sábado, 30 de abril de 2011

Os Marrecos brancos de um lago desconhecido

É, foi na estrada que cruzei por eles, um grande bando de marrecos brancos, havia mais de cinquenta deles, com seus olhinhos redondos  a me observarem desconfiados de dentro de um lago desconhecido. Os marrecos e eu temos esta relação de desconfiança recíproca à espera de um posivel ataque de surpresa. Apesar de não serem agressivos com os gansos, me causam certa aflição que só alivia depois de imagina-los assado num refratário enfeitado com frutas e farofa de milho temperada. Este é um recurso que uso, para firmar minha superioridade sobre eles.
Tenho alguns conhecidos cujo a atitude, o movimento dos olhos, e o tom da voz, me lembram de marrecos. Estes não adianta imagina-los assado num refratário, por que simplesmente não me apetecem e me perecem mais inofensivos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Crise de identidade indígena


Alem da questão da terra, outro grande problema enfrentado pelos índios em suas comunidades  atualmente, é a crise de identidade cultural, já que os mais jovens não sabem o que são e o que querem ser, se são brancos ou se são índios. Eles não são brancos mas se utilizam das coisas do branco como telefones celulares, walkmans, alem de outros objectos e do vestuário enjambrado.
A jovem indigena grávida que atendi hoje na reserva da Lomba do Pinheiro, só falava em guarani e seu marido, tambem seu interprete, me disse que ela se chamava Marcia, mas que não era seu nome verdadeiro, mas um apelido branco. Eles são tímidos, de pouca conversa para quem não conhecem e como todo o ser humano ficam fascinados por novidades electro/ eletronicas.
Fotografei estas crianças moradoras da Reserva, que me pareceram uma mistura de muitas identidades e que também adoraram ser fotografadas e muito curiosas com o modelo do meu celular. Ressalto ainda o colete do menino de calção vermelho na foto, com um colete de sacola de plástico, criado por ele.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sabão de coco e cantos gregorianos

Terça- feira é um bom dia para se malhar de um jeito diferente, você não exercita  somente os músculos do corpo, mas o cérebro em algumas seções de paciência, resignação e auto controle.
Paciência de monge, para trafegar nas avenidas engarrafadas de Porto Alegre.
Resignação de dona de casa, para fazer compras no supermercado e lembrar que esqueceu da lista em casa,   
Auto controle, para tentar entender o porquê o notbook  se nega a localizar o endereço de IP e orçar os arranhões no carro feitas por sociopatas disfarçados de gente normal, que você encontra pelo seu caminho. 
Depois de tudo, mais paciência para aguentar a si próprio depois desta maratona.
Terça-feira é o dia em que não ouço Amy winehouse  e Marina Lima no radio do carro, não buzino, não atendo ligações telefonicas no celular, não assisto novelas e o Jornal Nacional e  quando chego em casa, tomo um demorado banho com sabão de coco e me jogo na cama para ouvir cantos gregorianos a meia luz.

Criança.

                     Vou
                        Vou levar
                            O tempo que for
                                      Vou
                                           Vou levar
                                                   Até desvendar caminhos e ver
                                                            Como eu chego em você...

                                                                                                   Vou

Eu gosto desta batida ritmada nas musicas de Marina Lima, a letra que parece não caber nos espaços e cai perfeitamente, recortada, urbana, tensa, sensacional.
A janela do carro aberta e o vento batendo na cara, lembra Marina gravida de um liquidificador. 

UMA FORMULA EQUIVOCADA.

É possível acreditar naquele André da novela das nove, fazendo caras e bocas e pose de Don Juan, usando e esnobando as mais belas e  charmosas mulheres que surgem na  frente dele, como simples pedaços de carne? Eu pergunto ainda mais: será que o diretor pensa que é possível a gente acreditar naquele estereotipo montado? 
Ora, sem desmerecer o grande ator Lázaro Ramos, mas fica difícil  acreditar que num  país  preconceituoso e racista como o nosso, é relevante construir um personagem como  este, que parece  ter estampado na cara, sou rico, bonito e gostosão e cuja as mulheres ficam de quatro com meia dúzias de palavras de sedução? De onde este personagem tira elementos para construir seu egocentrismo?
Tem algo de errado nesta fórmula, que sinceramente não me convence. Acho que o  Rock, personagem  em "O Pai, Ó", era mais  sedutor e convincente que este André, vocês não acham?

sábado, 23 de abril de 2011

Por dentro

O silencio é bom enquanto penso.
Mas eu não consigo decifrar estes segredos, estas transformações absurdas.
Eu to surpreso...

Eu lanço um sorriso falso.
E sei que nada combina.

Eu to quase lá e não quero fazer cenas.
É isto.
Eu to quase lá.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ainda na Sexta...

Depois de ficar esperando de manhã, por convites para comer peixe nesta Sexta-feira Santa, resolvi desistir da espera e ir no lugar certo, a casa de minha mãe.  Ela nunca abandona estas tradições e portanto era o lugar oportuno de filar a bóia que evidentemente era peixe.
Depois de experimentar o assado, o frito, o escabeche, a salada de batata com camarão, o quibébe de abóbora, percebi que meu celular estava cheio de mensagens com convites para almoçar na casa de um colega e que eu nem percebi tocar. Mas já era tarde demais até para dar explicações e pedir  desculpas por não estar atento ao celular esquecido dentro da pasta.
De tarde, fui visitar uma amiga que fazia tempo que não via e que soube ter estado em Paris e  depois na Índia, lugares que tenho algum interesse de conhecer e que é sempre bom fazer especulações com quem já  foi. 
Rimos bastante das fotos tiradas em muitos recantos e dos comentários bem humorados, feitos  por ela sobre cada lugar onde esteve e em particular sobre os banheiros de Paris que não tem chuveiros e os da Índia onde não usam papel higiênico.
A tarde passou tão rápida  e intercalada por algumas pancadas de chuva forte e falta de luz, que quando percebi já era noite fechada.

Sexta-feira Santa

Hoje é Sexta- feira Santa e o dia nasceu ensolarado e com aquela cara de me aproveitem por favor e eu como sempre, não tinha me preparado para nadíca de nada...
Nas outras Sextas- Feiras Santas, que passaram por minha vida, sempre foram meia chochas, mesmo se fizesse um dia bonito como o de hoje, parecia ter um gosto de resignação, respeito e culpa. 
Minha mãe ensinou desde cedo pra nós (filhos), respeito e  culpa, principalmente culpa, que  parece existir em todas as consciências cristãs. 
Eu lembro de ser criança e de me perguntar como um homem em sua sã consciência, podia dar sua vida em defesa de pessoas que ele  nem conhecia e nos deixar com esta dívida nas costas. 
Fazíamos jejuam e também éramos proibidos de lavar o rosto e os dentes quando acordávamos. Pisávamos em ovos neste dia,  pois tudo tinha cara de pecado e de proibições e eu não via a hora de tudo passar e chegar o domingo de Páscoa. 
Os tempos mudaram, eu mudei e  acho que até a fé de minha mãe também mudou...

A cartomante

Eu não estava embriagado ou coisa parecida, embora eu tenha ouvido com muita disposição meu colega contar sua experiência numa cartomante na Restinga com detalhes. Eu normalmente driblo para não ouvir estas conversas que considero obscuras para minha compreensão, mas arrisquei e não doeu. 
Segundo ele, a mulher é muito boa e acertou tudo, do que ele já sabia e do que ele não sabia, deixando-o visivelmente preocupado.
Esta segunda parte, que me deixa inseguro em mexer com estas coisas. Eu não descreio nestas revelações e muito menos no poder de ninguém. Eu tenho é medo de descobrir fatalidades que não terei força emocional para suportar e que prefiro que me tomem de surpresa quando eu estiver tomando um sorvete da baunilha.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os cantores do muquifo no Partenon

Rodrigo e eu nos encontramos num boteco indicado por ele, para tomarmos umas cervejas e reclamarmos um pouco da vida e do trabalho.
No final optamos por beber vinho, pois o frio desta semana, não estava propicio para beber cerveja. Escolhemos um muquifo sem ventilação, relativamente perto do trabalho, pros lado do Partenon, por que não queríamos gastar muito tempo com deslocamentos e tínhamos pressa de iniciarmos a seção de lamentações, que já tínhamos combinado ha dias, talvez semanas.
Botecos me parecem feitos para isto mesmo, reclamar, chorar, reivindicar, soltar demônios, fazer muito alarde, ao contrario de boates que são para dançar, namorar, encontra um grupo de amigos e fazer a festa. Não se pode fazer lamentações na frente de tantos amigos juntos, com o risco  de sermos corridos. Um muquifo é o lugar certo.
Rodrigo necessitava, muito mais do que eu, falar, então dei-lhe a oportunidade de sair na  frente, o que acabou ele falando muito mais do que eu. Não me senti no prejuízo com isto, ouvi-lo mais, poupou-me de gastar meu discurso repetitivo, mais do que  isto, pareceu promover  meu ego a uma posição mais confortável e de superioridade emocional. Por que tem horas que ouvir é melhor do que falar.
E daaa-le reclamações, insatisfações, discursos sociais e os cambaus.
Depois de algum tempo, Rodrigo levantou da mesa e gritou pro homem atrás do balcão:
_Ferreira, bota aquele CD que eu gosto. Ta com ele ai?
Ferreira desajeitado secou as mãos num pano encardido de gordura de X-burguês e se ajeitou num canto atrás do balcão.
_Este tá bom?
E os três começaram a cantar juntos, Rodrigo, Ferreira e Caetano:
Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como, Você...
Naquele momento eu percebi que não tínhamos mais do que reclamar, a não ser do inevitável:
_Traz mais vinho Ferreira, a jarra tá vazia!..

O vinho da missa

Ganhei de um colega, uma garrafa de vinho tinto, desses que são fabricados artesanalmente e que levam fama de serem bons por que o padre da paróquia X ou Y aprovaram e também utilizam  para o seu consumo, mas que na verdade é um ledo engano acreditar  que sejam realmente bons e acabo me decepcionando quando bebo o primeiro gole.
Aprovar vinhos, me parece uma coisa muito pessoal, até para os especialistas, que não é o meu caso. Eu bem que tentei, mas não consegui ir alem da meia taça. 
De qualquer forma deixei-o na geladeira para um doce de sagú ou uma posivel situação de urgência a se deflagrar, nunca se sabe quando!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Vida provisória

Sempre existe a possibilidade de optar-mos por uma posição mais cômoda sem ter que escolher os extremos. Entre o amor e o ódio, a mentira e a verdade, a consciência e a inconsciência, existe um espaço mental intermediário capaz de oferecer alguns momentos de trégua e descanso a esses sentimentos mais (turbulentos) e de difícil manejo humano, assim como os tropeços diários que nos provocam sustos e que por vezes não temos condições de vivencia-los em sua totalidade. 
Assim é  nossa vida, cheia de momentos bons, ruins, tristezas, alegrias, decepções e muito trabalho e energia para aguentar-mos este fluxo que demanda ações continuas em diferentes posições emocionais, em  nossas vidas. 
Um momento de trégua acontece quando estou dormindo e passo a me acordar, experimentando momentos de uma vida provisória cujos os valores são menos potencializados por  dores  e expectativas criadas. Onde meu estado que consciência se divide entre minha realidade e a subjetividade no mesmo grau de importância neutralizando divergências. Por breves instantes eu consigo dar muito menos valor as coisas que me escravizam, quando estou neste momento de transição entre o dormir e o acordar, onde tudo parece menos complicado e muito mais aceitável. Sinto que estou experimentando momentos de realidade e fantasia incorporadas, de possibilidades e impossibilidades,  que  vistas na pratica seria impossível administrar com naturalidade e coragem se estivesse dormindo ou acordado. 
Hoje de manhã quando acordei, entrei neste estagio enquanto estava enrolado no edredon. Parte de mim se sentia sobre a cama, a outra voava  sobre o improvável. Um insigth?.,Um delirio?.,eu não sei dizer, qualquer coisa me  causou mudanças radicais imediatas e sem reações traumáticas de apego as preocupações óbvias que diariamente sinto e que parecem não apresentarem soluções. Nada havia mudado além dos sentimentos que são imprimidos em cima de algumas circunstancias que neurotiso e necessitam com urgência de um olhar mais pacificador e menos culposo. O que eu gostaria, era  continuar sentindo tudo  isto, depois de estar definitivamente acordado.

Armaduras necessárias.

Quanto mais desatentas, são comigo, as pessoas ditas minhas amigas, mais atento eu fico com elas. Mas essa minha atenção não é a de carinho e dedicação que se presta aos amigos leais que são poucos, mas de cuidado e  precaução aos que possivelmente são letais, para que futuramente eu não venha ter surpresas tardias. Vocês devem estar pensando que isto é uma espécie de armadura. Mas quem disse que armaduras ou camisas de força são desnecessárias quando algumas relações se firmam por caminhos que fogem de nossa compreensão e deixam rastros de egoísmo? 
Eu fiz um post com o titulo:"Eu procuro as pessoas por que tenho saudades ou por solidão?" que deixei na pagina de rascunho do blog e nunca publiquei, por me parecer somente uma grande viagem pessoal e perda de tempo. Quem sabe um dia eu poste.

Insensato Coração

As cenas da novela das nove, Insensato Coração, que mostram a relação entre o banqueiro Cortez (Herson Capri), sua esposa Clarisse (Ana Beatriz Nogueira) e a amante Natalie Lamour (Débora Seco), que busca se firmar como celebridade, é calçada numa relação, cujo o numero alto de mulheres  conhecem muito bem e que  sofre na pele as mais diferentes humilhações. A traição protagonizada por Cortez, um homem cinquentão e galinha que tenta firmar sua masculinidade, envolvendo-se com mulheres bonitas e mais jovens  é também o retrato do egoísmo  e mal caratismo que o impede de abrir mão de uma das relações, criando um triângulo de insatisfações  aos envolvidos, geradas por suas tramas e mentiras.
Nesta trama de jogo de forças, de uma lado esta  Natalie Lamour, jovem, cheia de sonhos e projetos de ter uma vida glamourosa e que acredita ter encontrado em Cortez a galinha dos ovos de ouro. Associado a isto, ela aposta numa relação prazerosa e de amor eterno. A arma a seu favor é a juventude, beleza  e a sedução.
Do outro lado Clarisse, uma esposa dedicada e boa administradora familiar que acredita ter no silencio e fingir ignorar as traições do marido, sua melhor estratégia para manter seu casamento de hipocrisia. Ela sabe que não pode concorrer com a juventude e beleza da(s)amante(s) do marido, então opta por atitudes passivas, violentando-se, na certeza de que tudo vai passar e que jamais perderá o marido.  Ela define bem isto, quando diz para as amigas, referindo-se as amantes do marido: "Elas vão e eu fico... Esta não é a primeira e ele sempre volta pra casa"
Eu li num desses sites que faz comentários sobre o enredo de novelas, que os próximos capítulos, vão trazer uma nova revelação e deixar uma suspeita no ar. A primeira mulher de Cortez também morreu em um acidente,  como acontecerá com Clarice.
A suspeita de uma possível morte provocada pelo banqueiro surge, quando sua filha Paula (Tainá Müller) do primeiro casamento é questionada sobre como Rafa (Jonatas Faro) fruto do segundo casamento com Clarice, está reagindo à morte de sua mãe (Clarice). É nesse momento que Paula relembra como perdeu a mãe.
A primeira mulher do banqueiro também morreu em um acidente. A família planejava uma viagem e  quando sua primeira mulher foi sozinha, para preparar o sítio para o final de semana.“Naquela época os aquecedores ficavam dentro do banheiro. O da suíte deles (Cortez e a antiga mulher) teve um vazamento. Pelo menos ela morreu dormindo, não deve ter sofrido”, diz Paula.
Será que existe um assassino misterioso na trama? Cortez ja demonstrou atitudes  dignas de um mafioso  ao mandar capangas dar uma surra num jovem, que se aproximou de Natalie numa boate, quando esta decepcionada com suas mentiras, resolveu lhe provocar ciumes. Acho que esta história, ainda promete algumas surpresas.

domingo, 17 de abril de 2011

O Arco-íris


Depois da chuva, no meio da tarde, o céu se dividiu em muitas cores me deixando na duvida qual das tonalidades era a mais bonita; e num determinado momento,  o arco-íris foi surgindo como um risco  de luz quase laranja atravessando de uma ponta a outra o horizonte que parecia de um degradê de  tons azul, lilás, cinza  e verde.
Nestes momentos, foi possível esquecer de todos os problemas, de todas as situações que angustiam e ficar tranquilo, atento, olhando para toda aquela beleza enquanto capturava as imagens em meu Nokia e meu colega discutia sua relação por telefone.


Quando pequeno, eu acreditava na mentira de um pote de ouro escondido numa das pontas do arco-iris e ficava pensando na distância e dificuldade que seria chegar  até lá. Com o tempo, vamos crescendo e descobrindo respostas científicas para estes fenômenos, que por mais que sejam naturais, nos absorve com sentimentos de magia guardadas em nossos registros pessoais da infância ainda vivos. Talvez este, não fosse dos mais bonitos que já vi na minha vida, mas me fez ganhar o dia por conta destas viagens interiores que nos obrigamos fazer nestes momentos.

sábado, 16 de abril de 2011

Perdendo a língua

Foi só eu chegar no Café, cumprimentar a todos e minha língua caiu para debaixo da mesa. Eu acho que ela estava lá, escondida em algumas dobras do tapete e eu sabia que só poderia recupera-la depois que todos saíssem  para a rua. 
Mas o que dizer nestes momentos incômodos que não se tem  o que dizer para pessoas estranhas, num grupo estranho e você é o  único estranho entre todos? Eu deveria seguir a cartilha de bom senso de [Danuza] e ter ficado em casa, assim não perderia minha língua.
Eu tentei fazer um sinal para o garçon, mas ele não  olhava em minha direção. Ele talvez  não quisesse ser cúmplice da missão desagradável de tentar encontrar minha língua e  alcançar-me discretamente por debaixo da mesa.  Por sorte o encontro não demorou além de um taça de vinho e todos seguiram seu rumo ainda cedo. Mesmo sendo um sábado a noite, nada me parecia convidativo nas rua molhadas da cidade.  Segui pelo meio das árvores, entrei no carro e voltei para casa.

Diálogo emprestado 2

Eu ainda tenho um pouco desta coisa de desconfiança, de não me soltar com as pessoas e então erro, erro demais. Acabo confiando em quem não devia e jogando fora o que não devia jogar. Entende?
Ainda falta muito para que eu aprenda certas diferenças, mas não consigo, sou fácil de ser enganada com sorrisos em um pouco de atenção... Ainda não aprendi a jogar esse jogo.

Diálogo emprestado 1

Eu quero aquela lamina mais cara, que não me corte profundamente a pele. Chega de coisas ordinárias! -Disse apontando para o objeto no balcão de vidro.
Isso, aquelas com proteção pra rostos sensíveis e que não deixam marcas depois...
Senão tenho que remendar os buracos de sangue, com um reboco de talco que aprendi. Tudo se aprende nesta vida, né mesmo?..
É a única forma de parar de sangrar, embora eu fique com a cara branca,  parecendo um defunto, mas pronto pra me soltar nesta vida!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lara com Z

Olha, eu juro que tentei!.. Me preparei positivamente depois do banho, com uma xícara de café no  colo, encostado na cama, para dar mais uma chance à Lara com Z, ontem de noite na TV Globo, mas não me convenceu.
Ninguém me tira da cabeça, que Susana Vieira não está interpretando senão ela mesma e que esta história construída por Agnaldo Silva e dirigida por Wolf Maya, falta tudo, principalmente elementos que convença. O encontro de Lara então, com sua arque inimiga dos tempos de escola, Sandra Heibert - atual critica de teatro, interpretada por Eliane  Jardini, foi de doer de tão fraco, infantil e pouco convincente.
Gente, que saudades dos tempos que se assistia Tenda dos Milagres, O tempo e o Vento, Grandes Sertões Veredas, Riacho Doce, Chiquinha Gonzaga, Presença de Anita, A Casa das Sete Mulheres, O Maias, JK e tantas outras mini series que eu corria para não perder um capitulo se quer.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Que decepção!

Eu não sei a opinião da maioria das pessoas, sobre as mini- séries apresentadas pela Globo nestas ultimas semanas, inicio do mês de Abril e que são: Lara com Z, Tapas e Beijos, Macho Man e Divã, todas com atores de primeira grandeza, mas com historias armadas à partir de tablóides previsíveis, repetitivos e sem graça, que não me causaram a simpatia esperada como nas outras mini séries realizadas pela Globo no passado. Eu arriscaria a dizer que talvez Divã reestruturado à partir do filme de mesmo nome e  que conquistou bom público e sucesso, protagonizada por Lília Cabral seja a menos ruim, contando as experiências e adversidades de uma mulher que tenta reconquistar seu espaço emocional e profissional após a separação com a ajuda de seu analista.
Lara com Z, protagonizada por Susana Vieira, é a repetição de tantos outras personagens glamurosas construída para ela e que só trocaram de nome. Acho até que Susana é a própria diva, contando sua história. Eu gosto de trabalho de Susana Vieira, mas acho que já esta na hora de lhe  concederem papeis mais consistentes como os que lhe consagraram como grande atriz.
Macho Man, com Jorge Fernando e Marisa Orth, talvez seja o pior de todos, construído em clichés estereotipados reforçando a ideia de que gays são simplesmente alegres e não tem mais nada na cabeça além de quererem se divertirem. Isto fica bem claro numa das cenas iniciais em que Valéria personagem vivida por Marisa Orth e que não tenho queixas de sua atuação, inicia um dialogo com Zuzu, gay assumido e vivido por Jorge Fernando na mini serie:
_Por que vocês gays são tão animados, o que vocês gays tem que nós não temos?..
_Gays só querem se divertir!..
Zuzu parece um  idiota recheado de gestos  excessivamente efeminados, gritinhos histéricos e danças escandalosas, numa época em que a sociedade gay luta por um reconhecimento  de igualdade de direitos e respeito social. Apesar dos autores terem dito em entrevistas que a mini serie não  tinham a intenção de mudar ou recriar  conceitos, mas  provocar risos, errou pela irresponsabilidade de reforçar o preconceito de que gays não devem ser levados à serio. 
Tapas e Beijos com Andréa Beltrão e Fernanda Torres, parecem seguir a linha das  las locas, onde duas mulheres, colegas de trabalho, numa loja de vestidos de noiva, mantém relações amorosas com homens que não as assumem fazendo-as se meterem nas mais varias  confusões e trapalhadas. Fernanda Torres que é uma excelente atriz, constrói bem estes papeis de mulheres já surtadas por natureza e a beira de um ataque de nervos, como já provou em Os Normais, fazendo o maior sucesso. A Globo não me pareceu ter entrado com pé direito neste ultimo projeto das mine séries brasileiras, espero que tenha algum tempo para retempera-las e causar um diferente sabor aos que apreciam este formato de entretenimento.

Broas de polvilho e mate doce


Logo que eu levantei da cama e me debrucei no parapeito da janela, o dia estava de uma cor verde ictérica, parecendo anormal. Uma cor que eu nunca tinha visto antes e que me deixou intrigado. A chuva logo veio atrás, conforme a previsão dada ontem no jornal da TV. "Chuva, muita chuva em algumas regiões do Sul e Sudeste do país".
Semana passada estive numa cidade no interior do Estado, com casinhas de madeira em estilo da campanha, sobre extensos campos e saindo fumaça de suas chaminés. Eu gostaria de estar hoje por lá, comendo broas de polvilho com mate doce. O resto eu deixo ainda por conta da imaginação...
Eu lembro quando estive em Cambara do Sul, com uma colega, na casa de uma amiga. O fogão à lenha aceso, pinhão assado na chapa, uns dias chovia, no outro fazia frio, banho em chuveiro improvisado, cavalgadas para recolher o gado, as ovelhas, uma simplicidade tamanha que só pode ser traduzida como a melhor qualidade de vida que ainda é possível de se ter acesso.
Faz tanto tempo que eu estive por lá, que quase não lembro do rosto das pessoas que me acolheram, mas o carinho ficou registrado na alma.

Pulga na orelha e borboletas no pensamento

Neste momento, me encontro numa espécie de  recesso ou hibernação emocional para interagir com as pessoas, como se algo me impedisse de me manter leve e a vontade nos  meios sociais por onde circulo. Me ponho camuflado, concordado, repetindo bordões que todos estão acostumados à ouvir, mas que não é o que  eu gostaria de dizer, me submetendo a repetições de idéias ou caindo  em abismos do [é.., pois é...] Será que é isto mesmo que eu estou sentindo ou é apenas cansaço do trabalho, da vida, de mim mesmo?.. Haverá alguma discussão ou poema novo a serem trocados?
Eu acho que  existe vários motivos de fecharmos nossas portas e janelas de acesso interno aos que estão a nossa volta. Primeiro, quando nos fechamos intencionalmente  por razões visíveis e autorizadas por nós mesmos e segundo, quando elas se fecham sem ter um motivo reconhecido e aparentemente sem razão. Me  sinto nas duas situação sem nenhuma justificativa para este impasse.
Este tipo de sentimento parece estar ligado a uma linha fina mas resistente de insatisfações introjetadas, que de uma hora para outra se rompe e volto a me sentir livre, aberto à novas perspectivas emocionais.
Mas independente destas situações comuns a quem respira, a vida mantém o seu ciclo incondicional e foi neste ciclo que se move independente, que ontem recebi um elogio de uma pessoa que eu não esperava receber e que meu colega jurou  ser uma cantada.
Cantada a esta altura do campeonato.., mas por que não?..
Eu sou um tanto lerdo para absorver algumas manifestações inesperadas como a de  ontem, mas também fiquei surpreso por ser clara e direta, me pondo uma pulga atrás da orelha e algumas borboletas no pensamento.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um cadáver no supermercado

O frango à caipira exposto no balcão climatizado do supermercado, me causou tamanha sensação de mal estar, que carreguei aquela imagem por vários dias na cabeça. Além de ser uma ave grande, lembrando de um peru, estava acomodado dentro de uma sacola de plástico, praticamente inteiro. Os  pés, o pescoço, a cabeça com crista e olhos fechados de quem sofreu ao  se entregar ao abate, me dava a impressão de que era um cadáver e não um produto para o consumo. É claro que não deixava de ser um cadáver, mas alguns cuidados tomados com certos padrões estéticos e de apresentação de produtos, são capazes de modificar nossas impressões e conceitos, instigadas por nossos olhares morais; não é mesmo? Em outras palavras quero dizer que alguns distribuidores devem ter a preocupação de  expor seus produtos com uma apresentação que não assustem seus clientes.
Eu lembro de quando trabalhava no bloco cirúrgico do Pronto Socorro, os pacientes que se submetiam a cirurgias, eram posicionados e coberto por panos verdes e grossos, que chamávamos de campos, afim de manter a integridade do paciente e do procedimento cirúrgico, impedindo a proliferação de gemes e do risco de contaminações. Este é um procedimento normal e rotineiro nas salas de cirurgias. Esta proteção com panos (campos), sobre o corpo do paciente, protegia-o de tal forma, que me causava a impressão, e acho que também para quem trabalhava no procedimento, que não era uma pessoa, mas um corpo humano, com partes delimitadas a serem abertas com um bisturi, sem culpas e fricotes morais.
Tudo se tornava mais fácil e emocionalmente impessoal, quando alguns padrões estéticos são adicionados de modo a camuflar impactos visuais, eu pensava.
Aquela ave no supermercado, não estava cortada e embalada adequadamente de forma a atrair  consumidores, mas exposta como um cadáver para possíveis estudos periciais. Foi o que senti quando a avistei no balcão.

O que às vezes, mereço

Eu acabo na maioria das vezes fazendo coisas que me dão prazer sozinho e isto subtrai seu sabor quando não as divido com outras pessoas. Eu fico pensando, [que bom se fulano estivesse aqui, neste momento comigo para...] Mas...
Eu talvez me sinta um solitário ou um completo egoísta me pondo por vezes inseguro em dividir. No fundo eu tenho a preocupação de me mostrar e parecer infantil
Eu mereço doses de café amargo, com bofetadas terapêuticas para me acordar e acertar o prumo. É isto que eu mereço!
Dia desses eu estava com vontade de comer uma farofa com sobras de carne que só minha mãe sabe fazer. Terminei indo para a cozinha fazendo a tal farofa que comi acompanhado com uma garrafa de vinho e assistindo um daqueles filmes que  vi a tempo e bate saudades. Depois pensei que poderia levantar o telefone, ligar para alguém e dizer: Olha, ta afim de uma farofa maravilhosa?... Mas não fiz, fiquei preso em minhas tranqueiras e depois fui dormir contando manchinhas na parede do quarto. Pode?..

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lembranças e suas relações fragmentadas.


Eu vinha no carro ouvindo John Coltrane, quando lembrei de um amigo que gostava de comer cabeças de palitos de fósforos depois de risca-las.
Eu não sei por que lembrei disto, ao olhar para uma sacola xadrez vermelha, sobre o banco do carro.
Ele devorava uma infinidade de cabeças de palitos de fósforos e eu, picolés de groselha que sua mãe vendia para melhorar a renda da família.
Ele só abandonou este hábito, depois de começar a criar um filhote de pombo que caiu do telhado. Ele alimentou este pombo em sua mão, até a ave morrer velha e cega. O pombo nunca aprendeu a comer sozinho e também voar.
É estranho lembrar deste fato, que me parece não possuir nenhuma relação com eu estar voltando pra casa, dirigindo meu carro enquanto ouço John Coltrane e vejo a sacola xadrez vermelha no banco traseiro do carro.
Eu não gosto de pombos com seus olhinhos sinistros  e de palitos de fósforos. Eu gosto de ouvir John Coltrane e de sacolas xadrez. 

domingo, 10 de abril de 2011

DE OLHOS BEM FECHADOS PRA NÃO SE ASSUSTAR.

Seguindo na direção da serra pela estrada de Taquara, a RS-020, quem já não se deparou com uma construção retangular e de aspecto sinistro, com muros altos, cactos em volta e esculturas diabólicas (Gárgulas) sobre o portão de entrada como se fossem demônios vigiando quem se aproxima do lugar?
Já faz algum tempo que passo por ali e sempre me arrepio com a construção que dificilmente passa desapercebida. Quem faria um prédio destes, com um aspecto arquitetônico tão assustador capaz de chamar a atenção e provocar tantas suspeitas ao seu redor e do motivo de sua construção?
Lembro-me do filme, "De Olhos bem fechados" de Stanley Kubrick, onde Tom Cruze é o protagonista e que por uma serie de situações, acaba numa mansão como musico, onde acontece uma seita orgasmática, que envolve toda a sua vida numa história de muito suspense e tensão. Teria este prédio estranho a mesma finalidade, de ponto de encontro para algumas pessoas realizarem cerimonias pouco convencionais como no filme? Por que é tão espaçoso e num lugar tão desértico e de pouca movimentação de pessoas?



Alguns curiosos, já investigaram e postaram tantas coisas na Internet sobre este lugar, mas nada de conclusivo sobre o motivo de sua existência e modelo arquitetônico tão diferente e assustador.
Algumas informações relatam, que se tratava de uma fabrica de piscinas, mas os moradores da região dizem que nunca viram movimento de operários e caminhões. Quanto a sua construção, levou cerca de oito anos para ser acabada e nunca foi contratado qualquer morador da região para trabalhar no lugar. O prédio possui poucas portas e janelas externas, coibindo olhares indiscretos e desconfiam que possui dependências subterrâneas. Uma vez por semana (nas sextas-feiras à noite), vários carros de luxo são recepcionados por alguns funcionários do lugar de forma muito discreta e pouca iluminação. Pesquisas imobiliárias foram realizadas, sem que descobrissem o nome do proprietário do lugar. Uma colega me contou que a algum tempo, saiu uma reportagem na televisão sobre este lugar informando que era uma espécie de templo de adoração  a o demônio, e que não permitiram fotos e gravações de imagens. Eu não encontrei nada à respeito na Internet. É pouco ou quer mais?.. Se isto tudo não basta, pule o muro e depois venha me contar!..

O mundo está ao contrário e ninguem reparou

Eu lembro que já faz muitos anos, desde que assisti esta cena na televisão e fiquei chocado ao ver a Estátua da Liberdade enterrada na areia, sinalizando o fim dos tempos no filme "O Planeta dos Macacos". A Estátua da Liberdade era para mim um símbolo de força, resistência e riqueza, de um país indestrutível e que deu certo.
Eu pensava dentro da minha inocência seduzida pela mentira do capitalismo americano, que nada poderia abalar-los e se assim fosse; imaginem as outras potências que ficavam em segundo, terceiro e quarto plano na escala do poder mundial, comparados aos Estados Unidos? A destruição da maior potência econômica, era inevitavelmente a queda do resto do mundo em efeito dominó.
Numa manhã do dia 11 de Setembro de 2001, quando eu estava de plantão, outra cena de destruição chamaria a atenção dos meus olhos incrédulos, mas desta vez não era a imagem de um filme produzido pela FOX, mas a pura e cruel realidade de outro símbolo de poder sendo atingido e depois vindo abaixo sob o olhar perplexo do mundo.
O atentado terrorista coordenados pela Al-Qaeda de Osama Bin Laden, sequestrou quatro aviões comerciais, fazendo-os colidir intencionalmente contra as torres gêmeas do Word Trade Center em Nova Iorque, centro financeiro americano, além do Pentágono e arredores de Washington. O total de mortos nos ataques foi de 2.996 pessoas, a maioria civis inocentes, fragilizando o poder da grande nação e colocando o resto do mundo de sobre aviso. Depois, surgiram outros retratos da realidade como guerras, terremotos, Tsunamis, contaminações radioativas que só eram vistos na tela do cinema em forma de filmes milionários, para instigar a adrenalina dos espectadores apaixonados pelo gênero. Jamais imaginei que um dia isto faria parte da minha realidade. Tudo às vezes me parece tão irreal, que custo a crer no que estou assistindo, quando ligo no noticiário da TV. Tudo parece uma cena de ficção elaborada em estúdios de gravação cinematográfica. A imagem da Estátua  da Liberdade enterrada, no que sobrou de Nova Iorque no filme "O Planeta dos Macacos, me parece hoje tão possível quanto foi na sua lendária ficção. Eu fico impressionado com tudo isso e lembrando da música do Nando Reis: ["O que está acontecendo?.. O mundo está a o contrário e ninguém reparou...] ["O que está acontecendo?.. Eu estava em paz quando você chegou".]

Jardins floridos e vasos na janela


Descobri que sou um ganhador, quando pensava estar perdendo oportunidades que a vida me oferecia, sem minha devida atenção e reconhecimento. Eu ficava preocupado, como diz uma amiga, de não estar regando adequadamente o meu jardim como devia regar e então, corria o risco de não nascerem flores.
Na verdade eu não tenho espaço para jardins grandiosos, tenho são vasinhos  agrupados no parapeito da janela e que molho quando necessário e me satisfaço por alegrar meus dias, mesmo me dando poucas flores. Isto é o que me basta, saber que não necessito de grandes jardins floridos, por que eles podem ser substituídos por outras coisas talvez menores e que também te dão prazer na vida.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A gangue de vigilantes de bancos

Existe coisa pior do que vigilante em porta giratória de banco, com olhar de desconfiança e superioridade nos impedindo de entrar?
Eles parecem fazer de tudo para complicar e nos colocar em situações comprometedoras diante do publico que fica no aguardo de um grande alvoroço, quando se tenta cruzar uma, duas, três vezes a porta giratória e ela tranca impedindo a passagem. 
Na verdade todos tem vontade de fazer um alvoroço, mas ninguém se sente com coragem de faze-lo e ser taxado de mal educado. Por outro, lado os vigilantes se sentem vitoriosos do outro lado da parede de vidro, donos do impedimento e rindo disfarçadamente enquanto te fazem de bobo.
Eu agora, quase não vou à bancos e quando preciso ir, me preparo pelo menos com um mês de antecedência, tomando banhos de ervas e inalando fumaça de descarregos. 
Quando me deparo com algum olhar de superioridade ou desconfiança, imagino que suas "virilhas fedem" debaixo daqueles uniformes escuros, como a de qualquer simples humano. Este truque me ajuda a desmistificar a ideia de que são superiores e eu um fantoche brigando para ter acesso livre a o que tenho direito de usufruir.

Aracnofobia

Jamais me passou pela cabeça que o Ademir tivesse tanto medo de aranhas, mas ontem ele confessou pra mim e outra colega, durante a troca de plantão o seu pavor, descrevendo detalhadamente esse seu comportamento e ilustrando com muitas historias e fazendo  interpretações teatrais à respeito. 
Eu já sabia do seu medo por cobras e por altura quando fizemos alguns passeios juntos, mas aranhas é algo que pensei que só eu e algumas mulheres histéricas pudessem ter. 
Eu tinha certa vergonha de admitir este meu medo para as pessoas das minhas relações e que elas por alguma vingança ou brincadeira de mal gosto, jogassem este bicho de oito olhos e oito patas em cima de mim, mas depois trabalhei tanto neste medo, que pareceu ter aliviado grande parte do que foi e hoje já consigo até mata-las ou simplesmente deixa-las passar.  
Ter medo de um bicho assim, pode parecer para algumas pessoas tão ridículo, como ter medo de uma formiga ou mariposa, mas ele existe de fato e deve ser respeitado como se fosse um leão.
Os medos às vezes, se parecem com os vícios, a gente pensa que se livrou, mas eles estão apenas adormecidos, esquecidos em nossas gavetas e num certo momento adquirem dimensões que pareciam não mais ter.

A violência de cada dia


O massacre ocorrido na escola Municipal Tasso da Silveira, zona oeste do Rio de Janeiro ontem pela manhã, assim como o atropelamento dos ciclistas no bairro Cidade Baixa em Porto Alegre, Fevereiro passado, me deixou sem saber o que dizer, porem muito chocado e com a certeza de que muito deve ser feito para conter ou diminuir estes processos  crescentes de violência que  vem atingindo a sociedade como um todo.
Mas o que fazer de real e eficiente para conter tudo isto? Será que já estamos no beco sem saída à espera de uma destruição em massa?
O que percebo é que tudo parece ineficiente para erradicar o que carece de uma saída urgente e cuja as  politicas sociais não conseguem acertar. Tudo parece vir se afunilando gradualmente, dia após dia sem resultados positivos e com mecanismos capengas que corrigem de um lado, mas deformam do outro, caindo num ciclo de tentativas intermináveis e sem esperança.
Acho que todos já perceberam, que estamos vivemos dias de gerra e sem a mínima perspectiva de melhora, nestes quadros deprimentes e que parecem não acabar.
Talvez seja imperativo buscarmos nossas próprias saídas, através de uma auto analise pessoal como indivíduos e cidadãos e tentarmos controlar nossas pequenas violências, afim de suprimir pela raiz as grandes e que atingem tantos inocentes.

O segredo das Ursulas

Eu preciso desvendar o segredo das Ursulas, que construí dentro de mim; por que este nome sempre me causou uma desagradável sensação sonora dentro dos meus ouvidos, transformando-se num preconceito que ainda não consegui desfazer.  É verdade!., eu reluto muito contra isto!
Eu não consigo pensar neste nome, sem que me venha na cabeça, a imagem de uma governanta belga, feia e mau humorada à procura de uma vingança por sua infelicidade. Por que belga?.. Nem eu saberia explicar, afinal poderia ter tantas nacionalidades, mas ainda assim, seria uma Ursula cheia de facetes de crueldade e finalidades obscuras. As Ursulas guardam segredos à sete chaves e que não revelam para ninguém.
As Ursulas se escondem atrás de portas semi abertas e num  minuto de distração, surgem das sombras com suas mãos brancas e enrugadas, obrigando-me a comer sementes de linhaça com óleo de fígado de bacalhau, somente por maldade.
As Ursulas sempre me deixaram de pé atrás e ouvidos atentos.
Eu guardei estas impressões em meus alçapões com cortinas de renda rasgadas e moveis empoeirados que não me sinto com coragem de abri-los.
Eu até que tentei, ser amigo de uma, mas ela se revelou a mais amarga e infeliz das mulheres que já conheci.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

AS CRIANÇAS


Estas crianças moram numa barraco que estive hoje prestando atendimento à uma senhora diabética e desnutrida, por falta do que comer. O lugar, não dá nem para lembrar, de tanta pobreza, miséria e desleixo. Eu ficava me cuidando para não enfiar meu pé num dos buracos do assoalho e cair numa ribanceira morro abaixo. Apesar de toda a cena triste de desconforto e pobreza que as envolviam, elas estavam lá, curiosas, atentas, olhinhos brilhantes, no meio de tanta sujeira e quando falei então se poderia fotografa-las para o meu álbum, a alegria das duas floresceram, fazendo até pose para parecerem mais bonitas. Existe uma alegria de viver na infância que deixa nós adultos perplexos e nos perguntando como podem ser felizes vivendo daquele jeito.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mentiras sinceras me interessam

Eu só precisei encostar o carro numa esquina, pegar o celular e fazer um pedido de socorro. Apesar de não fazer estardalhaço, era um pedido de socorro sim.
Eu  necessitei ainda, que me perguntassem como eu estava, para responder de um jeito meio sombrio, que não estava legal e não sabia o porquê me sentia daquele jeito.
Faz muito tempo que venho me sentindo assim e antes que receba acusações, devo informar que tenho consciência de que sou deprimido e meu humor muda tão rápido, quando a cor de um camaleão que se sente ameaçado. Eu me sinto ameaçado e também me camuflo.
Na verdade eu preciso muito mais de artifícios para me livrar destes mal estares emocionais, do que conceitos explicativos de como eles se processam dentro em mim. Eu não preciso de psiquiatra, mas um ilusionista. Eu preciso de desculpas plausíveis para não me sentir o único culpado; Preciso de co-autores e de coadjuvantes para dividir as responsabilidades destes  sentimentos que se criam em mim. [..Mentiras sinceras me interessam..]
Talvez o Sol não tenha brilhado na intensidade que costumava brilhar, nem as árvores tenham se movimentado ao curso do vento como costumavam fazer, parecendo estáticas e sem vida nesta manhã e isto, mesmo não parecendo uma boa desculpa, pode ser uma desculpa para me desestabilizar.
Eu preciso só de alguns minutos para ouvir e ser ouvido, depois eu ligo o carro novamente e vou embora sem culpas.

Sem título

Eu fiquei tentado a fotografar o homem que atendi ontem e sua casa que era pior que um deposito de lixo, mas acabei por desistir. Fazia seis dias que não se alimentava e seu ultimo cardápio tinha sido cascas de batata que arrecadara no lixo de um vizinho. De tão magro e debilitado, era possível contar suas costelas salientes no tórax. Quase não conseguia levantar do que chamava de cama. Me contou ser usuário de crack,  HIV positivo e mais uma infinidade de doenças oportunistas.
Eu quase pedi para fotografa-lo e também sua casa, mas bati em meus princípios éticos e de respeito à privacidade, etc., etc.., que me põe desconfortado para algumas atitudes mais ousadas, como fotografar estas situações lastimáveis a que sou exposto quase que diariamente pelo tipo de trabalho que faço; mas por outro lado, fiquei pensando que seria instrutivo mostrar, a que ponto da vida chega o ser humano, diante da total desistência e abandono, colocando-se no mais alto grau de privação.

Burocratas da moralidade

Tô passado com alguns colegas de cabelos grisalhos e que ficam encostados no portão que as vezes cruzo. Eles falam tantas bobagens e sobre sacanagens alheias. Eles no fundo gostam destas proibições que eles mesmos inventaram e que para outros, pode ser alguns simples recursos para aumentar a felicidade. 
Eles se escondem atrás de suas mascaras de homens de dignidade que criticam e fazem piadas morais, embora abram pequenos fios de possibilidades que os  excitam a cometerem o que eles mesmos  chamam de sujeira. Também não é a toa que não fixam o olhar em ninguém e a nada, com medo de serem flagrados em seus pensamentos silenciosos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vida de cachorro

Quando conheci Bicudo, ele se chamava Rex, mas quando olhei para ele e percebi que um cão daquele porte, pequeno mas entroncado e forte, olhar desconfiado e focinho comprido lembrando  de um tatu ou um Bull Terrier inglês, pensei que ele jamais poderia ter aquele nome, tão simplificado de um cão  franzino e sem personalidade. Foi daí que eu o apelidei de Bicudo e assim ficou, um cão que atende por dois nomes.
Bicudo, não tinha nenhuma namorada, até chegar a Raíssa, uma cadela vira-latas e de pelagem amarela, que como ele, também foi deixada no pátio, onde funciona uma das bases do Samu, na Lomba do Pinheiro. Raíssa tem uma personalidade muito juvenil  e de tão brincalhona que é, só serviu para amizade e despertar o espírito de proteção em Bicudo. 
Acho que eles nunca transaram, embora ele até tentasse!..
Bicudo só despertou sua sexualidade e instinto machista, egoísta e dominador, quando surgiu uma outra cadela, de porte grande e aparência mais velha,  com jeito de experiente na arte da sacanagem, que apelidamos de Cadelona. Na verdade esta outra cadela, não foi muito aceita, pela equipe do Samu, que adotou Bicudo (e que inclusive tem plano de saúde); mas quando ele a viu, transando com outros cachorros que a perseguiam na rua, ele pirou de vez e passou a brigar com cães até maiores do que ele,  para também conquistar seu espaço junto a Cadelona. Inúmeras vezes, ficou desaparecido por dias, causando preocupação e a desconfiança de que  seria encontrado morto, esticado no meio da rua, atropelado por algum carro. Até que voltava todo machucado, magro e com cara de piedoso.
Algumas semanas se passaram, até Bicudo reaparecer com a Cadelona em sua companhia, dentro do pátio. Relação firmada, fazia sexo a todo instante e dava sua casinha de madeira, para a amada dormir, enquanto ele se acomodava em constante vigia ao relento. Dividia sua comida e tinha crises de ciumes quando um outro cachorro se aproximava.
Neste período, até Raíssa  foi esquecida e nem se aproximava do seu espaço de domínio. 
Mas sua paixão não durou para sempre, e um dia até a Cadelona foi deixada de lado e depois rejeitada. Expulsou-a de sua casinha e nem a comida quis mais dividir. Esta semana, Bicudo voltou a dar suas fugidas, não come direito, voltou a emagrecer e surgiu com o corpo todo machucado, provavelmente em luta por uma nova conquista.

CASCATA DA PEDRA BRANCA EM TRÊS FORQUILHAS.


No Sábado pela manhã, dia 02/04/2011, fui fazer o passeio pela Rota do Sol, em direção a Três Forquilhas, cujo roteiro eu havia idealizado no mês passado e que foi adiado em função dos fins de semanas chuvosos. A rota inclusive foi planejada com a ajuda de um colega de trabalho o Eduardo Justin, que foi guarda florestal na região e desenhou um mapa de orientação à mão pra mim,  com algumas referencias de lugares bacanas que eu deveria conhecer, mas que em decorrência do pouco tempo, (um dia apenas), se tornaria difícil de conhecer todos. Tudo é muito bonito lá pra cima e a gente fica tão admirado, que quando percebe as horas já se passaram e não deu tempo pra ver tudo!
Saí em torno das 9 horas da manhã de Viamão pela RS 118, até a BR- 290 (Freeware) em direção à BR-101, com seus dois novos túneis que deram um aspecto de primeiro mundo à  rodovia, depois cheguei na Rota do Sol, que cruza por cima da BR- 101 em forma de um viaduto. A Rota do Sol foi inaugurada em 2007 pelo governo do Estado  se tornando o orgulho do povo gaúcho, depois de uma espera de 38 anos. Neste ponto de acesso da BR 101 para a Rota do Sol é preciso estar atento, pois há pouca sinalização.



De Viamão, até o acesso à Rota do Sol, em Terra de Areia, (ponto de partida  para quem vem do litoral com destino à Serra), são mais ou menos 141 quilometros e  até  Três Forquilhas mais 7,3 quilômetros de rodovia com asfalto liso, bem sinalizado e alguns controladores de velocidade.
Entre tantas placas na Rota do Sol, uma indicava o acesso à Três Forquilhas e a  Cascata da Pedra Branca, na altura do quilômetro 58, que eu tinha curiosidade de conhecer.


Três Forquilhas é uma cidade pequena, limpa, de aspecto organizado e com uma igreja matriz na área central, como qualquer outra cidade do interior do Rio Grande do Sul.  Sua economia baseia-se principalmente no cultivo de hortifrutigranjeiros,  em pequenas propriedades locais e sua formação étnica, é basicamente de descendentes de origens alemãs, açorianos, portugueses, italianos e uma pequena parcela de índios e africanos (que eu não vi pelo caminho). 

Para se chegar a cascata é necessário entrar no centro da cidade e seguir em direção a área mais rural, margeando-se o rio, até a parte mais isolada, no meio da mata preservada e com imensos paredões de pedra visíveis à uma certa distancia. A estrada é de terra e em alguns pontos pedregosa  ficando à cerca de 30 quilômetros do centro da cidade. As informações para se chegar são desencontradas, pois não existe sinalizações e cada morador informa uma distancia diferente. O jeito é ir parando, perguntando e observando o rio sempre a esquerda, até o momento em que a estrada acaba, obrigando a  cruzar para o outro lado, numa pequena ponte sobre rio. Neste momento o rio fica à nossa direita. Anda-se mais uns dois ou três quilômetros pelas encostas do morro até chegar.


Na medida em que vai-se aproximando da cascata, a paisagem vai ficando mais selvagem, o rio mais limpo e turbulento e a estrada mais pedregosa e úmida, propiciando sem a devida atenção, do carro atolar ou derrapar sobre o barro e pedras soltas na estrada.


Em cada canto que a gente para, em contemplação à natureza é posivel se surpreender, se admirar e se encantar com a beleza de um lugar,  que nos remete a simplicidade, bucolismo e inocência de uma cidade do interior,  como esta Ponte Pênsil, escondida sobre a mata e que cruza o rio até a outro lado da margem. A ponte é feita de madeira e fios de aço, mas quando subi sobre ela começou a rangir como se a qualquer momento fosse rebentar.

Depois deste ponto, já no carro, passei por uma estrada coberta de folhas azuis, que ao chegar mais perto, pude observar se tratarem de borboletas. Elas estavam sobre a estrada úmida e quando me aproximei, alçaram voo em direção as árvores, que formavam um túnel natural sobre a rústica estrada vazia.

Mais adiante, onde o carro já não podia mais subir, à cerca de uns 100 metros de distancia, a Cascata da Pedra Branca, esculpida pela natureza, saltava de uma altura de 110 metros por entre os paredões rochosos de uma pedra com manchas branca e que possivelmente seja esta a razão de seu nome. Estas pedras também se espalhavam por todo o leito do rio turbulento.

Sua visualização é algo fora do comum e de muita beleza, talvez por isto, eu tenha sentido um certo receio de me aproximar de sua base, onde forma uma piscina de aguas revoltas, que eu desconheço a profundidade e não arriscaria tomar banho. Mas mesmo não entrando na piscina, se chega muito perto da cascata, que salpica todo o nosso corpo, com água  e a sua volta, forma-se uma especie de nevoa muito fina e gelada.


O deslumbre por sua beleza é tão grande, que não dá  vontade de ir embora, mas apenas ficar ali, olhando e ouvindo o ruído de sua força, raspando os paredões de pedra e transformando-se num rio selvagem e turbulento que desce montanha abaixo formando  os braços do Rio Três Forquilhas que deságua na Lagoa Itapéva e dos Quadros ao lado da BR-101. A mata ao redor é coberta por um tipo de samambaia gigantesca que cresce nas partes mais altas da beira da estrada e que eu acredito ser encontrada somente neste lugar de muita umidade.



De lá, fiz o caminho de volta retornando à Rota do Sol no sentido a cidade de Tainhas, cruzando por novos túneis e viadutos cujo a altura é de tirar o fôlego e onde se tem uma visão privilegiada  da serra, inacreditavelmente bela.

Ainda na estrada, pode-se encontrar alguns estabelecimentos e quiosques que vendem produtos coloniais, como pães, biscoitos, queijos, mel, rapaduras, doces, licores, salames, etc., alem de restaurantes e estabelecimentos que oferecem cafés coloniais. Cheguei em São Francisco de Paula já à noite, com a intensão de retornar para casa pelo município de Taquara, via RS 020.

Bem, todo o passeio foi compensador e de muita beleza, mas o ponto alto, sem sombra de dúvidas, foi a Cascata da Pedra Branca, que um dia pretendo fazer outra visita, pela impressionante sensação de liberdade, imponência e misticidade que me causou.

 


sábado, 2 de abril de 2011

Fruta azeda

Na adolescência, quando eu  fazia algo de errado, sentia uma espécie de arrepio que me doía o canto da boca, algo parecido com a sensação de comer uma fruta muito azeda onde a língua ficava áspera e um gosto desagradável se espalhava por toda a boca...
Um dia ouvi meu pai dizer que só aceitaria dentro da sua casa, pessoas com cigarros na boca, se pudessem sustentar o seu próprio vicio. A palavra "sustentar", tinha pra mim um peso muito grande, um peso que elevava qualquer pessoa à uma categoria de poder e liberdade, de ser dono de seu próprio nariz. Então passei a fumar escondido dele com alguns amigos de rua, sentindo este arrepio desconfortavel. Depois veio o vicio, o primeiro trabalho com a falsa sensação de "sustentar-se", mas a liberdade de fato, ainda estou atrás.
Meu pai nunca foi, nem poderia ser referencia positiva para ninguém; Era analfabeto, alcoolatra, ausente, incapaz de manifestar qualquer tipo de carinho aos filhos e na maioria das vezes apresentava  atitudes de desvio de carácter, herdado de sua educação cheia de preconceitos, traumas e desafetos. Um dia eu jurei pra mim mesmo, nem de perto, ser parecido com ele, embora eu seguisse caminhos que buscassem a sua aprovação.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pequenos algozes

Aos onze e dez anos de idade, eu me minha irmã, éramos as crianças mais cruéis da rua onde morávamos. Atraíamos a atenção de alguns amiguinhos da vizinhança para o nosso pátio e torturávamos somente para sentir prazer. Claro que pegávamos os mais franzinos e inocentes que aceitavam nossos convites para brincar, curiosos com a nossa mentira de um brinquedo novo.  
Levávamos a vitima para o fundo do pátio, vendávamos seus olhos, amarrávamos seus pés e braços nas goiabeiras e daí iniciávamos as seções compostas de puxões de cabelos, beliscões, formigas nos pés, comer frutos podres caídos das árvores e banhos de agua fria. 
Inventávamos uma história qualquer que só nos sabíamos e então motivávamos as torturas fazendo perguntas insistentes que a vitima evidentemente não saberia responder. Quando a soltávamos, alertávamos que se falassem alguma coisa para alguém, da próxima vez seria pior, muito pior!
Um dia minha irmã veio com a história de que poderíamos ser presos se fossemos descobertos e achava que deveríamos parar de vez.  Então por medo, deixamos nossos dias de criminalidade de lado. Na verdade não tínhamos nenhum conhecimento ou orientação moral sobre este tipo de violência e seus malefícios, embora soubéssemos que estávamos fazendo algo errado e que poderíamos ser punidos por isto.

LAGRIMA SOLITÁRIA.


Lágrima solitária é aquela que escorre do olho, sem que se  saiba o motivo pela qual está escorrendo, por que faz parte de mecanismos autônomos, do qual  não se tem nenhum controle sobre eles.
É como se nossas próprias entranhas estivessem chorando por nós, em soluços incontroláveis e nos emprestando uma profunda e amarga tristeza.
Depois que tudo passa e ficamos mais aliviados, basta apenas fingir que nos emocionamos com alguma cena da novela das nove e esperar por um próximo capítulo.

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