizam.  O casal deixa órfão, dois filhos, um de tres e outro de seis anos, ja que o marido foi desenganado pelos médicos,  Lembrei da série apresentada pela Tv Globo em 1982 que apesar de ter sido exibida a 18 anos atras, ainda é uma triste realidade nos nossos dias.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

FIM DE TARDE NA PRAIA BONITA.


Alguns lugares que visitamos, parecem a repetição ou continuidade de outros e alguns se divergem de tudo, tornando-se singulares. Num certo momento a natureza é capaz de te presentear delicadamente com seus detalhes e transformações, te pondo  literalmente boquiaberto, com os pensamentos absorvidos na sua surpreendente beleza.., sem palavras, sem gestos.


Registro aqui nesta pagina, o fim de tarde na Praia Bonita em Itapuã, quando retornávamos para casa, de um passeio pelas redondezas, neste feriadão  de segundo turno das eleições à presidência da republica. Estávamos eu, Athos, Alba e Carol, já saindo da vila de Itapuã para casa, quando impulsivamente resolvemos alterar o rumo e passear por lá para assistir o Sol se pôr na linha do horizonte.



As arvores pereciam esculturas vivas prontas para se movimentarem. A grama verde se estendia ao limite da praia serena e sem ondas. Flores de cores vibrantes acendiam nossos olhos de encantamento. A Praia Bonita, como ja postei anteriormente fica  após passar a entrada da Vila  de Itapuã, em direção a reserva.


Uma estrada de terra à direita, com uma pequena placa de madeira escrito "praia" anuncia a sua entrada cercada de casas simples, a uns Trezentos metros. A rua  é sinuosa e passa sobre um pontilhão até abrir-se para a praia em frente. Para melhor visualização, clique nas imagens para aumenta-las.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

BOTECO DO PAULISTA

O Boteco do Paulista é um dos bares que aos fins de semana, em particular aos domingos, acontecem apresentações e shows de samba de raiz em Porto Alegre. O local se diferencia dos outros por ser uma casa antiga e quase sem decoração alguma, localizado na rua Riachuelo em frente a Usina do Gasômetro. Outro diferencial é que as mesas são distribuídas na rua e avançam pelo meio fio ocupando grande parte da rua, onde a EPTC__ empresa responsável pela fiscalização de transito, coloca sinalizadores e cordões de isolamento para evitar acidentes. Mesmo com muita simplicidade em suas instalações, o boteco é ponto de encontro de pessoas ligadas a arte e a cultura da cidade, como os adoradores do samba. A cerveja é vendida por um preço acessível R$4,00 e é geladíssima. Servem também lanches como Xis burgues e a famosa porção de batatas fritas crocantes e o samba começa a rolar à partir das 17 horas. Com a popularização do lugar, muitos outros bares foram se estabelecendo nas redondezas tentando aderir-se ao mesmo perfil, mas o do Paulista é insubstituível e ainda carrega a tradição de ser o primeiro.

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