sexta-feira, 21 de março de 2014

A FLORESTA MORTA DA PATAGÔNIA.

Este titulo é bem sugestivo, uma vez que foi exatamente o que eu senti, ao visitar uma das florestas povoadas por castores espalhadas na Patagônia e que também já se alastrou pelo interior do Chile, causando grande destruição no meio ambiente destes países. A imagem é desoladora e a o mesmo tempo fantástica.


A historia conta, que em 1946 um burocrata da Marinha Argentina, teve a ideia de trazer 25 casais de castores para a Patagônia, com objetivo de impulsionar a industria de pele do animal, muito valorizada na época. A Patagônia seria o lugar ideal, principalmente pela não existência de predadores. A ideia foi acolhida, mas ao invés de prosperidade econômica no investimento, surgiu um grande problema, o crescimento desordenado de castores, se transformou numa praga incontrolável.


O castor se adaptou bem a seu novo habitat, mas o habitat não resistir a sua presença, pois o animal alem de ser um roedor compulsivo, constroem diques para se protegerem dos predadores (ursos), que não existem na Patagônia. Alem disto, o tipo de floresta existente na Patagônia não sobrevive a terrenos alagadiços, que provocam o apodrecimento de suas raízes, levando-as a morte. O resultado de tudo é a destruição ambiental que tem deixado as autoridades de mão amarradas.


segunda-feira, 17 de março de 2014

EL CALAFATE, A CIDADE DOS GLACIARES.

EL CALAFATE:
Depois de três dias em Ushuaia, o fim do mundo, voamos para El Calafate uma pequena cidade localizada na província de Santa Cruz e que é a cidade mais próxima ao Parque Nacional de Los Glaciares e onde localiza-se a maior geleira em extensão horizontal do mundo, 05 km de largura e 60 metros de altura. Para agilizar nossos passeios, alugamos um carro por 3 dias, para facilitar nossos deslocamentos para alguns os lugares mais distantes.
E aqui vai um depoimento pessoal: Como sofro de uma doença chamada preguiça mental e esqueço com frequência de alguns itens, fui para a Patagônia levando de roupas na bagagem, algumas cuecas, meias, algumas camisetas de verão e um casaco de meia estação. Por sorte um dos amigos de viagem, me emprestou uma camisa de flanela, que salvou-me dos dias mais frios.

ORIGEM DO NOME:
El Calafate, cujo o nome tem origem de um arbusto que nasce na região e produz uma pequena fruta da qual fazem doces e geleias, é uma cidade bem movimentada. Bem mais movimentada  e com maior infraestrutura comercial do que Ushuaia.


O Glaciar Perito Moreno, que encontra-se constantemente em evolução e com diminuição de sua área devido ao aquecimento global é grandioso e magnifico, com suas tonalidades de branco e azul turquesa. O nome  Perito Moreno é uma homenagem ao cientista naturalista explorador Francisco Pascasio Moreno, conhecido como Perito Moreno, que desbravou toda aquela região em favor da ciência. Perito (seu cargo) Moreno (seu sobrenome). Podemos observá-lo bem de perto através de um mirante recentemente construído, com várias passarelas de madeira, como em Foz do Iguaçu. O grande momento é quando se quebra uma placa de gelo, causando um grande ruído que lembra uma explosão e o entusiamo gerado pelos turistas afoitos, que com suas maquinas fotográficas preparadas, correm para um clic no momento do acontecimento.


Ao contrario do que eu pensava, o Perito Moreno não flutua sobre o Lago Argentino, ele se fixa sobre a terra e paredes da península e o fundo do lago, tornando-o estável. Tem momentos em que se alonga tanto, de forma a tocar a península e bloqueando a passagem de água de um lado para o outro, provocando inundações.




Contam que El Calafate recebeu nos últimos anos grandes incentivos, o que redobrou a movimentação de turistas, depois da construção de seu aeroporto, que antes não existia.
Algumas lugares são de grande interesse para os turistas que visitam El Calafate como:

PUNTA WALICHU:
É um sítio arqueológico à beira do Lago Argentino, onde há cavernas naturais com pinturas rupestres originais e algumas reproduções de obras de toda a Patagônia. É bonita a vista do lago, e as (poucas) pinturas são interessantes, mas não é um super passeio. Dispensável para quem não tem muito tempo na cidade.

 

CAPELINHA EM HOMENAGEM A DEFUNTA CORREA:
Bem na entrada da estrada que leva a Punta Walichu, existe um pequeno altar em homenagem a Defunta Correa, figura religiosa argentina que atrai centenas de milhares de devotos, pela sua história trágica e alegados milagres. O seu culto não está sancionado pela Igreja Católica, como tal não é considerada como santa, nem a sua existência real está devidamente documentada, o que, no entanto, não impediu a propagação da lenda nem a construção de um santuário oficial.

 

A LENDA:
Segundo a lenda, María Antonia Deolinda Correa era uma jovem mulher na década de 1840, que decidiu seguir o seu marido quando este foi recrutado para combater na guerra civil. Levando um bebé recém-nascido nos braços, Deolinda Correa seguiu o progresso do exército argentino durante algum tempo. Quando atravessou a zona desértica em torno da província de San Juan, os mantimentos e água que levava acabaram e acabou por morrer de sede e exaustão. Algum tempo depois o seu corpo foi encontrado e, para espanto dos viajantes, o bebé estava ainda vivo, supostamente graças ao leite que o corpo da sua mãe continuou a produzir, mesmo depois da morte. O evento foi considerado como milagre divino e o local foi assinalado com um pequeno altar.


PASSEIO DE BARCO PELOS GLACIARES: 
Este e um passeio imperdível, já que possibilita a vista deslumbrante dos glaciares e icebergs sobre lago argentino. Pode-se fazer também Mini Trekking (caminhadas opcionais sobre os glaciares).
O passeio é num catamarã e dura em torno de duas horas, partindo do píer Bajo de Las Sombras. No desembarque os guias dão uma breve explicação sobre como será a caminhada, e colocam os “grampões” nos calçados para os turistas fazerem a caminhada sobre o gelo com segurança.


MONTE FITZ ROY: 
(também conhecido como Cerro Chaltén, Cerro Fitz Roy, ou simplesmente o Monte Fitz Roy) é uma montanha localizada perto de El Chaltén, aldeia no sul do Campo de Gelo Patagônico, na fronteira entre Argentina e Chile. O Fitz Roy atrai montanhista do mundo todo para realizarem alpinismo em suas paredes geladas.


MUSEU DE GELO PATAGÔNICO:
Inaugurado em fevereiro de 2011. Fica há 15 km da cidade. O prédio é de arquitetura moderna e o museu muito interessante, apresenta toda a história da formação dos glaciais, um resumo da vida de Perito Moreno, uma projeção do grande desmoronamento que ocorreu no Perito Moreno em 2008 e um filme em 3D dos glaciais.


BAR DE GELO:
O museu conta com um café e um bar de gelo onde se pode beber uma variedade de coquetéis servidos por um bar men, no período de 20 minutos (tempo limite que se pode ficar ali dentro). O bar possui um jogo de luzes instalado em suas dependências, que o faz mudar de cor a todo o momento causando fascínio nos visitantes mais deslumbrados.


PASSEIO PELA RUTA 40:
A Ruta Nacional 40 é uma rodovia argentina, que percorre o país de sul a norte desde a província de Santa Cruz, até a divisa com a Bolívia, tornando-se desta forma a mais extensa rodovia da Argentina.
A rodovia corre paralela à Cordilheira dos Andes, incluindo trechos próximos ou em Parques Nacionais. Percorre várias das regiões turísticas e dos atrativos mais importantes do território argentino. A rodovia percorre 5.224 km: começando ao nível do mar, atravessa 20 parques nacionais, 18 importantes rios, conecta 27 passos de montanha na cordilheira e sobe a 5.000 metros de altitude na Abra del Acay em Salta. (o ponto mais alto da Rota Nacional da Argentina 40. Localizado a 24 ° 23'S 66 ° 14'W Coordenadas : 24 ° 23'S 66 ° 14'W , sua altitude é de 4.972 metros (16.312 pés),

 


Além de toda a beleza desértica em volta da Ruta, podemos encontrar belos Lagos, montanhas e enormes depressões de tirar o fôlego.


Surpreendentemente nos deparamos com o que possivelmente deveria ser um observatório astronômico, hoje abandonado num terreno ao lado da Ruta 40.


Depois disto, resolvemos equilibrar pedras sobre pedras ao lado da estrada. Desde que comecei a viajar pelo Chile, Deserto do Atacama e Peru, que venho observando no acostamento das estradas estas pedras que só poderiam estar posicionadas desta forma através da mão humana. Como estávamos  viajando com um casal de chilenos, nos explicaram que eram posicionadas daquela forma, pelos viajantes (principalmente motociclistas e mochileiros que faziam aquilo para marcar o terreno por onde passaram de forma a não se perderem). Óbvio que fizemos o mesmo!..


BOSQUE PETRIFICADO LA LEONA:
Começa a partir de El Calafate, a leste e a poucos quilômetros ao norte torna-se Route 40. Durante este passeio pode-se apreciar o Lago Argentino, Santa Cruz River, o La Leona Rio, as majestosas montanhas dos Andes,  o Monte Fitz Roy, alem de arvores petrificadas com cerca de um metro e meio de diâmetro.
Após, seguimos viagem para El Chaltén, cuja a ventura eu conto ao clicarem "AQUI".
Até a próxima!


terça-feira, 11 de março de 2014

USHUAIA, O FIM DO MUNDO.

Maravilha!.. Até que enfim, consegui realizar esta viagem, que era um dos meus sonhos. Olhando de cima, pela janela do avião que partiu de Buenos Aires, deu para se ter uma noção do motivo pelo qual este lugar fantástico, é chamado de Fim do Mundo. São longas horas cruzando por cima de uma paisagem absolutamente vazia, sem casas e de pouquíssimas vegetações, até se chegar no paraíso.

Canal de Beagle.

A Patagônia foi mais um dos lugares que eu queria conhecer nestas andanças que tenho feito pelo mundo e que certamente vem se tornando um plus rotineiro na minha vida. Agora em Fevereiro de 2014, conquistei esta façanha desejada, saindo do Brasil no dia 05/02/2014, num grupo composto de 12 pessoas dispostas a conhecer esta terra de fama inóspita e beleza inigualável.
A Patagônia é terra para quem gosta de horizonte, de quietude, de estrelas, de tons alaranjados e de vento que emoldura florestas, vales. De silencio que só é quebrado pelo canto de pássaros raros, de cascatas escondidas, de grandes blocos de gelo que explodem nos glaciares.


MAS POR QUE O NOME  TÃO INCOMUM:
'Patagônia' vem da palavra patagão, usado por Fernão de Magalhães em 1520, para descrever o povo nativo que sua expedição acreditou serem gigantes. Acredita-se atualmente que os patagones seriam os tehuelches, (ameríndios da patagônia), que tinham uma altura média de 180 centímetros, em comparação com os 155 cm de média dos europeus da época.
Fernando de Magalhães foi um dos primeiros navegadores marítimos, com a missão de dar a volta ao mundo, numa época na qual não se tinha certeza da extensão da circunferência do planeta e se o mundo era redondo ou plano.


ALGUMAS COISA QUE ME SURPREENDERAM NESTE LUGAR:

Primeiro - A beleza natural, onde se estendem montanhas nevadas, lagos de coloração azul, glaciares, florestas, animais.
Segundo - Porque inacreditavelmente neste período de Fevereiro, que estive por lá, os dias são mais longos, já que escurece as 22 horas e clareia um pouco antes das 5 horas da manhã, tornando as noites curtas e os dias inacreditavelmente longos, causando uma estranha sensação no nosso relógio biológico.
Imagina olhar para um céu claro, sabendo que já são 22 horas. Punk não é mesmo?

USHUAIA:
A primeira cidade que desembarquei foi Ushuaia, também conhecida pelo slogan de Fim do Mundo, ou cidade mais austral do mundo, por estar localizada na Província da Terra do Fogo, no extremo sul do continente. A origem do nome  provém do idioma indígena yagan: ushu + aia (fundo + baía = baía profunda),

Fim do Mundo Ushuaia.
FORMAÇÃO DA CIDADE:
A historia conta que Ushuaia cresceu em torno da instalação de um grande presidio que trazendo muitos funcionários administrativos, atraiu novos colonos ao lugar, mas também fez com que se formasse uma impressão sombria sobre a cidade.


LOCALIZAÇÃO:
Ushuaia esta localizada as margens do Canal de Beagle e lembra um grande porto de desembarque, com enormes contêineres e embarcações atracadas que partem para a Antártica . A cidade é pequena e com cerca de 65 mil habitantes.


ATRATIVOS NA CIDADE:
Ainda que pequena, A cidade conta com alguns museus onde os preços variam entre 25 a 70 Pesos argentinos e tem também os gratuitos como o Museu da Cidade, Antiga Residência Flia.Beban, Antiga residência do Governo, datada de 1911 e que atualmente serve de local para eventos culturais na cidade.

Glaciar Martial

GLACIAR MARTIAL:
Uma boa dica é fazer o caminho até o Geleira Martial, que leva um pouco mais de 2 horas e no caminho contemplar a linda paisagem da cidade. Pode-se chegar ate o cume da montanha gelada de teleférico. O Glaciar Martial fica a 7 quilômetros da cidade e constitui a fonte de água potável mais importante de Ushuaia.

CASA DE CHÁ LA CABANÃ:
Na base do Glaciar Martial, onde  se compra os ingressos, para andar no teleférico, existe uma casa de chás com uma diversidade de sabores e aromas agradabilíssimos. O chá é servido apos toda uma técnica de preparo, inclusive com a utilização de uma ampulheta para calcular os minutos de infusão.


Casa de chás La Cabanã.


NOITE EM USHUAIA:
Não existem noites de badalação em Ushuaia, com aglomeração de pessoas, como boates para dançar e coisas do gênero, as poucas badalações que existem são realizadas dentro dos albergues espalhados pela cidade e entre seus hospedes. Com uma grande diversidade de cafés, restaurantes e bares que não permanecem abertos madrugada a dentro.
É imperdível experimentar, o prato tipico da cidade conhecido por; Cordeiro Patagônico Assado na Brasa, que é uma delicia.
Saindo do núcleo central da cidade, outras atrações podem ser apreciadas como:
O Lago Escondido localizado a 60 quilômetros do centro, o Cerro Castor localizado a 26 quilômetros de Ushuaia, no Parque Nacional Tierra del Fuego, inaugurado em 1999.


O CERRO CASTOR:
Possui todos os serviços de um verdadeiro centro de esportes de neve. Oferece aos seus praticantes uma variada proposta de pistas externas ideais para todos os níveis de atletas. A estação de Cerro Castor oferece a temporada mais extensa de toda a América do Sul, oferecendo ótimas condições para a prática de esportes. Para termos mais liberdade de fazer os passeios, decidimos alugar um carro, o que facilitou imensamente o nosso deslocamento para os locais de nosso interesse.
Lago Escondido.

LAGO FAGNANO:
Fica localizado ha mais ou menos 100 quilômetros ao Norte de Ushuaia e dividido entre a Argentina e o Chile. Era chamado de Descanso do Horizonte pelos nativos, por que a linha imaginaria do horizonte, onde está a Cordilheira dos Andes é interrompida pela linha formada pelo lago. É reconhecido internacionalmente pela pesca de trutas e salmão.

Lago Fagnano

PASSEIOS PELO CANAL DE BEAGLE:
Também é muito interessante: São diversas modalidades com preços diferentes. O Canal marca a fronteira entre a Argentina e o Chile, podendo-se navegar pela região, partindo do porto de Ushuaia, visitando varias ilhas pelo caminho como a dos Pássaros, Alicia, Bridges e Redonda, onde se avista pinguins, lobos marinhos e outros animais. No verão se chega a estância Harberton, onde viveu o primeiro homem branco na Terra do Fogo.





PARQUE NACIONAL DE TERRA DO FOGO: É o mais austral do continente, localizado a 11 quilômetros de Ushuaia, com 63 mil hectares, fazendo divisa com o Chile. Sua fauna é rica, composta de guanapos, raposas, castores canadenses e mais uma variedade de animais.

PARQUE NACIONAL LAPATAIA: Está localizado a 18 quilômetros de Ushuaia e foi criado em 1960, para proteger a flora subantártica da região. O lugar é lindo com uma paisagem espetacular, com cachoeiras, florestas, montanhas e geleiras.



TREM DO FIM DO MUNDO: Está localizado no Parque Nacional da Terra do Fogo, a 8 quilômetros de Ushuaia realizando passeios turísticos pelo interior do parque. O trem serve para resgatar a historia da Patagônia, quando no passado, os presidiários eram transportados de trem para fornecer lenha para a população, hoje um ponto turístico.


CORREIO DO FIM DO MUNDO: 
É outro lugar imperdível de se conhecer. Uma construção rústica sobre palafitas na Baia Enseada, onde pode-se carimbar o passaporte (provando que se esteve por lá) e também mandar um cartão postal para amigos para qualquer parte do mundo, basta apenas ter o código de endereçamento postal.

Correio do Fim do Mundo

A Patagônia é sem duvidas um lugar onde seus visitantes abrem espaço para um dialogo silencioso e introspectivo com uma natureza absolutamente diferente do que habitualmente estão acostumados a ver. Toda a sua riqueza e grandeza, se sobrepõe aos valores comuns e a o que estamos acostumados a conviver em nosso dia a dia. Beleza, rusticidade, grandeza, poderiam ser seus adjetivos maiores para classificar sua soberania sobre nós, simples e comuns seres humanos.
Bom, esta postagem por enquanto termina aqui, mas não toda a historia desta aventura, que continua por outras cidades que visitamos: El Calafaste e o vilarejo de  El Chalten, antes de retornar ao Brasil.

Ate a próxima viagem!

Milésima lição.

É tempo de aprender, por que sempre existe espaço para isto e então buscamos nos aperfeiçoar através dos nossos erros e no dos outros, na falta de flexibilidade que endurece e absorve os sentimentos humanos, por um egoismo defensivo que domina o mundo. Por vezes é possível parar e dar mais uma chance, mas às vezes é necessário prosseguir sem olhar para traz e deixar que cada um cumpra o seu papel nesta vida cheia de erros.

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