segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Imprevistos batem em qualquer porta.

A desagradavel noticia de que Lula contraiu um câncer de laringe, abalou a mim e grande parte dos brasileiros deste país e reafirmando que este tipo de desgraceira, bate na porta de qualquer pessoa, independente de sua importância social, politica e financeira. O tumor maligno com dimensão entre 2 e 3 centímetros, divulgado pela imprensa, está localizado próximo das cordas vocais, na parte superior da laringe, que segundo informações do hospital, estaria restrito à laringe,  sem metástase, (quando o tumor se espalha por outras regiões).
Eu fico pensando, que existe uma face de nossas vidas em que nada de grave parece nos acontecer, dando a impressão de que somos imunes a qualquer coisa e de uma hora para outra, este panorama muda radicalmente, provando o quanto somos suscetíveis a estes imprevistos, causados por nossos mal hábitos durante a vida e que vão se somando com o passar do tempo, com o avanço da idade.
Lula vinha apresentando rouquidão e dores de garganta há mais de duas semanas quando foi aconselhado por um médico e amigo, a ir ao hospital para fazer exames. Uma tomografia no pescoço, apontou o tumor que deverá ser tratado com sessões de quimio e radioterapia sem necessidade de internação.
Eu espero e desejo que ele se saia bem e tenha muita sorte na previsão dada por seu medico de que as chances de recuperação são próximas de 90% quando o câncer é diagnosticado precocemente, como no caso de Lula. 

Os Armandos.

Algumas pessoas possuem um rosto que não combina com seu nome de batismo e lhe caem inapropriado, irreal e eu fico me debatendo de surpresa, em silencio, sem deixar pistas, com esta idéia cada vez que me é apresentada, sentindo intimamente que são falsas. 
Esta semana fui apresentado para um cara chamado Armando cujo o rosto branco, parecendo de cera e os olhos puxados de oriental, lhe conferiam uma expressão de tristeza e submissão. Pra mim, qualquer pessoa com aquela expressão não teria o nome de Armando, mas ele tinha. Seu rosto fecharia mais como Tiago, Lucas, Marcio, sei lá, qualquer coisa que lembrasse fragilidade. Os Armandos, me perecem mais imediatistas e abertos, mais ousados na forma de estabelecerem contato com outras pessoas, mais dinâmicos no temperamento social, sem se parecerem desprotegidos e convenientes como este que conheci. Terei uma grande surpresa se algum dia ele me mostrar que não é nada disto, fazendo este meu preconceito cair definitivamente por terra. Enquanto isto não acontece, vivo esquecendo do seu nome, cada vez que o vejo ou vem falar comigo.

Interações necessárias

Estou feliz, mas muito feliz com a possibilidade de voltar a viajar com meu filho. Na verdade esta possibilidade vai virar realidade nos próximos dias e acredito que nos divertiremos demais.  Estou realmente acreditando que somos muito parecidos interiormente como ele mesmo diz; Embora existam entraves em mim que eu não gostaria que ele herdasse.

sábado, 29 de outubro de 2011

Dura na Queda 2




Eu fiz um post aqui no blog dia 27 com o título de "Dura na Queda", que fala sobre a minha impressão de que a musica de mesmo nome, composta por Chico, me parecia ter sido feita para Elza Soares cantar, que a musica cabia para ela, para sua vida, como uma luva de pelica. Esta sensação ocorreu depois de vê-la cantar a musica magnificamente num vídeo postado no Youtube de seu show "Do cóccix até o pescoço"- de 2002.
Hoje relendo novamente a letra da musica, encontrei este outro site: http://www.chicobuarque.com.br/letras/notas/n_dqueda.htm, que se trata de uma parte da entrevista dada por Chico Buarque e que fecha com o que suspeitei.
Transfiro aqui em baixo, parte desta entrevista:
Ricardo Leite - Tem muita música sua que você tenha gravado e nunca lançado? Existem muitos autores que vão lá, gravam quinze músicas e lançam dez... Você tem essas sobras?
Chico - Sabe, eu ia dizer que não, mas lembrei agora de uma história do meu último disco. Eu estava com ele quase pronto e fiquei cismado com uma música, achando que alguma coisa estava errada, que eu não iria conseguir cantar. O disco já estava com o prazo estourado e no limite do número de músicas. Mesmo assim eu tirei essa e compus outra. Aquela ficou guardada, pra ser retomada um dia, aquela coisa. A letra repetia um pouquinho uma letra de uma música minha antiga, chamada Ela Desatinou. Era um 'Ela Desatinou 2'. Aí, olha que engraçado: eu estava em Londres fazendo um show e encontrei Elza Soares. Quando ela me encontrava, cantava [imita] "Elzaaaa desatinooou..." Ela fazia essa graça, e tal... Algum tempo depois, chega aqui uma produtora que queria fazer um musical sobre a vida da Elza Soares. Sentou aqui mesmo, onde a gente está, e me pediu uma música pro show. Eu disse pra ela que eu não tinha a música, que eu tinha terminado um show, que não ia dar tempo de compor... aí de repente eu lembrei: "Peraí, eu já fiz essa música pra Elza, sem saber!" Eu tirei ela do meu disco porque não era pra eu cantar, era pra Elza cantar. E ela gravou. O engraçado é que o titulo da música era Dura na Queda, e a Elza tinha acabado de despencar do palco... Parecia realmente feita pra ela, e foi.

Jogando pedras no rio

Ele tem diante de si um rio do qual decide diariamente jogar pedras gigantescas, para vê-lo agitado, turbulento, alterando assim a rota normal e tranquila das águas. Utiliza isto para desconstrução dos próprios sentimentos ternos e de delicadeza que lhe sobraram. 
Existe um monstro em seu interior que se satisfaz com o sofrimento daqueles que o amam, por isto rouba lagrimas a todo o instante e aprisiona almas com esmerado prazer. Isto o faz sentir-se gigante e poderoso, controlador das situações que já perdeu o controle; Mente pra si mesmo. 
Ele não vive mais a normalidade dos dias, caminha sobre nuvens de sonhos egoístas e único, agoniza em seus medos acreditando estar sentindo prazer. Mas olhando de perto, não muito perto para não ser devorado, eu acho até que algumas de suas vitimas o merece por se deixarem seduzir por algo tão obvio e de pouca credibilidade.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Dura na Queda.





Da mesma forma que a musica "Tigresa" composta por Caetano Veloso, até hoje me faz lembra de Sônia Braga, "Dura Na Queda" de Chico Buarque parece ter sido composta para Elza Soares.
Eu cresci ao lado de pessoas que por puro preconceito não gostavam dela. Achavam-na escrachada, vulgar, perigosa e mudavam de estação quando ouviam sua voz grave e rouca cantar com tamanha potencia e irreverencia. Eu pessoalmente sempre fui um admirador incondicional de seu talento e de sua postura de mulher corajosa, que foi descriminada durante grande parte da vida sobrevivendo a duras penas.
O texto de Tatiana Cavalcante que é resultado de uma entrevista concedida por Elza após um Show com temporada no Bar Brahma, em 2009-São Paulo e que pode ser lido AQUI, descreve um pouco do que foi sua difícil trajetória de vida.
Elza tem hoje 73 anos, nasceu numa favela do Rio de Janeiro, sofreu com a miséria e a morte de entes queridos, mas superou tudo. Recebeu indicações ao GRAMMY Awards e também foi eleita pela BBC de Londres a cantora do milênio. É claro, que com todo este histórico de vida, ela é dura na queda
Aqui está a letra da musica:

Perdida na avenida, canta seu enredo, fora do carnaval.
Perdeu a saia, perdeu o emprego, desfila natural.
Esquinas, mil buzinas, imagina orquestras, samba no chafariz.
Viva a folia, a dor não presta, felicidade, sim.
O sol ensolará a estrada dela. A lua alumiará o mar.
A vida é bela.
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...
O sol ensolará a estrada dela.
A lua alumiará o mar.
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...
Bambeia, cambaleia.
É dura na queda. Custa a cair em si.
Largou família, bebeu veneno e vai morrer de rir.
Vagueia, devaneia
Já apanhou à beça.
Mas para quem sabe olhar a flor também é ferida aberta
E não se vê chorar.
O sol ensolará a estrada dela.
A lua alumiará o mar.
A vida é bela. O sol, a estrada amarela.
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...
O sol ensolará a estrada dela.
A lua alumiará o mar.
A vida é bela. O sol, a estrada amarela.
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Elo


Ontem à noite assisti a entrevista de Maria Rita no programa de Jô Soares, para divulgação de seu novo CD Elo, fruto de apresentações no interior do Brasil e também no exterior a mais de um ano. Deu uma canjinha do seu mais recente trabalho apresentando três canções novas incluídas no repertorio já conhecido dos outros shows. 
Maria Rita me parecia mais a vontade no programa, o que não senti em outras entrevistas apresentadas na TV, onde dava a sensação de um certo desconforto a o falar de sua vida e de seus trabalhos anteriores. Devo confessar que eu sentia uma especie de inibição a o vê-la dar entrevistas, como se não estivesse por inteira, armada, tensa, causando-me também desconforto e um tipo de inibição , forçando-me a gostar mais de seu trabalho como cantora do que da sua postura pessoal. Este sabor agridoce eu também sentia com relação a sua mãe Elis Regina, que decididamente era ainda mais intenso, mostrando-me mais tarde o excesso de responsabilidade que jogamos nas costas de nossos artistas, achando que eles são sobre humanos ou produtos de consumo à serviço de nossos gostos.


Maria Rita desde o inicio de sua carreira evitou falar ou fazer comparações de seu trabalho com o de sua mãe, o que é compreensível mas também inevitável, causando-me até a desconfiança de que esta postura não se restringia somente à comparações técnicas, mas questões de caráter emocionais não resolvidos. De qualquer forma o comentário de Jô Soares, ontem, sobre sua relação profissional e de amizade com Elis, fez Maria Rita emocionar-se por alguns minutos e a gente também.

domingo, 23 de outubro de 2011

Os talentos nos duetos

Eu nunca tive duvidas de que Amy Winehouse era uma das melhores cantoras que surgiu nas ultimas intra-safras de cantoras Pop, quando lançou seu primeiro álbum de estúdio chamado "Frank", depois o segundo "Back to Black", aclamado pela critica e consagrando-a como uma celebridade , nem seria pelo fato de hoje estar morta que eu a elegeria a melhor. O ser humano tem por hábito endeusar não só os artistas, como qualquer outra pessoa que partiram desta para a melhor, como se a morte apagasse todos os erros que cometessem durante a vida.
Hoje eu estava revendo o vídeo de Amy em dueto com Tony Bennett e lastimei a perda de sua vida com todo o seu talento para as drogas.
Depois assisti a outro vídeo-dueto, com Lady Gaga que também esta maravilhosa com seus cabelos azuis ao lado de Tony Bennett. Não sei por que criei tanto preconceito em torno de Lady Gaga, achando que as performances que usa em suas apresentações e o tipo de musica que canta, não combina com o meu gosto musical, ao contrario de Amy, do qual não sentia isto. Puro preconceito, bobagem minha!

No panelão de sopa.

Quando olhamos no fundo do olho de algumas pessoas, percebemos o caminho que elas decidiram tomar, mesmo a gente não concordando com ele. Não tem choro nem vela, por mais que pensemos na possibilidade de alterar-lo, apontando novos rumos, isto quase sempre, não é possível: A decisão já foi tomada, introjetada por forças inconscientes e acolhida pelo destino traçado lá na frente. É quando percebemos nossa impossibilidade de influenciar, de mudar opiniões e então nos calamos,  parecendo legumes de cores, tamanhos e sabores diferentes boiando numa grande panela de sopa, prontos para sermos devorados quando estivermos no ponto. Frágeis legumes de pouca influencia sobre as escolhas e decisões alheias.
Não estou tentando criar nenhuma verdade filosófica, (nem sei se isto é possível aqui e agora e se tenho capacidade pra isto), mas em algum momento estamos em pontas opostas, sendo ora observadores, ora observados no fundo de nosso olho, ao tomarmos decisões pessoais pouco convencional aos moldes sociais. Me sinto agora, como um legume.

sábado, 22 de outubro de 2011

Dá um tempo!..

Tenho lutado por minha licença premio a mais de três anos, mas ontem assinei-a sob protesto e alguma pressão, por não fazer horas extras conforme as necessidades do serviço, que muito já fiz e foi convenientemente esquecido. 
Ora o serviço tem suas necessidades e eu as minhas, que neste momento  urge de algum tempo de lazer ao que me sobrou de energia por tanto tempo sendo esmagada pelas deficiências da maquina publica e administrativa. 
São mais de 120 dias de licença vencida para pleitear no mínimo 30 dias e ganhar apenas 15 dias. Faça-me o favor; Dá um tempo!
Eu fico me perguntando o porquê de tanta concorrência para entrar no serviço publico, se uma das poucas vantagens que sobrou foi a estabilidade (ainda não derrubada), e o resto vem caindo gradativamente a cada mandato que passa, (conforme a corda vai apertando no pescoço de cada administrador). 
Poucas são as estatais que oferecem hoje, aos seus servidores tratamento diferenciado a que eles tem direitos constitucionais. Os direitos são cada vez menores em relação aos deveres.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tá tudo devagar.

Para um vôo alto e distante é necessário aparar delicadamente a ponta das asas, ficar de ouvidos atentos e sensível à todas as formas de comunicação; inclusive as internas e silenciosas. Precisa-se distensionar, buscar recursos dentro e fora.
Hoje o mundo está parecendo rodar em slow motion e em certos momentos no sentido contrario. As ligações não retornaram e eu pareço estar de mãos atadas a espera de um sim ou um não. Desde às dez no telefone, tentando e nada, parecendo que estou mendigando um favor, mas que pagarei com juros e correção monetária. Tanta coisa ainda para resolver e nada e eu sem querer levantar a bunda do sofá, me recuso. Penso melhor com ela relaxada.
Minha avó disse certa vez, que quando nos sentimos assim, devemos dobrar meias na gaveta, já que permanecer com ideias fixas, só nos levam ao descontrole e desejos do tipo homicídio em massa. Por algum tempo eu pensava que o sangue que corria nas veias de minha avó, não fosse vermelho, mas de um verde fosforescente como a luz dos vaga-lumes e eu estava certo, mais do que certo.

Cisco.



Gosto de frases curtas cuja a ideia que transmitem ao serem ouvidas, são fortes, grandes, profundas, com sentido, emocionalmente pessoais. Não precisam de muitos elementos gramaticais para se fazerem entendíveis, batendo em minhas emoções e na vivencia obvia do dia a dia, dos gestos simples, transformada em poesia ou versos combinados de bom gosto.
Lembro quando ouvi "Diariamente" de Nando Reis, na voz de Marisa Monte e achei a musica tão delicada e criativa que fiquei por semanas ouvindo-a.
Por esses dias me identifiquei com "Cisco" de Zeca Beleiro e Carlos Careqa, belamente interpretada por Thays Gulin, cantora Curitibana de voz doce e afinadíssima que lançou seu segundo CD- "Oooooooo" em 2011 pela Som Livre.
A musica a que me refiro, está na oitava faixa do primeiro CD- Thays Gulin de 2006, ao lado de outras composições de Zé Ramalho, Chico Buarque, Nelson Sargento, Tom Zé, Arrigo Barnabé, Otto, Jards Macalé, Evaldo Gouveia, Jair Amorim e Anelis Assumpção, arranjadas com muito bom gosto por Fernando Moura na construção do disco.


Veja a letra da musica:

Cisco no olho, pisco
Carne no dente, mordo
Água no leito, chovo
Molho na tela, tremo

Vida no ralo, morro
Fruta no talo, como
Corte no pulso, sangro

Sangue na veia, pulso
Medo do escuro, grito
Luz no inferno, canto
Flores no escuro, claro
Rato no queijo branco

Água na bica, banho
Boca na boca, sugo
Calo no pé, danço
Couro na brasa, queimo


Disco no prato, risco
Bala na agulha, tiro
Papa na língua, calo
Vela ao vento singro

Faca no peito, cravo
Cravo num terno lindo
Fruta no prato fundo
Vinho na taça, brindo

Cego, mas sigo
Vou só, só comigo




E aí.., larari, larara...

Tá bom, eu não falo só para os 17 que me seguem aqui, mas aos que ficam no anonimato e também para as dezenas que moram em mim e me revelam coisas diariamente. Eu não tenho medo da minha complexidade, nem vergonha de parecer perdido. Eu já nasci perdido, somente aprimorei a mentira de parecer resolvido! Mas acontece que eu saí por aí; E aí.., la ra ri..,  la ra ri..,  la ra ri..,  la ra ra,  la ra ra...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Tenho andado de...

...olhos pequenos e isto não é legal. Até a vendedora simpática das Lojas Renner me chamou a atenção sobre esta minha expressão no mês passado, claro, com muita delicadeza. Ouvi dizer, não por ela, que o forçado aperto de pálpebras, é para esconder a alma não só dos outros, mas da gente mesmo. Será que isto é mesmo verdade? Fiquei tímido com sua observação espontânea.
A verdade é que ando muito cansado, desanimado, com muitos planos para este mês de Novembro, mas com pouco entusiasmo para dar segmento nestes projetos pessoais, já algum tempo sonhado.
Tenho ido a muitos espetáculos, passeios, bate papos, mas isto não esta sendo o suficiente para que meus olhos se abram e se iluminem. Eu já notei duas coisas em mim que tem se alterado muito nestes últimos meses, minha resistência física e meu olhos. De qualquer forma sucumbir ou levitar é sempre uma decisão pessoal e solitária.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Azia.

Era esta palavra que eu queria lembrar antes de ontem para expressar o que eu estava sentindo, mas não me vinha a cabeça: Azia, é isto! Eu ganhei um bolinho de batata com carne moída que tomei com café e foi o caos. De repente comecei a sentir uma pequena ardência abaixo da garganta que me causou preocupação. 
É assim que começa, uma pequena irritabilidade na garganta e vai piorando até que todo o tubo digestivo fica irritado e ardendo sem parar. 
É assim que a azia se manifesta em mim, como um inimigo disfarçado e que aparentemente não quer nada por que bateu na porta errada e na segunda oportunidade, vem com tudo. Pior, eu sem nenhum remédio em casa para melhorar.
Pensei em encher um copo de leite e espremer meio tubo de creme dental, se funcionasse no outro dia eu venderia a patente da descoberta. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Alice não mora mais aqui

Alice não mora mais aqui, mudou-se na semana passada silenciosamente, sem que eu e os outros soubessem a o certo que rumo seguira na vida. Isto também não importa, quando morava aqui em baixo, quase não fazia ruídos, escondia-se dentro de si, dando a impressão de que já havia se mudado para algum lugar secreto sem avisar a ninguém. 
De qualquer forma, seus gatos adotados ficaram soltos, perdidos pela rua, enroscando-se em pernas estranhas, esperando a ração dada todas as manhãs e fim de tarde na calçada. 
Os gatos não a seguiram, gatos não se adaptam a novos ambientes sem terem certeza de que são realmente amados, são orgulhosos de sua liberdade sobre telhados. Ou será que não foram convidados a partirem com ela? Alice devia saber disto, por isto não os levou consigo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

JAQUIRANA, A CIGARRA CANTADEIRA

Como não ficar curioso com um lugar cujo o nome significa cigarra cantadeira e apresenta  tantas belezas naturais como: Mata nativa, rios turbulentos que viram cascatas que despencam por entre as rochas, lajeados que se pode trafegar de carro por cima das águas, uma igreja toda construída de madeira que dispensa maiores comentários?..



Meu destino neste fim de semana, foi a cidade de Jaquirana localizada à 209 quilômetros de Porto Alegre e que eu estava curioso para conhecer. 
Desde que realizei o passeio no feriado da Semana Farroupilha com um grupo de amigos à Bom Jesus, São José dos Ausentes, Cambará do Sul e que postei aqui no blog com o título de "Montenegro o pico mais alto do RS", Jaquirana localizada entre as três cidades visitadas, não me saiu mais da cabeça, ficou como uma lacuna a ser preenchida, um lugar de muitas referencias em belezas naturais e que não foi conhecido pela falta de tempo disponível, tornando-se naquele momento apenas um ponto de passagem que lamentei não conhecer, mas prometi retornar.
Participaram deste passeio em Jaquirana, além de mim, Athos e Rosane, já que os outros participantes, das aventuras anteriores, tinham compromissos marcados nesta data. 
Saímos de PoA em torno das 9h30min., paramos em São Francisco de Paula para almoçarmos no Restaurante "Sabor da Serra" às 11h52min. e seguimos viagem até Jaquirana no único acesso à esquerda antes de entrar em Cambará do Sul.

 
Sábado 15/10:

JAQUIRANA: 
É uma cidade pequena e tranqüila, perfeita para descansar e curtir as belezas naturais da região como cachoeiras, altiplanos, trilhas ecológicas, passeios à cavalo ou mesmo apreciar a vida simples e pacata de seus moradores em pequenas vilas e fazendas à beira da estrada separadas por taipas e alguns cemitérios de família no fundo dos quintais. O gado pastando sobre os vastos Campos de Cima da Serra, de um verde inigualável e de beleza bucólica e singular.

SIGNIFICADO DO NOME:
O nome Jaquirana, tem origem indígena e significa Cigarra cantadeira, "Ya qui rana" na língua tupi-guarani. Os primeiros habitantes da região, foram os índios Caáguas, antes da chegada dos colonizadores alemães e italianos que iniciaram o plantio e comercialização do setor madeireiro, existente até hoje.


Decidimos fazer o percurso por via Cambará do Sul, uma vez que tínhamos interesse em visitar a Cascata dos Venâncios e o Passo do S com localização mais próxima desta cidade, embora com a estrada de chão sabidamente em precárias condições de tráfego, até o nosso primeiro destino.


VILAS BARRACÃO E DOIS IRMÃOS:
Cruzamos por algumas vilas como a do Barrocão e Dois Irmão que na sua mais pura simplicidade, são capazes de exibir sem qualquer visão poética, o verdadeiro retrato de um povoado do interior com suas belezas, mas possivelmente com dificuldades em buscar os recursos básicos como saúde em função da distancia em buscar recursos.


CASCATA DOS VENÂNCIOS:
Passando pelas duas vilas citadas acima, são mais ou menos 13 quilômetros até a Fazenda Cachoeira, localizada Do lado direito da estrada e bem sinalizada. A cascata fica dentro da fazenda onde se percorre mais ou menos 2 quilômetros até ela. O local ainda é pouco frequentado, o que o torna ainda mais atraente. É cobrado ingresso de R$ 5,00 por pessoa, já que se trata de uma área particular.


O dono ou administrador da fazenda, traz consigo uma planilha, onde anota o nome dos visitantes e a placa do veiculo para controle; oferece também produtos coloniais como queijos, pães, linguiças, alem de água mineral, refrigerantes e cerveja. O acesso de carro é razoável e existe a possibilidade de acampar, porem sem nenhuma estrutura como banheiros, luz elétrica, rede de água e esgoto. No espaço próprio para o banho de rio, cascata e acampamentos, as arvores são todas catalogadas e possui alguns recipientes para a coleta de lixo.


As cascatas são muito bonitas e é o resultado da vazão do Rio Camisas que formam 4 quedas deslumbrantes, cada uma maior que a outra, na medida em que vão descendo o vale, cercado de muitas pedras e mata nativa, causando uma sensação indescritível de paz e interação com a natureza absolutamente preservada.


Estando lá, decididamente não se percebia o tempo passar diante do ruido da água batendo nas pedras, do vento que soprava delicadamente entre a densa mata e alguns pássaros que sobrevoavam em busca de alimentos; Alguns desconfiados com a nossa presença.


Depois de algumas horas, admirando a inegável beleza da Cascata dos Venâncios, decidimos seguir caminho para o Passo do S, quando percebemos que por pura distração, já havíamos passado da entrada para seu acesso, então fomos em busca de uma pousada para garantirmos nosso descanso e voltarmos no dia seguinte.


A POUSADA:
A Pousada de nossa escolha foi a Cantina Koraleski, na mesma estrada onde trafegávamos, (Rua São José-877), a aproximadamente uns 200 metros de distancia do centro da cidade. Administrada por um casal muito simpático de Caxias do Sul, (dona Mary e Sr. Clóvis), que se instalaram em Jaquirana há 14 anos e construíram a cantina.


Nos instalamos num quarto com uma das parede e outros detalhes decorativos de cor vermelho, que dona Mary chamava orgulhosamente de o quarto da Paixão.
Apesar de pequena, a cidade oferece varias opções de hospedagem para quem deseja permanecer nela por mais tempo, ou pelo menos uma noite como foi o nosso caso, uma vez que costuma fazer muito frio nesta região quando anoitece.
Tão logo acomodamos nossos pertences na Pousada, fomos até o centro da cidade e já localizamos a praça central com esta simpática escultura, que parece uma miniatura de trem com rodas de carreta, lembrando algum brinquedo infantil.


O QUE VER NO CENTRO DA CIDADE:
O centro da cidade, não deve passar de duas ou três quadras, onde encontram-se um pequeno supermercado, o posto de gasolina, o hospital, a igreja, uma lan house, um clube social onde deve acontecer festas, bailes, uma agropecuária e duas ou três lojinhas de artigos femininos.


O ponto mais movimentado da cidade, o point, fica no único posto de gasolina, onde circulam caminhoneiros que ali se aglomeram numa lancheria, enquanto aguardam o tempo para talvez seguirem suas viagens. São caminhões de vários tamanhos e modelos, alguns carregados de madeiras, outros vazio como este da foto abaixo, que apelidei de Bat caminhão por lembrar de certa forma, o carro do Batman.


IGREJA MATRIZ SÃO SEBASTIÃO:
Logo em frente da praça, fica a igreja Matriz, toda construída em madeira, datada de 1948 em estilo barroco português, possuindo em seu interior a imagem de São Sebastião, também em madeira, trazida da Espanha.


MONUMENTO AO CRISTO LIBERTADOR:
Há duas quadras da praça, uma escadaria branca, leva ao Morro da Cruz, onde está localizado um monumento chamado de Cristo Libertador. São 167 degraus até o monumento exigindo média resistência física. Para quem não possui ou não quer se cansar, é possível chegar de carro por um acesso na rua atras do morro.


Lá de cima é possível ser presenteado com uma visão belíssima de parte da cidade e todas as ondulações de morros e coxilhas características desta região.


TRINCHEIRA DA REVOLUÇÃO:
Além do monumento, existe sobre o Morro da Cruz, uma trincheira que serviu de refugio na revolução de 1923. Esta Trincheira é caracterizada por três orifícios escavados na terra e servia de esconderijo aos Chimangos na revolução contra os Maragatos.


Surpreendentemente não existe nenhuma inscrição que faça alguma referencia do local a o fato histórico de tamanha importância, ou mesmo alguma proteção contra a ação de vândalos. Apenas uma barra de ferro com listras amarela, circula o local, onde o mato cresce livre e se vê vestígios de lixo jogados no seu interior, deixando claro o desinteresse das autoridades em conservar este patrimônio histórico e cultural.


Voltamos para a Pousada e nos recolhemos cedo. Depois de uma manhã e um pedaço da tarde trafegando por uma estrada esburaquenta, poeirenta, caminhar até a cascata dos Venâncios e andar pelo centro da cidade, estávamos necessitados de um banho e uma cama macia.
Bingo!., não consegui ver nem o final do capitulo da novela das nove.

Domingo 16/10:
A PROCURA DO PASSO DO "S":
De manhã depois do café, pagamos o pernoite e caímos na estrada novamente em busca do Passo do S, cuja as sinalizações para se chegar, achei muito deficiente, já que algumas placas mostravam distancias mas não sinalizava o acesso à se tomar. Por sorte um dos moradores nos informou que a estrada ficava ao lado de uma casa amarela, o que já era uma referencia, visto que casas na beira da estrada era coisa rara. Mas a casa amarela dada de referencia, era de um amarelo tão pálido que não parecia amarelo, mas creme. Enfim!..


Na unica casa amarela na estrada, pedimos informação ao seu morador (um senhor muito alegre), que nos confirmou estarmos no caminho certo. Deste ponto dado como referencia, vindo desta vez, no sentido Jaquirana para Cambará do Sul, entramos à direita, numa estrada de terra, que levou cronometradamente 1 hora para chegarmos, fazendo uma distancia de apenas 12 quilômetros.


Antes de chegarmos percorremos muito chão, uma lage que atravessava um rio sem sinalização e portanto de nome desconhecido, estrada ora esburaquenta, ora com pedras soltas, ora em estagio de desmoronamento pela possível ação das chuvas.


O que na verdade eram apenas 12 quilômetros sendo percorridos, parecia ter sido acrescido com mais um zero, dando a sensação de que levaríamos uma eternidade para chegarmos.
Estávamos ansiosos e sem nenhuma sinalização para termos a certeza de que estávamos no caminho certo, sendo guiados apenas por nossa intuição, até que de repente avistamos duas placas no final da estrada que acabava diante do lajeado. Havíamos enfim chegado!


ENFIM, NO PASSO DO "S":
É um extenso lajeado por onde corre o Rio Tainhas formando uma bela cachoeira, ao despencar sobre um profundo poço de pedras. O local é apropriado para banho e Camping, porém (sem nenhuma estrutura). É possível atravessar o rio à pé, à cavalo ou de automóvel, quando o rio está em seu nível normal. Existem algumas estacas delimitando o caminho, mas percebi que muitas foram retiradas dificultando a visibilidade do trajeto.


SIGNIFICADO DO NOME:
O nome Passo do S, tem como origem a formação rochosa do lajeado em forma de uma letra "S", onde no passado serviu de passagem aos tropeiros que vinham de outras cidades e estados em busca de gado para o sustento da população.
Acompanhando a correnteza do rio, podemos contemplar a grande queda d' água transformada numa grande cascata chamada de Cascata Passo do S.


Jaquirana é representado por um território físico de 895 quilômetros e dotado de uma região caracterizada por montanhas, vales, campos e áreas de mata nativa.
O Município é recortado por rios, sendo os mais importantes: O Rio das Antas, Tainhas e Camisas.
Sua população de aproximadamente 6.000 mil habitantes é muito hospitaleiro. A cidade está à 920 metros de altitude e tem um clima muito frio no inverno, chegando à gear e nevar nas temperaturas mais baixas.
Ficamos longas horas caminhando sobre o extenso lajeado, admirando tudo em volta e nos surpreendendo em como a natureza foi generosa com este lugar.


Deixamos de conhecer outros locais de interesse como: A cascata Princesa dos Campos, o Ponto do Funil, as Duas Pontes, o Passo da Ilha, mas sabíamos que em apenas dois dias era impossível conhecer tudo. Desta forma, abrimos um precedente de um dia voltarmos para conhecermos o que ficou para traz. Até o próximo!..

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pedido de perdão de 9 por3 metros.

Faz alguns dias que passo pela esquina da avenida Antonio de Carvalho com a Protásio Alves e me deparo com este Outdoor, que me parece um pedido de perdão publico, de alguém muito apaixonado e que se arrependeu de ter cometido algum erro. Mas que erro seria? Eu gosto de outdoors, eles sempre me chamam a atenção, ainda mais se tratando de um apelo como este. Eu fico pensando se eu seria capaz de uma atitudes corajosa dessas: Um pedido de perdão de 9 por 3 metros de tamanho.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que é bom, simplesmente não me basta.




Uma amiga me perguntou na semana passada, no sarau, se eu já tinha ouvido o novo CD de Maria Gadu e Caetano veloso, com o proposito de investigar se valeria o investimento de assistir-los no show marcado para este mês de Outubro, aqui em Porto Alegre e que será no dia 27 às 21 horas num especial de lançamento do DVD 'Multishow Ao Vivo'. e eu fiquei pensando silenciosamente: Se tu soubesse o quanto eu sou complicado!..
O show será no Pepsi on Stage com preços que variam respectivamente de R$ 80,00 a R$ 240,00 e que eu não acho um absurdo de caro, em se tratando dos quilates que representam o cantor baiano e sua afilhada Maria Gadu, hoje conhecida e reconhecida entre os que apreciam MPB.
O talento de Caetano Veloso é incontestável e firmado numa carreira que ultrapassa mais de quatro décadas e uma obra musical marcada pela releitura e renovação, considerada de grande valor intelectual e poético. Maria Gadu dona de uma voz impar, grave, compassada, e muito atraente, descoberta por Milton Nascimento, João Donato e o próprio Caetano veloso em 2009 quando estourou no meio artístico e popular com musicas de sua autoria em seguida tocadas em novelas de grande audiência.
O que acontece, é que eu estou naquela fase emocional, onde o que já é conhecidamente bom  não tem me bastado, me tocado como era para eu mesmo esperar; como se o gosto mesmo comprovadamente bom, tivesse perdido a excelência por já ser conhecido. Acho que é uma fase, que vem e passa, mas enquanto não passa estou querendo dar atenção a outras vozes e ritmos menos óbvios. Gosto de Maria Gadu e indiscutivelmente de Caetano Caetano Veloso, mas sinto não estar receptivo como eu gostaria de estar neste momento. Quem sabe, como diria o próprio Caetano, eu venha me  arrepender, ou não!..

A Romaria dos Motoqueiros

Ontem de manhã, ouvia-se desde cedo o ronco de motocicletas circulando pelas avenidas de Porto Alegre. Eram tantas deslocando-se em grupos por entre os carros, que num dado momento eu cheguei a comentar com colegas na troca de plantão, que os motoqueiros estavam invadindo o mundo, perecendo uma praga bíblica de gafanhotos ruidosos. Riram do meu comentário humorado, dizendo que eu estava surtando,  que trabalhamos no SAMU e o maior indice de acidentes de transito que atendemos são com motociclistas envolvidos. 
Eu havia esquecido da Romaria dos motoqueiros em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, que acontece todos os anos no dia 12 de Outubro, levando fiéis à pé e de duas rodas a arquidiocese de Porto Alegre para receberem a benção e depois seguirem procissão até o Centro Cultural Porto Seco. A romaria foi criada e incentivada pelo padre holandês João Peters, que exercia atividades sacerdotais na Igreja Nossa Senhora das Dores e na Brigada Militar, cuja corporação chamava carinhosamente de "briosa" e que faleceu aos 73 anos de idade por complicações cardíacas e respiratórias.
Ontem foi cerca de 40.000 fiéis presentes, sendo 25.000 motociclistas, conforme divulgou o RBS Noticias. Ora num transito caótico, ocasionado principalmente pelo excesso de automóveis que circulam pelas ruas da cidade e concorrem a vagas cada vez mais escassas de estacionamento e avaliando o baixo custo e benefícios de se adquirir uma moto é fácil crer que elas em algum momento dominarão o mundo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um erro consertado


A Caixa Econômica Federal começou a veicular uma nova propaganda em que mostra Machado de Assis sendo interpretado por um ator mulato, fazendo jus a etnia do escritor.
O primeiro vídeo em que mostrava um ator de etinia branca foi suspenso e refeito, após ter sido gerado grande polemica entre os telespectadores que se mostraram contra, pelo fato do escritor não ter a pele clara. O comercial recebeu criticas ate por parte do governo, já que a Caixa evidentemente é uma estatal. O banco fez uma retratação publica e consertou o erro.
A campanha comemora os 150 anos do banco e mostra a historia do escritor, como um fiel cliente da eterna caderneta de poupança do banco. Eu particularmente acho bom que este tipo de manifestação aconteça, para que seja respeitada acima de tudo a verdade histórica, sem o risco desse lapso parecer discriminação. Alguns erros são tão difíceis de serem reparados posteriormente, que eu cresci e virei adulto, tendo na minha cabeça, a imagem de Cleópatra, como uma mulher de pele clara e os olhos lilases de Elizabeth Taylor.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Parece mentira...

A semana começou mal e para tentar dar uma disfarçada  a este clima de morte e desassossego que anda vagando sobre a minha cabeça, no meu cotidiano, resolvi ao chegar em casa, abrir uma garrafa de vinho vagabundo que eu havia guardado num canto esquecido do armário, lembrando as palavras de minha mãe: "Não se pode resolver problemas, criando outros, filho!". Mas assim mesmo resolvi arriscar beber, somente para ver se este sentimento de peso aliviava meus ombros, meus pensamentos.
Acontece que hoje durante o trabalho, soube da morte de outro colega que eu nem imagina ter acontecido; tanto que seu falecimento ocorreu em Agosto passado e eu só fiquei sabendo agora, hoje, durante o plantão através de um outro colega.
Eu conheci o Paulo (que faleceu) e deixei de vê-lo antes dele ficar doente, de descobrir que havia contraído um câncer de intestino, de iniciar um tratamento invasivo e perceber que não havia mais nada a ser feito, morrendo depois, pouco mais de um mês ao ser  descoberto a doença. 
Pra mim foi um choque muito grande saber desta noticia, pois ainda tinha ele na minha lembrança como aquela imagem de homem saudável, alegre e bonito, que fazia algumas mulheres suspirarem em sua volta e admirarem sua voz de locutor de rádio.
Ele era mais jovem que eu e talvez estivesse beirando os 46 anos de idade. Engraçado como a morte parece não combinar com algumas pessoas que transmitem bom humor, vitalidade e alegria sob diversos aspectos. Estranho, muito estranho aceitar isto, acreditar em sua morte sem desconfiar que não seja uma mentira. Certa vez uma colega me disse que ele se parecia com Colin Farrell, ator da foto postada acima o que eu na época, não dei muita atenção, mas hoje observando melhor e talvez sob alguma influencia do vinho, percebo alguma semelhança. 

domingo, 9 de outubro de 2011

Há quatro horas atrás.

Agora eu tenho somente um silencio, quebrado pelos meus dedos batendo no teclado e um chiado conhecido saindo pelo lado esquerdo do antigo laptop. Há quatro horas atrás, ouvia gargalhadas, frases soltas, conselhos, reclamações, observações, musica tocando alto. E como as pessoas fazem observações quando estão em grupo, em festas, em horas inapropriadas para fazer isto. Tudo fica embalado ao som da musica alta, dando a impressão de que observações maldosas não são tão pessoais assim. Percebemos surpresos, o quanto algumas pessoas envelheceram por fora e outras continuam infantis por dentro. 
Não podemos alterar nada referente as atitudes das pessoas, somente observar e talvez também comentar com a mesma torpeza, entrar no fluxo, esquecendo que nossos defeitos também estão sob  rígida avaliação.
Bom, depois vem o "Parabéns Pra Você" e está tudo certo!..

Vento Litoral

Há duas semanas atrás, soube que meu colega havia sofrido um infarto. Estava baixado na UTI de um hospital, cuja a realização de exames determinaram pouquíssimas chances dele sair com vida. Neste Sábado ao chegar no trabalho, encontrei no mural de mensagens, este pequeno cartão com sua foto e um texto escrito por Renato Russo, bastante emocionante e que acredito ter sido delicadamente idealizado por sua esposa, também colega de trabalho. 
Deve ter sido ela a mentora desta iniciativa que é uma mensagem pública de despedida, de reconhecimento, de agradecimento por uma relação que pareceu ter dado certo, de muito amor, respeito e consciência e de que a vida deve continuar e que se entregar é uma bobagem. 

O texto escrito no cartão e que está ilegível na foto, chama-se Vento Litoral, letra da musica do vídeo postado logo abaixo para que possamos ouvir e pensar à respeito. 
A gente sabe que nossa vida caminha sobre uma linha esticada e tênue e que um dia ela arrebenta por não suportar mais o peso do nosso corpo, o acúmulo de nossos erros, acertos, emoções, sobrando apenas o que de nós é leve e que espalha pelo ar, virando vento, átomo, lembrança ou qualquer coisa deste tipo e que só podemos guardar dentro de nós em forma de saudades.



sábado, 8 de outubro de 2011

Alô alô, Oléria: Testando

Foi por acaso que eu liguei a TV no canal Câmera numa noite destas e me deparei com esta simpática cantora brasiliense com muita presença de palco, esbanjando voz e com um swing tão contagiante que eu pensei que ela fosse baiana. Nada haver, não é mesmo, já que basta ser brasileira.


Com muita energia e uma voz marcante, ela mistura samba, funk, soul, bossa nova, hip hop. Seu nome é Ellen Oléria e foi vencedora na categoria “melhor intérprete” no Festival Interno de Música Candanga de 2003 e 2006; no Festival e Música dos Correios de 2004 e 2006; e do Prêmio Sesc de Música de 2005; entre outros. Eu postei este vídeo que achei no Youtube para vocês conferirem o seu talento. Na minha opinião ela é das grandes e tem muita chance de ir longe.

video

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Duos brasileiros.

Depois de muitas tentativas frustradas, para conseguir via Internet uma senha que eu deveria depois trocar por um ingresso de entrada no show "Duos brasileiros" desta Sexta- feira as 20h., no Salão de Atos da UFRGS, eu decidi pelo risco de ir assistir ao ensaio aberto na Quinta- feira, pois este não havia a necessidade de ingresso e me permitiria ao menos ter uma ideia do como seria o show, caso não conseguisse vê-lo. No final, a sorte foi minha aliada e consegui facilzinho, facilzinho, três ingressos para assistir ao show e também já assistir ao ensaio uma noite antes, que diga-se de passagem, estava muito, mas muito bom! 

A proposta deste mês de Outubro pelo projeto Unimúsica da Pró-Reitoria- UFRGS, foi de colocar no palco juntos nada menos que, Ná Ozzeti com seu vasto curriculo como cantora e compositora que eu já conhecia de outras apresentações, com André Mehmari no piano; Mônica Salmaso que eu não havia assistido em nenhuma apresentação ao vivo, mas que tenho a maior admiração por seu trabalho, técnica vocal e afinação indiscutível ao lado de Teco Cardoso saxofonista e flautista renomado; Izabel Padovani que foi pra mim a surpreendente revelação pela sua grande qualidade musical e o fato de não conhecer seu trabalho e a o lado do baixista gaúcho Ronaldo Saggiorato.

O Show:
Bem, eu não preciso dizer que o show estava magnifico e a plateia os aplaudiu de pé após cada musica. O encontro dos seis musicistas foi o casamento perfeito na arte de tocar e cantar, costurado de excepcional entrosamento, harmonia e sensibilidade, proporcionando aos presentes, momentos raros da melhor musica contemporânea brasileira. 


O Repertório:
As musicas escolhidas para o repertório do show, foram entre outras as indiscutíveis: Gabriela- de Tom Jobim; Pra Que Discutir com Madame- de João Gilberto; Canto Em Qualquer Canto- de Ná Ozzeti; Minha Palhoça- de J.Cascata; Baião De Quatro Toques- de Zé Miguel Visnik; Casamento De Negros- de Violeta Parra; O Ciume- de Caetano Velosos; Felicidade- de Lupicínio Rodrigues; Pés No Chão de autoria de Maria João e Mario Laguinho,  cuja musica soa como improviso vocal, mas possui letra em forma de jogo sonoro delicioso e sofisticado. Esta ultima, interpretada belissimamente por Izabel Padovani que você pode ouvir aqui e Mônica Salmaso durante a noite de ensaio e no espetáculo.



O Ensaio Aberto:
Eu ainda não havia participado de ensaios aberto ao público e achei por demais interessante, pela oportunidade de se conhecer a construção de arranjos, harmonia vocal e alguns improvisos necessários na montagem de um espetáculo. Além disto parece surgir entre os músicos e a platéia que os assiste, uma certa cumplicidade do tipo, quando é mostrado os segredos de uma boa receita antes do prato ficar pronto. Nestes momentos (de exercício musical), nada é definitivo e por isto é ensaiado varias vezes uma mesma musica na busca da perfeição final. Isto termina por oferecer uma gama de interpretações em vozes e tons diferentes que acaba enriquecendo quem ouve e gosta de boa musica. 
Às vezes tudo parece estar pronto, mas um pequeno detalhe, faz com que a musica ou a letra perca ou ganhe uma valorização maior e necessária, o que é preciso rever, ajustar, produzir novos efeitos. O ensaio aberto passa ser não só um prolongamento antecipado do que será o show, mas uma continuidade dele, um show à parte.
Como disse Mônica Salmaso sentada no chão do palco, ao lado dos outros músicos, num papo descontraído conosco da platéia. "A gente combina, combina e na hora do show descombina tudo do que foi combinado!" Risos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Cheiros inconfundíveis na minha porta

Hoje saindo do edifício onde moro, depois de abrir a porta do elevador, senti aquele cheiro forte de perfume Lancaster, que nem sei se ainda existe no mercado para venda e se existe deve ter baixado de posto por sua fama de perfume extremamente forte e usado por boêmios de conceitos duvidosos. Era desta forma que minha família relacionava o perfume a pessoa. Lembro-me de seu cheiro forte desde os tempos da adolescência quando ganhei um vidro e me perfumava excessivamente com sua essência e minha mãe reclamava do cheiro. Os tempos são outros e acho que não só caiu de moda pela substituição de outras fragrâncias mais modernas, como também se eternizou na lembrança das pessoas que viveram nos anos 60 e 70, junto com a aparecimento do jeans nos meados dos anos dourados. 
Cheiros como o Lancaster, do Almiscar Selvagem e do Patchouly, ficaram gravados na memoria olfativa e emocional de quem os usou ou conviveu com o seu cheiro, marcando personalidades subjetivamente como  forma de vida e de atitudes de uma época.
Muita gente que usava o Patchouly, acreditava que sua fragrância era feito da maconha, assim como o Almíscar do sêmen de um bode oriundo de Malta. É claro que isto não é verdade. Hoje temos tantas fragrâncias à nossa disposição, que  até nos confundimos com os diversos cheiros que por vezes são tão similares. 
Uma coisa eu sei, mesmo depois de muito tempo e de saírem de moda, estes perfumes são inconfundíveis até hoje.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nos buracos haviam monstros

Eu estava num hotel ou numa pousada, quando da janela do quarto, no segundo andar, percebi um grande buraco e muito profundo, rente a estrutura do prédio. Curioso e impressionado com aquela descoberta, desci até a rua para saber do que se tratava e com uma maquina fotográfica para registrar, o que me parecia por demais estranho. 
Algumas pessoas, moradoras do lugar que caminhavam pela rua, me confirmaram a sua existência, alertando-me para que eu tivesse cuidado, pois a região era cheio deles e muitas pessoas e também casas, já haviam sido literalmente engolidas por eles.
Gritei para o meu colega Garcia e para o Junior, filho de uma amiga, que estavam hospedados comigo, mas eles pareciam não me ouvirem, demonstravam a certa distancia, desinteresse ao meu chamamento. 
Irritado com a desatenção deles, cruzei por um terreno íngreme e de pouca vegetação para ter acesso ao estranho buraco, quando percebi no caminho uma enorme pedra com pequenos orifícios onde haviam olhos atentos que me observavam. Os olhos eram assustadores e não humanos; eram tão grandes como destas figuras mitológicas assustadoras. Aproximavam-se e afastavam-se dos orifícios de pedra demonstrando algum receio de terem sido descobertos. Eu sentia não ter forças para continuar o caminho ou retornar, somente acordar daquele pesadelo e esquecer aqueles olhos que me observavam desconfiados.

Quantas vezes se morre?

_O que o senhor esta fazendo aqui moço, se eu morri ontem? Me perguntou o idoso, deitado sobre a cama, com os olhos de pouco brilho e aspecto de doente.
_Como o senhor pode ter morrido ontem se esta falando comigo e agindo como se estivesse vivo? Revidei num clima de brincadeira.
Risos.
_Eu morri  quatro vezes senhor. Hoje voltei, pouco antes do senhor chegar, mas ninguém acredita em mim, dizem que invento façanhas como um mentiroso. Morrerei muitas vezes ainda e agora pode ir, estou bem!

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